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Eles deixaram a rua

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

27/05/2012 | 07:00


Quatro pessoas, diferentes histórias e um personagem em comum: o álcool. Foi a bebida que levou Ismael Bittencourt, 62 anos, Francisco Canindé Bezerra, 53, Edimir da Silva, 41, e Nelita das Dores Ramos, 58, para as ruas. Várias razões fizeram com que eles deixassem a situação, mas as oportunidades recebidas e a vontade própria foram essenciais.

O ARTESÃO
"Se não tem vontade de sair, a pessoa não sai", garante Ismael Bittencourt. Esse senhor de olhos escuros traz no rosto e nas mãos a marca da vida que levou por mais de cinco anos, conforme seus imprecisos cálculos. Os dedos que antes não largavam a garrafa de bebida hoje cortam, serram e pintam madeira nas oficinas de artesanato que ele comanda no Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Santo André, a Casa Amarela, que acolhe a população em situação de rua.

O professor de artesanato em madeira foi casado por 28 anos. Sempre gostou de beber, mas o álcool passou a dominar sua vida quando se divorciou. Chegou a ficar internado em duas clínicas para tentar se livrar do vício. Voltava para as ruas e bebia de novo. A família desistiu dele, e Bittencourt passou a viver nas calçadas, sobrevivendo com o pouco dinheiro que conseguia vendendo adesivos, olhando carros ou simplesmente pedindo esmola. "O frio dava desespero. Era 18h, aquela chuva fina, e a única preocupação era onde eu ia dormir." Passava a noite no albergue, mas quando não conseguia vaga, o jeito era ficar na rua.

Depois de cinco anos de fundo de poço, como define, Bittencourt foi parar na Casa da Acolhida do Parque Miami. Dessa vez, veio para ficar. "A vontade de parar de beber bateu. Com ela e Deus no coração, consegui me livrar do vício." Está ‘limpo' há dez anos.

Ali, o homem voltou a se sentir útil. Vindo de família de marceneiros, herdou do avô e do pai o dom de mexer com a madeira. Fez cursos e hoje ajuda aqueles que também querem deixar a rua. "A gente fica triste quando vê as recaídas. Mas tento passar a minha experiência. Quem sabe não é a vez deles mudarem de vida?"

O MAIS NOVO
A vez de Edimir da Silva chegou após muito sofrimento. Ele vem de uma família de dez irmãos. Dois morreram, um deles por dívida de drogas. Um tio morreu de cirrose. "Dizem que a gente herda o vício."

Silva começou a beber ainda adolescente. Aos 15 anos, voltava da escola e atacava a garrafa de pinga do pai, que ficava embaixo da pia. Completava o volume com água, até que passou a beber demais e o pai percebeu. Levou surra.

Quando os pais se separaram, não havia mais ninguém para controlar o jovem. Ele arrumou emprego num supermercado, mas gastava mais da metade do salário com bebida. Cansada, a mãe foi morar numa casa de família, onde trabalhava como empregada doméstica. Silva foi viver com a irmã. "Só dava trabalho. Chegava tarde, não tinha respeito."

Fez curso de cozinheiro e um dos irmãos o ajudou a conseguir emprego em São Bernardo. O jovem nascido em Mogi das Cruzes e criado em Poá, na Grande São Paulo, já vivia na cidade, mas ficou pouco no emprego. De novo, o álcool foi a causa. "Minha irmã me mandou embora. Com a rescisão, fui para uma pensão."

O dinheiro acabou. Silva não parava em nenhum serviço e acabou nas ruas. Entre idas e vindas, passou cerca de 15 anos nessa situação. Dormia na Casa de Integração Social do Riacho Grande quando não tinha nenhum trocado. Quando tinha, gastava com a bebida. "Sempre tive vontade de deixar o vício, mas tive muitas recaídas."

Hoje Silva trabalha num salão de cabeleireiro, onde faz serviços gerais de manutenção e tem um quartinho para dormir. Tem uma filha de dez meses com uma antiga paixão de infância. Está tentando reconstruir a vida, embora a companheira tenha medo. "Ela não quer me ver beber. Luto todos os dias para evitar o primeiro gole."

O JARDINEIRO
É isso que faz Francisco Canindé Bezerra, funcionário público da Prefeitura de São Bernardo. Sua tarefa sempre foi manter os parques e praças bem cuidados e floridos. Isso quando a bebida deixava. "Meu nome saiu 32 vezes publicado no jornal por abandono de emprego."

