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Crise dos 100 anos do Teatro Municipal de SP


Do Diário do Grande ABC
Com AE

16/06/2010 | 07:10


O Teatro Municipal de São Paulo completa 100 anos em março - e, nos bastidores, boatos dão conta de uma festa de arromba sendo aprontada. A dúvida é se o salão estará em ordem a tempo. Músicos da Sinfônica Municipal, após assembleia, acabam de pedir a saída do maestro Rodrigo de Carvalho do posto de regente titular; em resposta, concertos até agosto foram cancelados, resgatando o fantasma dos contratos precários de trabalho dos artistas. E não é só isso: representantes dos demais corpos estáveis da casa questionam a ausência de um diretor artístico no projeto que prevê a transformação do Municipal em uma fundação; e as últimas estimativas sobre a obra pela qual passa o Teatro preveem que o teatro somente será reaberto em julho de 2011.

Carvalho ocupava o posto de regente-assistente da Sinfônica Municipal, trabalhando ao lado do então titular José Maria Florêncio, que deixou o cargo no fim de 2008. Passou, então, por meio de uma portaria de designação, a desempenhar as funções de regente titular. Na carta enviada ao prefeito Gilberto Kassab, ao secretário Carlos Augusto Calil, a Carvalho e à diretora do Municipal, Beatriz Amaral, o grupo de spallas da Sinfônica escreve que os músicos aceitaram a decisão por acreditarem ser uma solução provisória.

"Com a extensão desse prazo acumularam-se as evidências da limitada competência artística do maestro Rodrigo de Carvalho. (...) Além disso, as interferências unilaterais do maestro na hierarquia artística interna da orquestra juntamente à restrição do diálogo com os representantes artísticos da orquestra causaram uma deterioração contínua do clima de trabalho, chegando a um ponto de insustentabilidade." Por conta disso, fizeram uma eleição interna, com voto secreto. Das 112 vagas, três não estão preenchidas e, descontadas ainda as cinco abstenções, foram 104 os votantes. Deste total, 94 votaram pela não permanência de Carvalho; quatro o referendaram como regente titular; dez votaram nulo e dois, em branco. Dos 94 que querem a saída do maestro, 78 dão como justificativa "questões artísticas e desempenho gerencial". Os músicos fizeram ainda uma votação para chegar a uma lista tríplice de maestros candidatos ao posto; são eles: Luiz Fernando Malheiro, Alex Klein e Carlos Moreno, atual titular da Orquestra Sinfônica de Santo André. "Fiquei muito honrado de ser escolhido nessa lista. Estou na Sinfônica de Santo André e tenho todo apoio da Prefeitura. É isso que o Municipal precisa agora: resolver problemas administrativos para seguir crescendo", argumenta Moreno.

Procurado, Carvalho preferiu responder as perguntas por e-mail. Apesar dos números da votação, diz que o pedido pela sua saída representa a "vontade individualista de alguns integrantes"; e levanta a presença de questões artísticas como justificativa.

"O que está sendo questionado por parte da orquestra não é minha competência artística, mas o fato de ter imprimido à Sinfônica Municipal - um grupo de músicos mantido pela municipalidade para estar à disposição 30 dias por mês, com salários pagos pelo cidadão paulistano - padrões mínimos de qualquer gestão pública, como desconto do dia, por faltas a atividades agendadas com antecedência", diz.

Segundo o músico Angelino Bozzini, porém, ninguém questiona a autoridade do maestro, mas, sim, a maneira como ele a tem exercido. "Há regras internas que preveem advertências e suspensões para músicos e a demissão sumária de alguns integrantes vai contra elas, tanto que acabaram revertidas mais tarde", diz.

Após a entrega da carta, os músicos souberam do cancelamento dos concertos da orquestra até agosto - entre eles, a apresentação no Festival de Inverno de Campos do Jordão, com a pianista Cristina Ortiz. Aqui, a história se ramifica em versões. Os músicos dizem não conhecer os motivos do cancelamento; a direção, em contato com o festival, afirmou que, "amotinada", a orquestra não poderia participar, versão corroborada pela Secretaria Municipal de Cultura.

Possível árbitro na questão, o diretor do evento, Paulo Zuben falou: "Sei tanto quanto você, mas não cancelei o concerto, há o compromisso com a solista e ingressos à venda", diz. "Quando ouvi falar do motim, conversei com músicos e eles, em uma carta enviada na sexta (11), garantiram que vão se apresentar. Segunda-feira tentei falar com a diretora, mas fui informado de que ela havia partido em férias. Achei estranho e, sem interlocutor, apelei ao secretário estadual de Cultura, pedindo a ele que procurasse seu colega de município em busca de mais informações."



