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Polícia de S.Bernardo indicia grileiro que vendeu terrenos


Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

27/05/2006 | 08:18


O soldador Geraldo Luiz Reis, 52 anos, conhecido como Geraldo da Chácara ou Moreno, foi indiciado pela polícia de São Bernardo por parcelamento irregular de solo urbano. O grileiro foi denunciado por moradores da Vila São Pedro, que afirmam ter comprado dele terrenos em área de risco. Reis é o primeiro a ser apontado como autor de venda ilegal de lotes pelo inquérito aberto na Delegacia Seccional, que apura o esquema de grilagem na periferia da cidade.

Há um mês, o Diário negociou com Reis um lote de 100 m² na rua 28 de abril, no alto do morro da Vila São Pedro. Ele dava como garantia de posse do terreno o cadastro realizado pela Sociedade Amigos de Bairro. E afirmava que nenhum morador seria removido da área porque o presidente da entidade, Geraldo Gomes da Silva, assessor do presidente da Câmara, Laurentino Hilário (PSDB), trabalhava em parceria com a Secretaria de Habitação e Meio Ambiente.

É a segunda vez que Reis é apontado como autor de crime por venda irregular de lotes na vila; em 1995, o grileiro foi indiciado por estelionato. O comprador começou a erguer a casa no terreno adquirido e teve o alicerce demolido pela Prefeitura sob alegação de ocupação irregular. A vítima pagou R$ 2,1 mil pela área.

Sexta-feira de manhã, outros moradores da Vila São Pedro enfrentaram a mesma situação. Em blitz realizada pela Prefeitura, cinco casas ainda em construção foram derrubadas pelo Grupo de Proteção ao Patrimônio Público, a Brigada; uma na rua da Estrela, e quatro na rua 28 de abril. As moradias consolidadas não foram alvo da fiscalização e, segundo o secretário da Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo, Ademir Silvestre, “a princípio” não serão demolidas.   Ninguém ficou desabrigado. Mas quem investiu todas as economias para erguer a casa própria contabiliza o prejuízo. Indignados, moradores que perderam a construção e os vizinhos acionaram a Guarda Municipal, que participou da ação. Contaram que haviam comprado o terreno de Geraldo da Chácara, e apontaram o endereço do grileiro. Ele foi levado pela Guarda e encaminhado ao 6º DP da cidade. De lá, foi encaminhado à delegacia seccional e interrogado. Saiu depois de quase quatro horas de depoimento. Mais uma vez indiciado.

“Valdemar” – Reis repetiu em depoimento a versão que havia dado à reportagem do Diário quando questionado sobre a grilagem de terras na Vila São Pedro. Segundo a polícia, Geraldo da Chácara disse que vendia os lotes a pedido do suposto dono da área, o “Valdemar”, e que ganhava cerca de R$ 300 por terreno negociado. Ele afirmou à polícia que Valdemar conhece Geraldo Gomes da Silva, o presidente da SAB, mas que não sabe sobre qualquer tipo de acordo firmado entre os dois para viabilizar a venda dos terrenos. Pelo crime de parcelamento irregular de solo urbano, Reis pode pegar, se condenado, de um a cinco anos de prisão e multa que pode variar entre dez e cem salários mínimos.

Enganado – O montador de móveis Aliomar Belarmino Santos, 33, tinha investido R$ 6 mil na construção de uma casa bem modesta na rua 28 de abril. Foi chamado às pressas pela futura vizinhança, quando por volta das 9h de sexta-feira o trator da Brigada começou a derrubar a construção, quase acabada. “Já estava na laje”, conta. Há dois anos, ele comprou o terreno de um proprietário que, por sua vez, havia adquirido de Reis. “O Moreno veio até participar do negócio, deu a autorização da venda. Falou que era tudo legalizado. Disse que era só construir e cadastrar”, lembra ele, que mora “de favor” na casa do cunhado.

A filha do porteiro Edward de Oliveira Silva, 36, viu quando as casas começaram a ser derrubadas e, assustada, chamou o pai. “A minha casa não derrubaram porque tem gente morando. Mas também comprei do Geraldo da Chácara. Paguei à vista, R$ 1,1 mil. Ninguém aqui é invasor”, defende. Oliveira e outros vizinhos endossaram a denúncia contra Reis.

O grileiro diz que não tem qualquer relacionamento com Geraldo Gomes da Silva, o presidente da SAB. Mas quem comprou dele o lote na Vila São Pedro afirma que Silva aprovou todos os negócios feitos por Reis, e que não deixou de cadastrar as famílias em área de risco.

O pintor Gildásio Oliveira Souza conta que comprou de Reis um lote na rua 28 de abril há um ano. Como não tinha dinheiro suficiente para pagar pelo terreno, trabalhou de graça na sede da SAB. “Pintei a sede inteira. Trabalhei pro presidente, o Geraldo branco, pra poder saudar minha dívida.” Souza ainda não iniciou a construção. Mas já vê o sonho de sair do “aperto” em que vive com a família cada vez mais distante. “E eu que achei que tinha um terreninho”, lamenta. A única esperança de Souza é a regularização fundiária do bairro, anunciada quinta-feira pela Prefeitura.


