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Mugabe nao pedirá desocupaçao de fazendas no Zimbábue


Do Diário do Grande ABC

04/05/2000 | 10:49


O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, continua enfrentando de peito aberto a comunidade internacional, se negando a ceder às pressoes pela desocupaçao das propriedades invadidas, o fim da violência e a realizaçao de eleiçoes legislativas livres e limpas. No lançamento de seu programa eleitoral para as legislativas, cuja data ainda nao foi anunciada, o chefe de Estado lançou duras críticas na quarta-feira à antiga potência colonial, chamando os britânicos de ``mentirosos'', ao se referir à ajuda prometida para a reforma agrária do Zimbábue.

Após articular sua campanha eleitoral na redistribuiçao das terras aos negros e na radicalizaçao das críticas a Londres, Mugabe tenta reforçar sua popularidade, seriamente atingida por uma crise econômica sem precedentes no país (50% de desemprego, 60% de inflaçao e pobreza de divisas). A oposiçao também faz da crise econômica seu cavalo de batalha.

Fora do país, a comunidade internacional continua pressionando Harare para que evacue as propriedades dos brancos, ocupadas desde fevereiro, ponha fim à violência (pelo menos 13 mortos) e organize eleiçoes legislativas livres.

Vários presidentes da Africa austral, entre eles Thabo Mbeki (Africa do Sul) e Joaquim Chissano (Moçambique), contactados por Londres, se reuniram recentemente com seu colega zimbabuano para pressioná-lo. Publicamente, anunciaram seu apoio ao presidente Mugabe e pediram a Londres que mantenha seus compromissos financeiros para a reforma agrária do país.

A Uniao Européia (UE), a comunidade britânica e a ONU também intervieram e alguns inclusive cogitaram a possibilidade de aplicar sançoes contra Harare. O Reino Unido anunciou, na quarta-feira, a suspensao da entrega de material militar ao Zimbábue. A Suécia pediu uma açao firme da UE, para acabar com a violência no país.

As sançoes podem acabar sendo um tiro pela culatra. A ministra das Relaçoes Exteriores da Suécia, Anna Lindh, disse que as sançoes podem reforçar a popularidade do presidente zimbabuano. ``Creio que o que Mugabe quer sao as sançoes. Ele quer ficar ilhado'' politicamente, declarou.

Lindh quer dizer, com isso, o que observadores políticos falam de Mugabe: contra as críticas e as pressoes, Mugabe quer aparecer como o campeao dos desfavorecidos, dos milhoes de ``sem-terras'' do país, contra os 4 mil fazendeiros brancos proprietários de 70% das melhores terras.

O chefe de Estado zimbababuano apoia as invasoes de fazendas promovidas por antigos combatentes da guerra da independência. Segundo ele, as invasoes e ocupaçoes sao ``simples manifestaçoes pacíficas''.

Nesta quarta-feira, Mugabe havia afirmado que seu governo nao havia previsto expulsar nenhum branco, mas que os que quiserem voltar para a Gra-Bretanha sao livers para fazê-lo.



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Mugabe nao pedirá desocupaçao de fazendas no Zimbábue

Do Diário do Grande ABC

04/05/2000 | 10:49


O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, continua enfrentando de peito aberto a comunidade internacional, se negando a ceder às pressoes pela desocupaçao das propriedades invadidas, o fim da violência e a realizaçao de eleiçoes legislativas livres e limpas. No lançamento de seu programa eleitoral para as legislativas, cuja data ainda nao foi anunciada, o chefe de Estado lançou duras críticas na quarta-feira à antiga potência colonial, chamando os britânicos de ``mentirosos'', ao se referir à ajuda prometida para a reforma agrária do Zimbábue.

Após articular sua campanha eleitoral na redistribuiçao das terras aos negros e na radicalizaçao das críticas a Londres, Mugabe tenta reforçar sua popularidade, seriamente atingida por uma crise econômica sem precedentes no país (50% de desemprego, 60% de inflaçao e pobreza de divisas). A oposiçao também faz da crise econômica seu cavalo de batalha.

Fora do país, a comunidade internacional continua pressionando Harare para que evacue as propriedades dos brancos, ocupadas desde fevereiro, ponha fim à violência (pelo menos 13 mortos) e organize eleiçoes legislativas livres.

Vários presidentes da Africa austral, entre eles Thabo Mbeki (Africa do Sul) e Joaquim Chissano (Moçambique), contactados por Londres, se reuniram recentemente com seu colega zimbabuano para pressioná-lo. Publicamente, anunciaram seu apoio ao presidente Mugabe e pediram a Londres que mantenha seus compromissos financeiros para a reforma agrária do país.

A Uniao Européia (UE), a comunidade britânica e a ONU também intervieram e alguns inclusive cogitaram a possibilidade de aplicar sançoes contra Harare. O Reino Unido anunciou, na quarta-feira, a suspensao da entrega de material militar ao Zimbábue. A Suécia pediu uma açao firme da UE, para acabar com a violência no país.

As sançoes podem acabar sendo um tiro pela culatra. A ministra das Relaçoes Exteriores da Suécia, Anna Lindh, disse que as sançoes podem reforçar a popularidade do presidente zimbabuano. ``Creio que o que Mugabe quer sao as sançoes. Ele quer ficar ilhado'' politicamente, declarou.

Lindh quer dizer, com isso, o que observadores políticos falam de Mugabe: contra as críticas e as pressoes, Mugabe quer aparecer como o campeao dos desfavorecidos, dos milhoes de ``sem-terras'' do país, contra os 4 mil fazendeiros brancos proprietários de 70% das melhores terras.

O chefe de Estado zimbababuano apoia as invasoes de fazendas promovidas por antigos combatentes da guerra da independência. Segundo ele, as invasoes e ocupaçoes sao ``simples manifestaçoes pacíficas''.

Nesta quarta-feira, Mugabe havia afirmado que seu governo nao havia previsto expulsar nenhum branco, mas que os que quiserem voltar para a Gra-Bretanha sao livers para fazê-lo.

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