Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 3 de Abril

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

'A TV deixou todo mundo igualzinho'

CZN Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gabriela Germano
Da TV Press

26/11/2008 | 07:00


Para Fabrício Boliveira, é difícil fazer uma simples caminhada no Jardim Botânico do Rio. Além das pessoas que o abordam para tirar fotos, de um lado ele ouve de um menino: "Didu, você estava chapado na novela". Enquanto outro garoto grita: "Didu, dá a mala de dinheiro para mim". São manifestações que mostram o sucesso de seu personagem na novela das nove da Globo, A Favorita. "Sou tranqüilo, aberto, então as pessoas sempre se aproximam de mim", conta o ator, com um sorrido no rosto. Como filho de um deputado corrupto que procura encontrar o melhor caminho para tocar a vida e se livrar do alcoolismo, Fabrício faz o trabalho mais popular de sua carreira. Este baiano de 26 anos iniciou sua carreira no teatro, em Salvador. E no cinema, fez o longa A Máquina, de João Falcão. O ator não esconde a satisfação com o reconhecimento do público, mas garante não se deslumbrar. "Meu contrato é por obra e com o fim da novela fico sem emprego fixo. Mas quero fazer cinema, teatro. São tantos desejos que nem penso na instabilidade da profissão."

Você fez um escravo em Sinhá Moça e depois o Saci no Sítio do Picapau Amarelo. Em A Favorita, seu personagem pertence a uma família rica, situação incomum para os atores negros na teledramaturgia. Como você avalia essa mudança?

FABRÍCIO BOLIVEIRA - É um retrato raro na teledramaturgia, mas que existe na realidade. E esse é um dos méritos do autor João Emanuel Carneiro. Ter colocado uma família negra e rica de maneira natural na novela. Eu não ando questionando todos os dias a minha questão racial. E as pessoas que se relacionam comigo também não me vêem só pela minha cor. Esse é só um detalhe. É importante que a TV mostre negros de todos os tipos. Ricos, pobres e com ou sem caráter.

No início da trama, o Didu era um inconseqüente. Mas no decorrer dos capítulos, o personagem está tentando ser mais centrado. Como o público responde às suas transformações?

BOLIVEIRA - Nas ruas, as pessoas sempre gostaram do Didu. Quando ele foi candidato a prefeito na novela, tinha gente que dizia que ele deveria ser eleito. Mesmo com o problema do alcoolismo, todo mundo sempre viu o personagem como um cara legal. Encaravam o álcool como uma válvula de escape. Muita gente fala que os vilões são os personagens mais amados e questiona a sociedade em que a gente vive. Eu não vejo assim. O Didu é um personagem que está sempre avaliando seus atos e se reconstruindo. Não é o bonzinho chato. Ele tem vários defeitos, mas as pessoas gostam muito. É assustador o fascínio que um trabalho na TV exerce no público.

Assustador por quê?

BOLIVEIRA - Porque as pessoas têm a necessidade de ter alguém para se espelhar, um herói, alguém como impositor de opinião e costumes para copiar. A cópia é até válida, mas não centralizada naquilo que uma única pessoa lhe impõe. A profissão do ator é para questionar as pessoas e não impor nada a elas. Sou sujeito a falhas, erros e me dá medo essa coisa das pessoas se espelharem no ator como exemplo. A TV no Brasil virou referência de costumes, de hábitos. Deixou todo mundo igualzinho.

É uma crítica bem direta a um veículo de comunicação em que você atua...

BOLIVEIRA - Acho que a teledramaturgia tem de se voltar mais para o popular porque o Brasil tem muitos cantos. O diretor Luiz Fernando Carvalho faz um pouco disso, vai buscar talentos em outros lugares. Mas ainda é pouco. Está tudo muito centrado nos grandes centros urbanos. A gente não vê o Norte do Brasil na TV, por exemplo. Visitei Belém do Pará e as pessoas me perguntavam como é que está o País. Isso porque elas não se sentem inseridas. Não se vêem representadas. Para sair da mesmice e dos mesmos formatos, seria legal expandir a produção de teledramaturgia para outros cantos do Brasil.

E como você, um ator baiano com formação teatral, entrou no universo da TV?

BOLIVEIRA - Eu fazia campanhas publicitárias em Salvador e já estava juntando minhas coisas para tentar alguma coisa no Rio quando pintou o teste para Sinhá Moça. Eu já tinha participado de um episódio de Cidade dos Homens no mesmo ano. De lá para cá foi rolando um trabalho atrás do outro e fui ficando. Quando terminar a novela estou sem um emprego fixo. Mas tenho vontade de fazer tantos projetos que isso não me angustia. Faz parte do meu trabalho ter de correr atrás do que quero.