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Polícia de S.Bernardo indicia grileiro que vendeu terrenos

Illenia Negrin
Do Diário do Grande ABC

27/05/2006 | 08:18


O soldador Geraldo Luiz Reis, 52 anos, conhecido como Geraldo da Chácara ou Moreno, foi indiciado pela polícia de São Bernardo por parcelamento irregular de solo urbano. O grileiro foi denunciado por moradores da Vila São Pedro, que afirmam ter comprado dele terrenos em área de risco. Reis é o primeiro a ser apontado como autor de venda ilegal de lotes pelo inquérito aberto na Delegacia Seccional, que apura o esquema de grilagem na periferia da cidade.

Há um mês, o Diário negociou com Reis um lote de 100 m² na rua 28 de abril, no alto do morro da Vila São Pedro. Ele dava como garantia de posse do terreno o cadastro realizado pela Sociedade Amigos de Bairro. E afirmava que nenhum morador seria removido da área porque o presidente da entidade, Geraldo Gomes da Silva, assessor do presidente da Câmara, Laurentino Hilário (PSDB), trabalhava em parceria com a Secretaria de Habitação e Meio Ambiente.

É a segunda vez que Reis é apontado como autor de crime por venda irregular de lotes na vila; em 1995, o grileiro foi indiciado por estelionato. O comprador começou a erguer a casa no terreno adquirido e teve o alicerce demolido pela Prefeitura sob alegação de ocupação irregular. A vítima pagou R$ 2,1 mil pela área.

Sexta-feira de manhã, outros moradores da Vila São Pedro enfrentaram a mesma situação. Em blitz realizada pela Prefeitura, cinco casas ainda em construção foram derrubadas pelo Grupo de Proteção ao Patrimônio Público, a Brigada; uma na rua da Estrela, e quatro na rua 28 de abril. As moradias consolidadas não foram alvo da fiscalização e, segundo o secretário da Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo, Ademir Silvestre, “a princípio” não serão demolidas.   Ninguém ficou desabrigado. Mas quem investiu todas as economias para erguer a casa própria contabiliza o prejuízo. Indignados, moradores que perderam a construção e os vizinhos acionaram a Guarda Municipal, que participou da ação. Contaram que haviam comprado o terreno de Geraldo da Chácara, e apontaram o endereço do grileiro. Ele foi levado pela Guarda e encaminhado ao 6º DP da cidade. De lá, foi encaminhado à delegacia seccional e interrogado. Saiu depois de quase quatro horas de depoimento. Mais uma vez indiciado.

“Valdemar” – Reis repetiu em depoimento a versão que havia dado à reportagem do Diário quando questionado sobre a grilagem de terras na Vila São Pedro. Segundo a polícia, Geraldo da Chácara disse que vendia os lotes a pedido do suposto dono da área, o “Valdemar”, e que ganhava cerca de R$ 300 por terreno negociado. Ele afirmou à polícia que Valdemar conhece Geraldo Gomes da Silva, o presidente da SAB, mas que não sabe sobre qualquer tipo de acordo firmado entre os dois para viabilizar a venda dos terrenos. Pelo crime de parcelamento irregular de solo urbano, Reis pode pegar, se condenado, de um a cinco anos de prisão e multa que pode variar entre dez e cem salários mínimos.

Enganado – O montador de móveis Aliomar Belarmino Santos, 33, tinha investido R$ 6 mil na construção de uma casa bem modesta na rua 28 de abril. Foi chamado às pressas pela futura vizinhança, quando por volta das 9h de sexta-feira o trator da Brigada começou a derrubar a construção, quase acabada. “Já estava na laje”, conta. Há dois anos, ele comprou o terreno de um proprietário que, por sua vez, havia adquirido de Reis. “O Moreno veio até participar do negócio, deu a autorização da venda. Falou que era tudo legalizado. Disse que era só construir e cadastrar”, lembra ele, que mora “de favor” na casa do cunhado.

A filha do porteiro Edward de Oliveira Silva, 36, viu quando as casas começaram a ser derrubadas e, assustada, chamou o pai. “A minha casa não derrubaram porque tem gente morando. Mas também comprei do Geraldo da Chácara. Paguei à vista, R$ 1,1 mil. Ninguém aqui é invasor”, defende. Oliveira e outros vizinhos endossaram a denúncia contra Reis.

O grileiro diz que não tem qualquer relacionamento com Geraldo Gomes da Silva, o presidente da SAB. Mas quem comprou dele o lote na Vila São Pedro afirma que Silva aprovou todos os negócios feitos por Reis, e que não deixou de cadastrar as famílias em área de risco.

O pintor Gildásio Oliveira Souza conta que comprou de Reis um lote na rua 28 de abril há um ano. Como não tinha dinheiro suficiente para pagar pelo terreno, trabalhou de graça na sede da SAB. “Pintei a sede inteira. Trabalhei pro presidente, o Geraldo branco, pra poder saudar minha dívida.” Souza ainda não iniciou a construção. Mas já vê o sonho de sair do “aperto” em que vive com a família cada vez mais distante. “E eu que achei que tinha um terreninho”, lamenta. A única esperança de Souza é a regularização fundiária do bairro, anunciada quinta-feira pela Prefeitura.

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