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Gerente da PqU vence duplo preconceito do mercado


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

14/12/2003 | 20:37


Com a dupla discriminação do mercado de trabalho, por ser mulher e negra, a gerente de responsabilidade social da Petroquímica União, Isabel Cristina Galvão da Silva, venceu barreiras desde a faculdade, também por ter se formado em uma área dominada por homens, o curso de engenharia. Com a satisfação pelo reconhecimento profissional, mas também com a responsabilidade dobrada, por se ver como uma referência, Isabel espera que a situação do mercado melhore nos próximos anos. Estudo do instituto Ethos mostrou recentemente que as mulheres negras são 1% das pessoas em nível de gerência nas grandes empresas, e as diretoras negras são apenas 0,1%.

DIÁRIO – A pesquisa do instituto Ethos mostrou praticamente ausência de diretoras e gerentes negras nas grandes empresas brasileiras. Gostaria de saber se a sra. se sente uma vencedora e como vê hoje a discriminação no mercado de trabalho?
ISABEL CRISTINA GALVÃO DA SILVA – Minha vida profissional, que já é de longa data, é composta por algumas atividades em que não há tantas mulheres. Minha formação básica é de engenharia, e não há um grande número de mulheres nessa área. Na época de fazer estágios, eu era uma das primeiras estagiárias na área técnica na PqU (Petroquímica União). Hoje, minha posição é um reconhecimento profissional muito bom, por estar nesse cargo numa área que é relativamente nova na empresa e também pela representatividade. A partir do momento em que a gente se observa que está numa posição bem pequena (das mulheres negras em postos de comando), em que você acaba se vendo nesse percentual, você vê que há muita coisa a ser feita. A mulher negra é vista como um arquétipo, acaba sendo encarada para algumas atividades. A partir do momento em que você tem um bom posicionamento dentro da atividade, você tem uma responsabilidade muito maior, porque você leva a sua raça, a sua condição feminina. A visibilidade é bem maior. Você acaba sendo uma referência, um respaldo para os novos, ainda mais quando eu faço esse trabalho com a comunidade, nas atividades internas escolares, de virem conversar comigo. Acabo sendo uma referência. O que ao mesmo tempo é positivo, mas poderia ser uma coisa normal. As pessoas te olham ainda como uma novidade, uma surpresa.

DIÁRIO – Na sua trajetória, de formação e na atividade profissional, a sra. sentiu de perto a discriminação?
ISABEL CRISTINA – Eu tive uma educação em que nada era reprimido ou oprimido, em uma situação em que diziam: ‘se você tem capacidade de ir em frente, então vá’. Foi a tônica dos meus pais e da minha família. Estudei em escola pública, mas sempre tive condições de ir, fazer, estudar, ir atrás. Na faculdade, você observa quantos negros tem. E eu via que era a única da classe. Em relação a ações e atitudes, você acaba tendo da própria sociedade algumas manifestações (discriminatórias), mas não em termos profissionais nem de educação. A princípio, antes de observar algo, por ser negro, ainda mais na minha profissão, vem a questão de ser mulher. Eu brincava com o pessoal e falava: ‘gente, vocês falam tanto de a mulher ter uma posição, eu tenho que tomar uma posição dupla’. É muito mais posicionamento que eu tenho de ter. Essa observação do instituto Ethos está no primeiro ano. Já teve em 2001, mas que colocassem mulheres negras, não me recordo. Você vê que é um assunto para se estabelecer uma série. Quem sabe daqui a 20 anos, entra numa composição mais normal.

DIÁRIO – A sra. acha que a situação tem mudado nos últimos anos, em função da preocupação com a responsabilidade social e a imagem corporativa?
ISABEL CRISTINA – Sim, você vê que hoje a responsabilidade social não é um modismo. Você assinar um compromisso pela defesa do meio ambiente, se preocupar com a gestão interna, segurança, com um trabalho com a comunidade, com a qualidade de seus produtos, para você ter um produto bom que tenha competitividade, não só sua, mas de seus clientes e fornecedores. É uma visão que veio para ficar, não temos outra alternativa. Você verifica a necessidade de manter a procura por reduzir o desequilíbrio das classes sociais e da escolaridade. As empresas contribuem cada vez mais, não tirando a responsabilidade do governo, dos órgãos da educação e sociais.

DIÁRIO – Como é a preocupação da PqU em relação a esse tema?
ISABEL CRISTINA – Temos o compromisso das certificações, de meio ambiente, com a ISO 14001; de qualidade, com a 9001; a de saúde e de segurança, com a 18000; e a de responsabilidade, com a SA 8000. Todas as empresas estão buscando a liderança em todos os setores e a preocupação da PqU também é na área de responsabilidade social, nosso compromisso com os nossos públicos, com a comunidade, o público interno, clientes, fornecedores. Essa visão de excelência que estamos buscando nas nossas ações conduz a termos essa preocupação.



