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Gasto em farmácia cresce 9,87% na região

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Na contramão, número de estabelecimentos do
setor recuou de 1.437, em 2015, para 1.32 neste ano


Flávia Kurotori
Especial para o Diário

15/10/2017 | 07:28


Nos últimos dois anos, os gastos em farmácias aumentaram 9,87% no Grande ABC, passando de R$ 105,44 por habitante – no período de um mês – para R$ 115,86 (diferença de R$ 10,42). Segundo especialista, um dos motivos é o envelhecimento da população, que hoje na região soma 365,8 mil pessoas com 60 anos ou mais – eram 219,8 mil em 2004.

Na contramão do aumento dos gastos, o número de estabelecimentos do setor recuou de 1.437, em 2015, para 1.323 (-7,93%) neste ano. Os dados são do estudo de potencial de consumo da IPC Marketing Editora, o IPC Maps.

É importante destacar que, em 2016, a quantidade de drogarias caiu para 1.297 (confira na arte acima) e em 2017 voltou a crescer, apesar de ainda não ter alcançado o patamar de dois anos atrás. Segundo o diretor da IPC Marketing Editora, Marcos Pazzini, o fenômeno pode ser explicado pelo fechamento dos pequenos estabelecimentos e abertura de unidades das grandes redes.

“Em 2010, com a mudança do contexto social do País, quando as pessoas passaram a gastar mais, redes internacionais começaram a investir aqui”, lembra o assessor econômico da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), Thiago Carvalho. Na mesma época, marcas já consolidadas anunciaram fusões e os supermercados começaram a inaugurar suas próprias cadeias.

Neste cenário, os pequenos proprietários perderam espaço por conta da competitividade de preços e, em seguida, sofreram com a crise econômica. “As marcas se mantêm, pois conseguem diluir o prejuízo entre as lojas, enquanto as farmácias menores são afetadas diretamente”, observa Carvalho.

O proprietário da Drogaria Olímpica, desde 1962 em São Caetano, Antônio Prieto, conta que o movimento não é o mesmo desde a década de 1990. “Não temos como competir com as redes porque elas têm alto poder de aquisição. Quem comprava R$ 20 antes, agora gasta R$ 10”, lamenta. O empresário aceita apenas dinheiro como forma de pagamento, entretanto os especialistas recomendam que para consolidar-se, é necessário possuir alternativas, como o cartão de débito ou crédito.

Pazzini destaca que o pequeno comerciante precisa investir no atendimento diferenciado e personalizado. Caso de Prieto, que conta com clientela fiel. No entanto, é necessário utilizar o sistema de fichário para atender seu perfil. “A pessoa marca o que compra no decorrer do mês e no fim ela vem e paga o total.”

Já o aumento nos gastos é justificado sobretudo pelo envelhecimento da população: “Conforme as pessoas ficam mais velhas, as despesas com saúde, incluindo medicamentos, aumenta”, afirma o diretor da IPC Marketing Editora.

Outro fator observado é o aumento da gama de produtos oferecidos pelas farmácias, como itens de higiene pessoal e perfumaria. “Elas (as farmácias) só não têm mais tipos (de produtos) porque a lei não permite”, atesta Carvalho.

“Os consumidores estão enxergando a farmácia não somente como um local que frequentam para procurar um medicamento, mas sim como estabelecimento que vende qualidade de vida”, pondera o vice-presidente de planejamento da rede Raia Drogasil, Eugênio De Zagottis. Por este motivo, o levantamento do Diário não considera apenas a despesa na categoria de medicamentos, mas também em higiene e cuidados pessoais.

Tendência também são as drogarias em supermercados. Pazzini salienta que esse modelo de instalação é oportunidade de incremento no faturamento, além de ser uma opção cômoda ao cliente. “O fluxo de consumidores que o mercado oferece é muito bom”, atesta a gerente de negócios da Drogaria Coop Rosângela Prado.

Programa impulsiona movimento

O programa do governo federal Aqui Tem Farmácia Popular possibilita a venda de medicamentos utilizados no tratamento de doenças crônicas – como diabetes e pressão alta – com desconto nas drogarias credenciadas. Rosângela Prado, gerente de negócios da Drogaria Coop, observa que as unidades conveniadas à iniciativa registram maior fluxo de pessoas.

“Quando o cidadão vai retirar um medicamento com desconto ou até mesmo de graça, acaba comprando outros produtos”, explica o coordenador do IPC Maps, Marcos Pazzini.

Segundo o Ministério da Saúde, os estabelecimentos interessados devem atender a alguns requisitos, entre os quais, possuir licença sanitária e registro na Junta Comercial. No entanto, Rosângela afirma que, desde 2014, as inscrições não estão abertas. “É vantajoso para as drogarias, mas não temos como aderir por enquanto”, lamenta.

É importante lembrar que, em julho, as dez unidades próprias do Farmácia Popular no Grande ABC foram fechadas com a justificativa de aumento no repasse de recursos para a compra de medicamentos da atenção básica de Saúde do SUS (Sistema Único de Saúde).



