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Motins atingem detenções do ABC


Artur Rodrigues
Verônica Fraidenrach
e William Glauber
Do Diário do Grande ABC

15/05/2006 | 09:18


Mesmo com o sistema penitenciário em alerta, as visitas não foram suspensas nos CDPs (Centros de Detenção Provisória) no Dia das Mães. O horário marcado para o encontro com familiares foi utilizado pelos presos para armar rebeliões nos quatro CDPs da região. As unidades de Santo André, São Bernardo, Mauá e Diadema se somaram a outras 63 detenções tomadas pelos presos no Estado desde sexta-feira. Domingo à noite, os presos da cadeia de São Caetano colocaram fogo nos colchões. Até o fechamento desta edição, havia informações não-oficiais de que duas pessoas estariam feridas.

A rebelião mais demorada ocorreu em Diadema. Foram mais de 24 horas de motim, 11 reféns (agentes penitenciários) e 176 familiares impossibilitados de sair. O caos só terminou às 18h30, após 90 homens da Tropa de Choque e da Força Tática da Polícia Militar invadirem o CDP para controlar mais de 500 rebelados.

A tensão tomou conta da rua Caramuru às 14h30 quando policiais surgiram em fila e ocuparam o CDP. Para desespero dos familiares, os policiais gritavam forte "Choque, Choque" ao entrarem na detenção. Os presos arremeçaram armas, como facas e barras, pelas janelas. A polícia recorreu às bombas de efeito moral.

Os familiares permaneceram numa única cela e, com o Choque em ação, foram liberados a partir das 15h30. Mulheres e homens com chinelos nos pés e documento nas mãos atravessaram os portões tomados pelo silêncio ou marcados pelas lágrimas. Ninguém saiu ferido. Os reféns – agentes penitenciários – não falaram sobre as últimas horas no cárcere.

A mulher de detento Juliana Viana disse, emocionada, que foi constrangida. "Eles (presos) estão aí porque merecem, pagando um erro. Mas os policiais não podiam humilhar a gente", reclamou. Segundo relatos, mulheres foram obrigadas a levantar as blusas, durante a revista, para policiais homens.

Em relação às queixas, o coronel Renato Aldarvis, comandante da operação, disse que o objetivo "era a retomada da ordem" e que todos foram liberados, sem "nenhum tiro disparado". "Ontem (sábado), liberamos 140 visitantes. Restaram 40. Eles foram irredutíveis, e invadimos. Agora, liberamos os outros parentes e oito reféns", detalhou. Com a saída da PM, familiares e detentos, de dentro das celas, rezaram juntos o Pai-Nosso.

São Bernardo – No CDP de São Bernardo, a rebelião começou às 7h50 de domingo. O motim teve início no momento em que alguns familiares dos presos iam passar pela revista. Dois agentes penitenciários foram feitos reféns. Pelo menos cinco carros da Força Tática da Polícia Militar fizeram reforço da segurança no CDP.

A auxiliar de legista Luci Aparecida de Oliveira Santana, 36 anos, disse que já havia apresentado documento de identidade e iria passar pela revista quando a sirene apitou e os guardas de uma das torres atiraram para cima. Segundo Luci, policiais militares chegaram a xingar os familiares, o que a PM nega. Com início da rebelião, os parentes dos presos que já haviam entrado no CDP tiveram de recuar e aguardar fora da unidade prisional.

Por volta do meio-dia, a direção do CDP solicitou duas representantes dos familiares dos presos para conversar. Para elas, foi informado que a situação estava tranqüila dentro do Centro de Detenção. "Falou também que hoje não tem mais visita e que não pode garantir se vai ter no próximo fim de semana". Até o fechamento desta edição, a rebelião não havia terminado.

Ação relâmpago – Os CDPs de Santo André e Mauá foram tomados ao meio-dia. Os visitantes começavam a entrar nas detenções quando os presos conseguiram dominar um agente penitenciário em cada uma das unidades. A situação foi controlada nas duas detenções no mesmo horário, às 16h.

Em Mauá, duas horas depois do início do motim, os reféns já eram liberados. Um parente conta que os agentes atiraram em direção aos presos. Pouco tempo depois, a situação já estava resolvida. Cerca de 420 visitantes passaram o Dia das Mães dentro do Centro de Detenção de Santo André. Tanto familiares quanto reféns saíram sem ferimentos graves.

O CDP de Santo André está com o dobro de sua capacidade, 1.236 presos em vez dos 512 disponíveis. O CDP de Mauá foi construído para 576 presos e conta com 461 hoje. NO CDP de Diadema há 511 presos para as 576 vagas existentes. A população carcerária do CDP de São Bernardo, hoje, é de 1.520 presos, apesar de ter capacidade para apenas 768 homens.



