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Siderurgia brasileira quer fatia maior do mercado


Do Diário do Grande ABC

27/05/2000 | 12:54


A siderurgia brasileira, com um custo de produçao entre os mais baixos do mundo, vive um dilema para conseguir crescer. Embora ocupe o oitavo lugar entre os maiores exportadores de produtos siderúrgicos, o Brasil ainda nao conseguiu, mesmo depois de privatizar suas usinas, abocanhar fatias maiores do imenso mercado mundial de aço.

Para crescer, o setor precisa desatar dois nós. Um deles, a reorganizaçao societária entre as empresas, depende da açao dos investidores. O outro, a reduçao dos juros de financiamentos e a reforma tributária, está nas maos dos políticos. Os empresários do setor, entretanto, sabem exatamente o que precisa ser feito.

A soluçao para o primeiro nó virá com a eliminaçao das participaçoes cruzadas entre as siderúrgicas, fundos de pensao e mineradoras - situaçao que hoje começa a inviabilizar planos estratégicos de investimentos de cada empresa. A expectativa é que ele comece a ser desfeito com mudanças no controle da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

O segundo problema, que será resolvido com a equiparaçao do ambiente interno ao padrao de competitividade internacional, depende de apoio explícito do poder público. Para conseguir isso, os empresários decidiram colocar o governo dentro da discussao, levando o debate para dentro do governo.

Apostando nisso, o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) promove na quarta-feira, em Brasília, um encontro de fôlego. Colocará numa mesma mesa os principais empresários e especialistas do setor, representantes do primeiro escalao do governo e do Congresso Nacional. Com a determinaçao de discutir os rumos da siderurgia mundial e os obstáculos que hoje empacam a competitividade da indústria brasileira, o seminário vai mostrar os motivos que levaram o país a estacionar sua produçao anual de aço bruto na casa das 27 milhoes de toneladas, enquanto todo o planeta produz e consome, a cada ano, um volume de 770 milhoes de toneladas do produto.

``Temos um problema de mercado. Com um custo cash dos mais baixos do mundo e nao conseguimos crescer'', reconhece o presidente do IBS, Antônio José Polanczyk.

É certo que há barreiras de toda ordem contra o aço brasileiro nos Estados Unidos, por exemplo, mas nao dá para entender, na opiniao do empresário, como o Brasil nao consegue entrar num país que importa quase 30% (cerca de 40 milhoes de toneladas ao ano) de todo o aço que consome. Para resolver essas questoes, qualquer empresário do setor têm a receita na ponta da língua: queda dos juros dos financiamentos, fim de impostos em cascata e reduçao de custo de transporte.

Para o presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos principais interlocutores do setor siderúrgico com o governo, a votaçao da reforma tributária, por si só, trará um impulso sem precedentes para a produçao com a eliminaçao dos impostos na cadeia produtiva.

``Existe vontade política muito forte neste momento para aprovar o projeto'', destaca. Mas as siderúrgicas querem mais. Pedem que as taxas de juros dos financiamentos para o setor, de capital intensivo, cheguem ao nível dos 6% anuais pagos por suas concorrentes no exterior.

No Brasil, com juros mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), os financiamentos nao saem por menos de 15% ao ano.

Além disso, os produtores de aço esperam mais agilidade nos investimentos em ferrovias e portos brasileiros para conseguir vender mais rápido e mais barato ao exterior. No caso das estradas de ferro, já privatizadas, só cabe ao governo cobrar das concessionárias. Mas precisa ser rápido.

``O mundo nao vai esperar que o Brasil resolva isso'', avalia um especialista do IBS. O caminho para crescer terá que ser mesmo o mercado externo.

``Se virarmos a produçao de aço para o mercado interno, ele nao absorve'', diz o economista Marco Antônio Pepino, do Conselho de Administraçao da Açominas, siderúrgica fabricante de semi-acabados que exporta 70% de sua produçao.

Esse, entretanto, nao é o pensamento da Usiminas que, junto com a Cosipa, é o maior fabricante do país, com capacidade para oito milhoes de toneladas de aço bruto por ano. Nelson Martins Guimaraes, gerente de vendas da empresa para o mercado interno, explica que o aquecimento do mercado interno nos primeiros quatro meses do ano fez a siderúrgica rever suas metas de exportaçao.

A proporçao de 71% das vendas dentro do país e 29% para o exterior, em janeiro, deverá chegar, em dezembro, em 85% e 15%, respectivamente. Mas tanto a Usiminas como suas concorrentes sabem que o movimento é cíclico e que a rota do crescimento está fora do Brasil.

Polanczyk lembra que, no caso dos fabricantes de aços planos (Usiminas, Cosipa e CSN), o crescimento das siderúrgicas é puxado basicamente pelo movimento das montadoras e dos fabricantes de autopeças. Isso leva a uma fidelidade no fornecimento e valorizaçao do mercado interno, onde estao instaladas essas montadoras. Mas, mesmo assim, ele crê que há espaço no mercado externo para o aço brasileiro, que hoje gera um volume US$ 3 bilhoes em divisas anuais para o país.