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Crise dos 100 anos do Teatro Municipal de SP

Do Diário do Grande ABC
Com AE

16/06/2010 | 07:10


O Teatro Municipal de São Paulo completa 100 anos em março - e, nos bastidores, boatos dão conta de uma festa de arromba sendo aprontada. A dúvida é se o salão estará em ordem a tempo. Músicos da Sinfônica Municipal, após assembleia, acabam de pedir a saída do maestro Rodrigo de Carvalho do posto de regente titular; em resposta, concertos até agosto foram cancelados, resgatando o fantasma dos contratos precários de trabalho dos artistas. E não é só isso: representantes dos demais corpos estáveis da casa questionam a ausência de um diretor artístico no projeto que prevê a transformação do Municipal em uma fundação; e as últimas estimativas sobre a obra pela qual passa o Teatro preveem que o teatro somente será reaberto em julho de 2011.

Carvalho ocupava o posto de regente-assistente da Sinfônica Municipal, trabalhando ao lado do então titular José Maria Florêncio, que deixou o cargo no fim de 2008. Passou, então, por meio de uma portaria de designação, a desempenhar as funções de regente titular. Na carta enviada ao prefeito Gilberto Kassab, ao secretário Carlos Augusto Calil, a Carvalho e à diretora do Municipal, Beatriz Amaral, o grupo de spallas da Sinfônica escreve que os músicos aceitaram a decisão por acreditarem ser uma solução provisória.

"Com a extensão desse prazo acumularam-se as evidências da limitada competência artística do maestro Rodrigo de Carvalho. (...) Além disso, as interferências unilaterais do maestro na hierarquia artística interna da orquestra juntamente à restrição do diálogo com os representantes artísticos da orquestra causaram uma deterioração contínua do clima de trabalho, chegando a um ponto de insustentabilidade." Por conta disso, fizeram uma eleição interna, com voto secreto. Das 112 vagas, três não estão preenchidas e, descontadas ainda as cinco abstenções, foram 104 os votantes. Deste total, 94 votaram pela não permanência de Carvalho; quatro o referendaram como regente titular; dez votaram nulo e dois, em branco. Dos 94 que querem a saída do maestro, 78 dão como justificativa "questões artísticas e desempenho gerencial". Os músicos fizeram ainda uma votação para chegar a uma lista tríplice de maestros candidatos ao posto; são eles: Luiz Fernando Malheiro, Alex Klein e Carlos Moreno, atual titular da Orquestra Sinfônica de Santo André. "Fiquei muito honrado de ser escolhido nessa lista. Estou na Sinfônica de Santo André e tenho todo apoio da Prefeitura. É isso que o Municipal precisa agora: resolver problemas administrativos para seguir crescendo", argumenta Moreno.

Procurado, Carvalho preferiu responder as perguntas por e-mail. Apesar dos números da votação, diz que o pedido pela sua saída representa a "vontade individualista de alguns integrantes"; e levanta a presença de questões artísticas como justificativa.

"O que está sendo questionado por parte da orquestra não é minha competência artística, mas o fato de ter imprimido à Sinfônica Municipal - um grupo de músicos mantido pela municipalidade para estar à disposição 30 dias por mês, com salários pagos pelo cidadão paulistano - padrões mínimos de qualquer gestão pública, como desconto do dia, por faltas a atividades agendadas com antecedência", diz.

Segundo o músico Angelino Bozzini, porém, ninguém questiona a autoridade do maestro, mas, sim, a maneira como ele a tem exercido. "Há regras internas que preveem advertências e suspensões para músicos e a demissão sumária de alguns integrantes vai contra elas, tanto que acabaram revertidas mais tarde", diz.

Após a entrega da carta, os músicos souberam do cancelamento dos concertos da orquestra até agosto - entre eles, a apresentação no Festival de Inverno de Campos do Jordão, com a pianista Cristina Ortiz. Aqui, a história se ramifica em versões. Os músicos dizem não conhecer os motivos do cancelamento; a direção, em contato com o festival, afirmou que, "amotinada", a orquestra não poderia participar, versão corroborada pela Secretaria Municipal de Cultura.

Possível árbitro na questão, o diretor do evento, Paulo Zuben falou: "Sei tanto quanto você, mas não cancelei o concerto, há o compromisso com a solista e ingressos à venda", diz. "Quando ouvi falar do motim, conversei com músicos e eles, em uma carta enviada na sexta (11), garantiram que vão se apresentar. Segunda-feira tentei falar com a diretora, mas fui informado de que ela havia partido em férias. Achei estranho e, sem interlocutor, apelei ao secretário estadual de Cultura, pedindo a ele que procurasse seu colega de município em busca de mais informações."

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