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Artur Rodrigues
Verônica Fraidenrach
e William Glauber
Do Diário do Grande ABC

15/05/2006 | 09:18


Mesmo com o sistema penitenciário em alerta, as visitas não foram suspensas nos CDPs (Centros de Detenção Provisória) no Dia das Mães. O horário marcado para o encontro com familiares foi utilizado pelos presos para armar rebeliões nos quatro CDPs da região. As unidades de Santo André, São Bernardo, Mauá e Diadema se somaram a outras 63 detenções tomadas pelos presos no Estado desde sexta-feira. Domingo à noite, os presos da cadeia de São Caetano colocaram fogo nos colchões. Até o fechamento desta edição, havia informações não-oficiais de que duas pessoas estariam feridas.

A rebelião mais demorada ocorreu em Diadema. Foram mais de 24 horas de motim, 11 reféns (agentes penitenciários) e 176 familiares impossibilitados de sair. O caos só terminou às 18h30, após 90 homens da Tropa de Choque e da Força Tática da Polícia Militar invadirem o CDP para controlar mais de 500 rebelados.

A tensão tomou conta da rua Caramuru às 14h30 quando policiais surgiram em fila e ocuparam o CDP. Para desespero dos familiares, os policiais gritavam forte "Choque, Choque" ao entrarem na detenção. Os presos arremeçaram armas, como facas e barras, pelas janelas. A polícia recorreu às bombas de efeito moral.

Os familiares permaneceram numa única cela e, com o Choque em ação, foram liberados a partir das 15h30. Mulheres e homens com chinelos nos pés e documento nas mãos atravessaram os portões tomados pelo silêncio ou marcados pelas lágrimas. Ninguém saiu ferido. Os reféns – agentes penitenciários – não falaram sobre as últimas horas no cárcere.

A mulher de detento Juliana Viana disse, emocionada, que foi constrangida. "Eles (presos) estão aí porque merecem, pagando um erro. Mas os policiais não podiam humilhar a gente", reclamou. Segundo relatos, mulheres foram obrigadas a levantar as blusas, durante a revista, para policiais homens.

Em relação às queixas, o coronel Renato Aldarvis, comandante da operação, disse que o objetivo "era a retomada da ordem" e que todos foram liberados, sem "nenhum tiro disparado". "Ontem (sábado), liberamos 140 visitantes. Restaram 40. Eles foram irredutíveis, e invadimos. Agora, liberamos os outros parentes e oito reféns", detalhou. Com a saída da PM, familiares e detentos, de dentro das celas, rezaram juntos o Pai-Nosso.

São Bernardo – No CDP de São Bernardo, a rebelião começou às 7h50 de domingo. O motim teve início no momento em que alguns familiares dos presos iam passar pela revista. Dois agentes penitenciários foram feitos reféns. Pelo menos cinco carros da Força Tática da Polícia Militar fizeram reforço da segurança no CDP.

A auxiliar de legista Luci Aparecida de Oliveira Santana, 36 anos, disse que já havia apresentado documento de identidade e iria passar pela revista quando a sirene apitou e os guardas de uma das torres atiraram para cima. Segundo Luci, policiais militares chegaram a xingar os familiares, o que a PM nega. Com início da rebelião, os parentes dos presos que já haviam entrado no CDP tiveram de recuar e aguardar fora da unidade prisional.

Por volta do meio-dia, a direção do CDP solicitou duas representantes dos familiares dos presos para conversar. Para elas, foi informado que a situação estava tranqüila dentro do Centro de Detenção. "Falou também que hoje não tem mais visita e que não pode garantir se vai ter no próximo fim de semana". Até o fechamento desta edição, a rebelião não havia terminado.

Ação relâmpago – Os CDPs de Santo André e Mauá foram tomados ao meio-dia. Os visitantes começavam a entrar nas detenções quando os presos conseguiram dominar um agente penitenciário em cada uma das unidades. A situação foi controlada nas duas detenções no mesmo horário, às 16h.

Em Mauá, duas horas depois do início do motim, os reféns já eram liberados. Um parente conta que os agentes atiraram em direção aos presos. Pouco tempo depois, a situação já estava resolvida. Cerca de 420 visitantes passaram o Dia das Mães dentro do Centro de Detenção de Santo André. Tanto familiares quanto reféns saíram sem ferimentos graves.

O CDP de Santo André está com o dobro de sua capacidade, 1.236 presos em vez dos 512 disponíveis. O CDP de Mauá foi construído para 576 presos e conta com 461 hoje. NO CDP de Diadema há 511 presos para as 576 vagas existentes. A população carcerária do CDP de São Bernardo, hoje, é de 1.520 presos, apesar de ter capacidade para apenas 768 homens.

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