Bezerra passou por três internações ao longo de 28 anos para tentar se livrar do vício, que se agravou com o fim do casamento. "Perdi minha família e meu barraco para o álcool. Cheguei até a pescar na represa Billings para poder comer, porque o salário ia todo para a cachaça."

Como funcionário público, recebeu ajuda dos programas de assistência social da Prefeitura, o que evitou que fosse para as ruas. Manteve o emprego a muito custo e hoje mora de aluguel. Há dez anos está sem beber. "Se coloco uma gota de álcool na boca, volta tudo. Prefiro não arriscar, não quero voltar para essa vida."

A PEQUENA MULHER
Nem Nelita das Dores Ramos. Ela é pequena e magra, e o rosto tem rugas demais para a idade: 58 anos, pelo menos 18 deles mergulhados no alcoolismo. Começou quando ela perdeu o emprego, aos 40 anos. "Achavam que eu era velha e não consegui outro."

Nelita concluiu apenas a quarta série do Ensino Fundamental. Sem estudo e sem opção, foi morar com as irmãs, mas elas não aceitavam o vício. Passou a viver com amigas e trabalhar com reciclagem. Mas nunca se sentiu à vontade na casa dos outros. "Achei que na rua ia ser melhor, teria mais liberdade." Não foi.

A frágil mulher sofria com a falta de lugar para tomar banho, fazer as necessidades e conseguir comida. Além disso, percebeu que estava perdendo a visão. "Tive úlcera na córnea e catarata."

O serviço de abordagem de rua de São Bernardo tentou tirá-la dessa situação inúmeras vezes. Não aceitava acolhimento porque, no albergue, não podia beber. E a infecção só piorava. Até que, praticamente cega, pediu ajuda em uma Unidade Básica de Saúde.

Hoje, com a visão parcialmente recuperada, vive no albergue e recebe tratamento para o alcoolismo. Faz curso de pintura e quer transformar isso em renda. Seu sonho? "Ter uma casa. Quero continuar livre, mas fora das ruas."

Em 15 anos, 50 pessoas ganham vida nova em S.Bernardo

São Bernardo é a única cidade que arrisca número quando o assunto são ex-moradores de rua. Em 15 anos, 50 pessoas deixaram essa situação.

O local de referência é o Centro POP, onde se pode recuperar documentos, fazer tratamento de Saúde, cursos e receber oportunidades de trabalho. A cidade conta com casa de integração para 26 homens e albergue com 150 vagas. No inverno, 50 vagas emergenciais serão abertas.

São Caetano investe na retomada dos vínculos familiares. Só neste ano, dez pessoas retornaram para suas cidades.

Na Casa Amarela de Santo André são feitos 100 atendimentos por dia. Além disso, há albergue noturno, com 69 vagas masculinas e 11 femininas; Casa Moradia para homens, com 80 vagas; e Casa Moradia com 15 vagas femininas e cinco masculinas.

Em Diadema, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social ampliou a demanda de 200 atendimentos no início do ano para 340, em abril. Os interessados são encaminhados ao Centro Público de Emprego ou aos cursos da Fundação Florestan Fernandes. Há 40 vagas no albergue e projetos de incentivo à emancipação.

Em Ribeirão Pires, a Casa da Acolhida recebe até 45 pessoas, que participam de atividades culturais, esportivas e recebem acompanhamento. A cidade também providência o recâmbio de moradores em situação de rua para suas cidades de origem. As demais prefeituras não responderam.


Para especialista, falta integração de políticas públicas

Os moradores de rua têm dificuldades para mudar de vida porque faltam políticas públicas integradas entre os diversos setores municipais. Essa é a opinião do coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Lopes Miranda. "O serviço social faz bem o seu trabalho, mas falta atuar junto às demais secretarias, como Educação, Habitação, Saúde, Trabalho."

Segundo Miranda, a pessoa vai para a rua por um conjunto de fatores que não deve ser tratado de forma isolada. "O álcool não é causa, mas consequência de problemas familiares e falta de oportunidades." O coordenador destaca ainda que a bebida é hoje a droga mais barata que existe, e o acesso é facilitado por ser legalizada. "Com R$ 3 é possível se embebedar. É mais barato comprar cachaça do que comida."

Para o especialista, não basta que haja força de vontade para deixar o vício e a situação de rua. É preciso que a pessoa receba ajuda para fazê-lo. "O albergue é necessário, mas é uma situação que deve ser transitória. O ideal é que a pessoa siga o seguinte caminho: seja acolhido pelo equipamento social, no caso o albergue, depois passe para a moradia provisória e receba estímulo à geração de renda para que possa andar com as próprias pernas."