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Gasto em farmácia cresce 9,87% na região

Na contramão, número de estabelecimentos do
setor recuou de 1.437, em 2015, para 1.32 neste ano

Flávia Kurotori
Especial para o Diário

15/10/2017 | 07:28


Nos últimos dois anos, os gastos em farmácias aumentaram 9,87% no Grande ABC, passando de R$ 105,44 por habitante – no período de um mês – para R$ 115,86 (diferença de R$ 10,42). Segundo especialista, um dos motivos é o envelhecimento da população, que hoje na região soma 365,8 mil pessoas com 60 anos ou mais – eram 219,8 mil em 2004.

Na contramão do aumento dos gastos, o número de estabelecimentos do setor recuou de 1.437, em 2015, para 1.323 (-7,93%) neste ano. Os dados são do estudo de potencial de consumo da IPC Marketing Editora, o IPC Maps.

É importante destacar que, em 2016, a quantidade de drogarias caiu para 1.297 (confira na arte acima) e em 2017 voltou a crescer, apesar de ainda não ter alcançado o patamar de dois anos atrás. Segundo o diretor da IPC Marketing Editora, Marcos Pazzini, o fenômeno pode ser explicado pelo fechamento dos pequenos estabelecimentos e abertura de unidades das grandes redes.

“Em 2010, com a mudança do contexto social do País, quando as pessoas passaram a gastar mais, redes internacionais começaram a investir aqui”, lembra o assessor econômico da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), Thiago Carvalho. Na mesma época, marcas já consolidadas anunciaram fusões e os supermercados começaram a inaugurar suas próprias cadeias.

Neste cenário, os pequenos proprietários perderam espaço por conta da competitividade de preços e, em seguida, sofreram com a crise econômica. “As marcas se mantêm, pois conseguem diluir o prejuízo entre as lojas, enquanto as farmácias menores são afetadas diretamente”, observa Carvalho.

O proprietário da Drogaria Olímpica, desde 1962 em São Caetano, Antônio Prieto, conta que o movimento não é o mesmo desde a década de 1990. “Não temos como competir com as redes porque elas têm alto poder de aquisição. Quem comprava R$ 20 antes, agora gasta R$ 10”, lamenta. O empresário aceita apenas dinheiro como forma de pagamento, entretanto os especialistas recomendam que para consolidar-se, é necessário possuir alternativas, como o cartão de débito ou crédito.

Pazzini destaca que o pequeno comerciante precisa investir no atendimento diferenciado e personalizado. Caso de Prieto, que conta com clientela fiel. No entanto, é necessário utilizar o sistema de fichário para atender seu perfil. “A pessoa marca o que compra no decorrer do mês e no fim ela vem e paga o total.”

Já o aumento nos gastos é justificado sobretudo pelo envelhecimento da população: “Conforme as pessoas ficam mais velhas, as despesas com saúde, incluindo medicamentos, aumenta”, afirma o diretor da IPC Marketing Editora.

Outro fator observado é o aumento da gama de produtos oferecidos pelas farmácias, como itens de higiene pessoal e perfumaria. “Elas (as farmácias) só não têm mais tipos (de produtos) porque a lei não permite”, atesta Carvalho.

“Os consumidores estão enxergando a farmácia não somente como um local que frequentam para procurar um medicamento, mas sim como estabelecimento que vende qualidade de vida”, pondera o vice-presidente de planejamento da rede Raia Drogasil, Eugênio De Zagottis. Por este motivo, o levantamento do Diário não considera apenas a despesa na categoria de medicamentos, mas também em higiene e cuidados pessoais.

Tendência também são as drogarias em supermercados. Pazzini salienta que esse modelo de instalação é oportunidade de incremento no faturamento, além de ser uma opção cômoda ao cliente. “O fluxo de consumidores que o mercado oferece é muito bom”, atesta a gerente de negócios da Drogaria Coop Rosângela Prado.

Programa impulsiona movimento

O programa do governo federal Aqui Tem Farmácia Popular possibilita a venda de medicamentos utilizados no tratamento de doenças crônicas – como diabetes e pressão alta – com desconto nas drogarias credenciadas. Rosângela Prado, gerente de negócios da Drogaria Coop, observa que as unidades conveniadas à iniciativa registram maior fluxo de pessoas.

“Quando o cidadão vai retirar um medicamento com desconto ou até mesmo de graça, acaba comprando outros produtos”, explica o coordenador do IPC Maps, Marcos Pazzini.

Segundo o Ministério da Saúde, os estabelecimentos interessados devem atender a alguns requisitos, entre os quais, possuir licença sanitária e registro na Junta Comercial. No entanto, Rosângela afirma que, desde 2014, as inscrições não estão abertas. “É vantajoso para as drogarias, mas não temos como aderir por enquanto”, lamenta.

É importante lembrar que, em julho, as dez unidades próprias do Farmácia Popular no Grande ABC foram fechadas com a justificativa de aumento no repasse de recursos para a compra de medicamentos da atenção básica de Saúde do SUS (Sistema Único de Saúde).

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