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Siderurgia brasileira quer fatia maior do mercado

Do Diário do Grande ABC

27/05/2000 | 12:54


A siderurgia brasileira, com um custo de produçao entre os mais baixos do mundo, vive um dilema para conseguir crescer. Embora ocupe o oitavo lugar entre os maiores exportadores de produtos siderúrgicos, o Brasil ainda nao conseguiu, mesmo depois de privatizar suas usinas, abocanhar fatias maiores do imenso mercado mundial de aço.

Para crescer, o setor precisa desatar dois nós. Um deles, a reorganizaçao societária entre as empresas, depende da açao dos investidores. O outro, a reduçao dos juros de financiamentos e a reforma tributária, está nas maos dos políticos. Os empresários do setor, entretanto, sabem exatamente o que precisa ser feito.

A soluçao para o primeiro nó virá com a eliminaçao das participaçoes cruzadas entre as siderúrgicas, fundos de pensao e mineradoras - situaçao que hoje começa a inviabilizar planos estratégicos de investimentos de cada empresa. A expectativa é que ele comece a ser desfeito com mudanças no controle da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

O segundo problema, que será resolvido com a equiparaçao do ambiente interno ao padrao de competitividade internacional, depende de apoio explícito do poder público. Para conseguir isso, os empresários decidiram colocar o governo dentro da discussao, levando o debate para dentro do governo.

Apostando nisso, o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) promove na quarta-feira, em Brasília, um encontro de fôlego. Colocará numa mesma mesa os principais empresários e especialistas do setor, representantes do primeiro escalao do governo e do Congresso Nacional. Com a determinaçao de discutir os rumos da siderurgia mundial e os obstáculos que hoje empacam a competitividade da indústria brasileira, o seminário vai mostrar os motivos que levaram o país a estacionar sua produçao anual de aço bruto na casa das 27 milhoes de toneladas, enquanto todo o planeta produz e consome, a cada ano, um volume de 770 milhoes de toneladas do produto.

``Temos um problema de mercado. Com um custo cash dos mais baixos do mundo e nao conseguimos crescer'', reconhece o presidente do IBS, Antônio José Polanczyk.

É certo que há barreiras de toda ordem contra o aço brasileiro nos Estados Unidos, por exemplo, mas nao dá para entender, na opiniao do empresário, como o Brasil nao consegue entrar num país que importa quase 30% (cerca de 40 milhoes de toneladas ao ano) de todo o aço que consome. Para resolver essas questoes, qualquer empresário do setor têm a receita na ponta da língua: queda dos juros dos financiamentos, fim de impostos em cascata e reduçao de custo de transporte.

Para o presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos principais interlocutores do setor siderúrgico com o governo, a votaçao da reforma tributária, por si só, trará um impulso sem precedentes para a produçao com a eliminaçao dos impostos na cadeia produtiva.

``Existe vontade política muito forte neste momento para aprovar o projeto'', destaca. Mas as siderúrgicas querem mais. Pedem que as taxas de juros dos financiamentos para o setor, de capital intensivo, cheguem ao nível dos 6% anuais pagos por suas concorrentes no exterior.

No Brasil, com juros mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), os financiamentos nao saem por menos de 15% ao ano.

Além disso, os produtores de aço esperam mais agilidade nos investimentos em ferrovias e portos brasileiros para conseguir vender mais rápido e mais barato ao exterior. No caso das estradas de ferro, já privatizadas, só cabe ao governo cobrar das concessionárias. Mas precisa ser rápido.

``O mundo nao vai esperar que o Brasil resolva isso'', avalia um especialista do IBS. O caminho para crescer terá que ser mesmo o mercado externo.

``Se virarmos a produçao de aço para o mercado interno, ele nao absorve'', diz o economista Marco Antônio Pepino, do Conselho de Administraçao da Açominas, siderúrgica fabricante de semi-acabados que exporta 70% de sua produçao.

Esse, entretanto, nao é o pensamento da Usiminas que, junto com a Cosipa, é o maior fabricante do país, com capacidade para oito milhoes de toneladas de aço bruto por ano. Nelson Martins Guimaraes, gerente de vendas da empresa para o mercado interno, explica que o aquecimento do mercado interno nos primeiros quatro meses do ano fez a siderúrgica rever suas metas de exportaçao.

A proporçao de 71% das vendas dentro do país e 29% para o exterior, em janeiro, deverá chegar, em dezembro, em 85% e 15%, respectivamente. Mas tanto a Usiminas como suas concorrentes sabem que o movimento é cíclico e que a rota do crescimento está fora do Brasil.

Polanczyk lembra que, no caso dos fabricantes de aços planos (Usiminas, Cosipa e CSN), o crescimento das siderúrgicas é puxado basicamente pelo movimento das montadoras e dos fabricantes de autopeças. Isso leva a uma fidelidade no fornecimento e valorizaçao do mercado interno, onde estao instaladas essas montadoras. Mas, mesmo assim, ele crê que há espaço no mercado externo para o aço brasileiro, que hoje gera um volume US$ 3 bilhoes em divisas anuais para o país.

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