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Eles deixaram a rua

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

27/05/2012 | 07:00


Quatro pessoas, diferentes histórias e um personagem em comum: o álcool. Foi a bebida que levou Ismael Bittencourt, 62 anos, Francisco Canindé Bezerra, 53, Edimir da Silva, 41, e Nelita das Dores Ramos, 58, para as ruas. Várias razões fizeram com que eles deixassem a situação, mas as oportunidades recebidas e a vontade própria foram essenciais.

O ARTESÃO
"Se não tem vontade de sair, a pessoa não sai", garante Ismael Bittencourt. Esse senhor de olhos escuros traz no rosto e nas mãos a marca da vida que levou por mais de cinco anos, conforme seus imprecisos cálculos. Os dedos que antes não largavam a garrafa de bebida hoje cortam, serram e pintam madeira nas oficinas de artesanato que ele comanda no Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Santo André, a Casa Amarela, que acolhe a população em situação de rua.

O professor de artesanato em madeira foi casado por 28 anos. Sempre gostou de beber, mas o álcool passou a dominar sua vida quando se divorciou. Chegou a ficar internado em duas clínicas para tentar se livrar do vício. Voltava para as ruas e bebia de novo. A família desistiu dele, e Bittencourt passou a viver nas calçadas, sobrevivendo com o pouco dinheiro que conseguia vendendo adesivos, olhando carros ou simplesmente pedindo esmola. "O frio dava desespero. Era 18h, aquela chuva fina, e a única preocupação era onde eu ia dormir." Passava a noite no albergue, mas quando não conseguia vaga, o jeito era ficar na rua.

Depois de cinco anos de fundo de poço, como define, Bittencourt foi parar na Casa da Acolhida do Parque Miami. Dessa vez, veio para ficar. "A vontade de parar de beber bateu. Com ela e Deus no coração, consegui me livrar do vício." Está ‘limpo' há dez anos.

Ali, o homem voltou a se sentir útil. Vindo de família de marceneiros, herdou do avô e do pai o dom de mexer com a madeira. Fez cursos e hoje ajuda aqueles que também querem deixar a rua. "A gente fica triste quando vê as recaídas. Mas tento passar a minha experiência. Quem sabe não é a vez deles mudarem de vida?"

O MAIS NOVO
A vez de Edimir da Silva chegou após muito sofrimento. Ele vem de uma família de dez irmãos. Dois morreram, um deles por dívida de drogas. Um tio morreu de cirrose. "Dizem que a gente herda o vício."

Silva começou a beber ainda adolescente. Aos 15 anos, voltava da escola e atacava a garrafa de pinga do pai, que ficava embaixo da pia. Completava o volume com água, até que passou a beber demais e o pai percebeu. Levou surra.

Quando os pais se separaram, não havia mais ninguém para controlar o jovem. Ele arrumou emprego num supermercado, mas gastava mais da metade do salário com bebida. Cansada, a mãe foi morar numa casa de família, onde trabalhava como empregada doméstica. Silva foi viver com a irmã. "Só dava trabalho. Chegava tarde, não tinha respeito."

Fez curso de cozinheiro e um dos irmãos o ajudou a conseguir emprego em São Bernardo. O jovem nascido em Mogi das Cruzes e criado em Poá, na Grande São Paulo, já vivia na cidade, mas ficou pouco no emprego. De novo, o álcool foi a causa. "Minha irmã me mandou embora. Com a rescisão, fui para uma pensão."

O dinheiro acabou. Silva não parava em nenhum serviço e acabou nas ruas. Entre idas e vindas, passou cerca de 15 anos nessa situação. Dormia na Casa de Integração Social do Riacho Grande quando não tinha nenhum trocado. Quando tinha, gastava com a bebida. "Sempre tive vontade de deixar o vício, mas tive muitas recaídas."

Hoje Silva trabalha num salão de cabeleireiro, onde faz serviços gerais de manutenção e tem um quartinho para dormir. Tem uma filha de dez meses com uma antiga paixão de infância. Está tentando reconstruir a vida, embora a companheira tenha medo. "Ela não quer me ver beber. Luto todos os dias para evitar o primeiro gole."

O JARDINEIRO
É isso que faz Francisco Canindé Bezerra, funcionário público da Prefeitura de São Bernardo. Sua tarefa sempre foi manter os parques e praças bem cuidados e floridos. Isso quando a bebida deixava. "Meu nome saiu 32 vezes publicado no jornal por abandono de emprego."