 

 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

'A TV deixou todo mundo igualzinho'

Gabriela Germano
Da TV Press

26/11/2008 | 07:00


Para Fabrício Boliveira, é difícil fazer uma simples caminhada no Jardim Botânico do Rio. Além das pessoas que o abordam para tirar fotos, de um lado ele ouve de um menino: "Didu, você estava chapado na novela". Enquanto outro garoto grita: "Didu, dá a mala de dinheiro para mim". São manifestações que mostram o sucesso de seu personagem na novela das nove da Globo, A Favorita. "Sou tranqüilo, aberto, então as pessoas sempre se aproximam de mim", conta o ator, com um sorrido no rosto. Como filho de um deputado corrupto que procura encontrar o melhor caminho para tocar a vida e se livrar do alcoolismo, Fabrício faz o trabalho mais popular de sua carreira. Este baiano de 26 anos iniciou sua carreira no teatro, em Salvador. E no cinema, fez o longa A Máquina, de João Falcão. O ator não esconde a satisfação com o reconhecimento do público, mas garante não se deslumbrar. "Meu contrato é por obra e com o fim da novela fico sem emprego fixo. Mas quero fazer cinema, teatro. São tantos desejos que nem penso na instabilidade da profissão."

Você fez um escravo em Sinhá Moça e depois o Saci no Sítio do Picapau Amarelo. Em A Favorita, seu personagem pertence a uma família rica, situação incomum para os atores negros na teledramaturgia. Como você avalia essa mudança?

FABRÍCIO BOLIVEIRA - É um retrato raro na teledramaturgia, mas que existe na realidade. E esse é um dos méritos do autor João Emanuel Carneiro. Ter colocado uma família negra e rica de maneira natural na novela. Eu não ando questionando todos os dias a minha questão racial. E as pessoas que se relacionam comigo também não me vêem só pela minha cor. Esse é só um detalhe. É importante que a TV mostre negros de todos os tipos. Ricos, pobres e com ou sem caráter.

No início da trama, o Didu era um inconseqüente. Mas no decorrer dos capítulos, o personagem está tentando ser mais centrado. Como o público responde às suas transformações?

BOLIVEIRA - Nas ruas, as pessoas sempre gostaram do Didu. Quando ele foi candidato a prefeito na novela, tinha gente que dizia que ele deveria ser eleito. Mesmo com o problema do alcoolismo, todo mundo sempre viu o personagem como um cara legal. Encaravam o álcool como uma válvula de escape. Muita gente fala que os vilões são os personagens mais amados e questiona a sociedade em que a gente vive. Eu não vejo assim. O Didu é um personagem que está sempre avaliando seus atos e se reconstruindo. Não é o bonzinho chato. Ele tem vários defeitos, mas as pessoas gostam muito. É assustador o fascínio que um trabalho na TV exerce no público.

Assustador por quê?

BOLIVEIRA - Porque as pessoas têm a necessidade de ter alguém para se espelhar, um herói, alguém como impositor de opinião e costumes para copiar. A cópia é até válida, mas não centralizada naquilo que uma única pessoa lhe impõe. A profissão do ator é para questionar as pessoas e não impor nada a elas. Sou sujeito a falhas, erros e me dá medo essa coisa das pessoas se espelharem no ator como exemplo. A TV no Brasil virou referência de costumes, de hábitos. Deixou todo mundo igualzinho.

É uma crítica bem direta a um veículo de comunicação em que você atua...

BOLIVEIRA - Acho que a teledramaturgia tem de se voltar mais para o popular porque o Brasil tem muitos cantos. O diretor Luiz Fernando Carvalho faz um pouco disso, vai buscar talentos em outros lugares. Mas ainda é pouco. Está tudo muito centrado nos grandes centros urbanos. A gente não vê o Norte do Brasil na TV, por exemplo. Visitei Belém do Pará e as pessoas me perguntavam como é que está o País. Isso porque elas não se sentem inseridas. Não se vêem representadas. Para sair da mesmice e dos mesmos formatos, seria legal expandir a produção de teledramaturgia para outros cantos do Brasil.

E como você, um ator baiano com formação teatral, entrou no universo da TV?

BOLIVEIRA - Eu fazia campanhas publicitárias em Salvador e já estava juntando minhas coisas para tentar alguma coisa no Rio quando pintou o teste para Sinhá Moça. Eu já tinha participado de um episódio de Cidade dos Homens no mesmo ano. De lá para cá foi rolando um trabalho atrás do outro e fui ficando. Quando terminar a novela estou sem um emprego fixo. Mas tenho vontade de fazer tantos projetos que isso não me angustia. Faz parte do meu trabalho ter de correr atrás do que quero.

 

 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;