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Gerente da PqU vence duplo preconceito do mercado

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

14/12/2003 | 20:37


Com a dupla discriminação do mercado de trabalho, por ser mulher e negra, a gerente de responsabilidade social da Petroquímica União, Isabel Cristina Galvão da Silva, venceu barreiras desde a faculdade, também por ter se formado em uma área dominada por homens, o curso de engenharia. Com a satisfação pelo reconhecimento profissional, mas também com a responsabilidade dobrada, por se ver como uma referência, Isabel espera que a situação do mercado melhore nos próximos anos. Estudo do instituto Ethos mostrou recentemente que as mulheres negras são 1% das pessoas em nível de gerência nas grandes empresas, e as diretoras negras são apenas 0,1%.

DIÁRIO – A pesquisa do instituto Ethos mostrou praticamente ausência de diretoras e gerentes negras nas grandes empresas brasileiras. Gostaria de saber se a sra. se sente uma vencedora e como vê hoje a discriminação no mercado de trabalho?
ISABEL CRISTINA GALVÃO DA SILVA – Minha vida profissional, que já é de longa data, é composta por algumas atividades em que não há tantas mulheres. Minha formação básica é de engenharia, e não há um grande número de mulheres nessa área. Na época de fazer estágios, eu era uma das primeiras estagiárias na área técnica na PqU (Petroquímica União). Hoje, minha posição é um reconhecimento profissional muito bom, por estar nesse cargo numa área que é relativamente nova na empresa e também pela representatividade. A partir do momento em que a gente se observa que está numa posição bem pequena (das mulheres negras em postos de comando), em que você acaba se vendo nesse percentual, você vê que há muita coisa a ser feita. A mulher negra é vista como um arquétipo, acaba sendo encarada para algumas atividades. A partir do momento em que você tem um bom posicionamento dentro da atividade, você tem uma responsabilidade muito maior, porque você leva a sua raça, a sua condição feminina. A visibilidade é bem maior. Você acaba sendo uma referência, um respaldo para os novos, ainda mais quando eu faço esse trabalho com a comunidade, nas atividades internas escolares, de virem conversar comigo. Acabo sendo uma referência. O que ao mesmo tempo é positivo, mas poderia ser uma coisa normal. As pessoas te olham ainda como uma novidade, uma surpresa.

DIÁRIO – Na sua trajetória, de formação e na atividade profissional, a sra. sentiu de perto a discriminação?
ISABEL CRISTINA – Eu tive uma educação em que nada era reprimido ou oprimido, em uma situação em que diziam: ‘se você tem capacidade de ir em frente, então vá’. Foi a tônica dos meus pais e da minha família. Estudei em escola pública, mas sempre tive condições de ir, fazer, estudar, ir atrás. Na faculdade, você observa quantos negros tem. E eu via que era a única da classe. Em relação a ações e atitudes, você acaba tendo da própria sociedade algumas manifestações (discriminatórias), mas não em termos profissionais nem de educação. A princípio, antes de observar algo, por ser negro, ainda mais na minha profissão, vem a questão de ser mulher. Eu brincava com o pessoal e falava: ‘gente, vocês falam tanto de a mulher ter uma posição, eu tenho que tomar uma posição dupla’. É muito mais posicionamento que eu tenho de ter. Essa observação do instituto Ethos está no primeiro ano. Já teve em 2001, mas que colocassem mulheres negras, não me recordo. Você vê que é um assunto para se estabelecer uma série. Quem sabe daqui a 20 anos, entra numa composição mais normal.

DIÁRIO – A sra. acha que a situação tem mudado nos últimos anos, em função da preocupação com a responsabilidade social e a imagem corporativa?
ISABEL CRISTINA – Sim, você vê que hoje a responsabilidade social não é um modismo. Você assinar um compromisso pela defesa do meio ambiente, se preocupar com a gestão interna, segurança, com um trabalho com a comunidade, com a qualidade de seus produtos, para você ter um produto bom que tenha competitividade, não só sua, mas de seus clientes e fornecedores. É uma visão que veio para ficar, não temos outra alternativa. Você verifica a necessidade de manter a procura por reduzir o desequilíbrio das classes sociais e da escolaridade. As empresas contribuem cada vez mais, não tirando a responsabilidade do governo, dos órgãos da educação e sociais.

DIÁRIO – Como é a preocupação da PqU em relação a esse tema?
ISABEL CRISTINA – Temos o compromisso das certificações, de meio ambiente, com a ISO 14001; de qualidade, com a 9001; a de saúde e de segurança, com a 18000; e a de responsabilidade, com a SA 8000. Todas as empresas estão buscando a liderança em todos os setores e a preocupação da PqU também é na área de responsabilidade social, nosso compromisso com os nossos públicos, com a comunidade, o público interno, clientes, fornecedores. Essa visão de excelência que estamos buscando nas nossas ações conduz a termos essa preocupação.

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