Bezerra passou por três internações ao longo de 28 anos para tentar se livrar do vício, que se agravou com o fim do casamento. "Perdi minha família e meu barraco para o álcool. Cheguei até a pescar na represa Billings para poder comer, porque o salário ia todo para a cachaça."

Como funcionário público, recebeu ajuda dos programas de assistência social da Prefeitura, o que evitou que fosse para as ruas. Manteve o emprego a muito custo e hoje mora de aluguel. Há dez anos está sem beber. "Se coloco uma gota de álcool na boca, volta tudo. Prefiro não arriscar, não quero voltar para essa vida."

A PEQUENA MULHER
Nem Nelita das Dores Ramos. Ela é pequena e magra, e o rosto tem rugas demais para a idade: 58 anos, pelo menos 18 deles mergulhados no alcoolismo. Começou quando ela perdeu o emprego, aos 40 anos. "Achavam que eu era velha e não consegui outro."

Nelita concluiu apenas a quarta série do Ensino Fundamental. Sem estudo e sem opção, foi morar com as irmãs, mas elas não aceitavam o vício. Passou a viver com amigas e trabalhar com reciclagem. Mas nunca se sentiu à vontade na casa dos outros. "Achei que na rua ia ser melhor, teria mais liberdade." Não foi.

A frágil mulher sofria com a falta de lugar para tomar banho, fazer as necessidades e conseguir comida. Além disso, percebeu que estava perdendo a visão. "Tive úlcera na córnea e catarata."

O serviço de abordagem de rua de São Bernardo tentou tirá-la dessa situação inúmeras vezes. Não aceitava acolhimento porque, no albergue, não podia beber. E a infecção só piorava. Até que, praticamente cega, pediu ajuda em uma Unidade Básica de Saúde.

Hoje, com a visão parcialmente recuperada, vive no albergue e recebe tratamento para o alcoolismo. Faz curso de pintura e quer transformar isso em renda. Seu sonho? "Ter uma casa. Quero continuar livre, mas fora das ruas."

Em 15 anos, 50 pessoas ganham vida nova em S.Bernardo

São Bernardo é a única cidade que arrisca número quando o assunto são ex-moradores de rua. Em 15 anos, 50 pessoas deixaram essa situação.

O local de referência é o Centro POP, onde se pode recuperar documentos, fazer tratamento de Saúde, cursos e receber oportunidades de trabalho. A cidade conta com casa de integração para 26 homens e albergue com 150 vagas. No inverno, 50 vagas emergenciais serão abertas.

São Caetano investe na retomada dos vínculos familiares. Só neste ano, dez pessoas retornaram para suas cidades.

Na Casa Amarela de Santo André são feitos 100 atendimentos por dia. Além disso, há albergue noturno, com 69 vagas masculinas e 11 femininas; Casa Moradia para homens, com 80 vagas; e Casa Moradia com 15 vagas femininas e cinco masculinas.

Em Diadema, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social ampliou a demanda de 200 atendimentos no início do ano para 340, em abril. Os interessados são encaminhados ao Centro Público de Emprego ou aos cursos da Fundação Florestan Fernandes. Há 40 vagas no albergue e projetos de incentivo à emancipação.

Em Ribeirão Pires, a Casa da Acolhida recebe até 45 pessoas, que participam de atividades culturais, esportivas e recebem acompanhamento. A cidade também providência o recâmbio de moradores em situação de rua para suas cidades de origem. As demais prefeituras não responderam.


Para especialista, falta integração de políticas públicas

Os moradores de rua têm dificuldades para mudar de vida porque faltam políticas públicas integradas entre os diversos setores municipais. Essa é a opinião do coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Lopes Miranda. "O serviço social faz bem o seu trabalho, mas falta atuar junto às demais secretarias, como Educação, Habitação, Saúde, Trabalho."

Segundo Miranda, a pessoa vai para a rua por um conjunto de fatores que não deve ser tratado de forma isolada. "O álcool não é causa, mas consequência de problemas familiares e falta de oportunidades." O coordenador destaca ainda que a bebida é hoje a droga mais barata que existe, e o acesso é facilitado por ser legalizada. "Com R$ 3 é possível se embebedar. É mais barato comprar cachaça do que comida."

Para o especialista, não basta que haja força de vontade para deixar o vício e a situação de rua. É preciso que a pessoa receba ajuda para fazê-lo. "O albergue é necessário, mas é uma situação que deve ser transitória. O ideal é que a pessoa siga o seguinte caminho: seja acolhido pelo equipamento social, no caso o albergue, depois passe para a moradia provisória e receba estímulo à geração de renda para que possa andar com as próprias pernas."

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