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Palmeirense morto em briga é da região

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Morador de Sto.André, Leandro foi esfaqueado por corinthiano após clássico; enterro será hoje


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

14/07/2017 | 07:00


 Será enterrado hoje, no Cemitério da Vila Euclides, em São Bernardo, o palmeirense Leandro de Paula, 38 anos. Ele foi morto com dois golpes de facão no abdômen por torcedores corinthianos após clássico de quarta-feira à noite, entre as duas equipes, no Allianz Arena. O torcedor deixa mulher e três filhos (3, 10 e 12 anos).

A família está em choque. Desde que o pai de Leandro morreu, há mais de duas décadas, era ele quem ajudava a mãe, Odete de Paula Zanho, 69, com quem vivia em humilde casa no bairro Valparaíso, em Santo André. Ela, que tinha ciência da paixão do filho pelo Palmeiras, convive com problema de mobilidade e era o filho quem a ajudava na locomoção. “A falta dele será sentida em todo lugar desta casa”, afirma a mãe.

Ainda segundo Odete, sempre que arranjava um tempo, Leandro já pensava em ir para algum jogo do time. “Ele até pensou em levar um dos filhos neste jogo contra o Corinthians, mas disse que seria perigoso nas ruas próximas. Parece ter adivinhado”, relembra.

Moradora do bairro há 60 anos, a mãe de Leandro conta que o filho era muito querido na região. Odete relata que desde a notícia da morte, mais de 100 pessoas compareceram para lhe dar os pêsames. “O mais difícil foi tentar esconder esta tragédia dos meus netos. Mas como eles me viram chorar muito, perceberam. Uma mãe nunca deveria ter que enterrar seus filhos”, lamentou.

Quem também tinha relação muito próxima ao torcedor era o preparador de autos Gabriel dos Santos Vello, 20. Apesar da diferença de idade, eram grandes amigos. “Falei com ele alguns momentos antes da ida dele ao jogo. Sou corintiano e lembro que disse que ganharíamos. Ele me falou para esperá-lo, que na volta conversaríamos.”

Leandro estava em um carro na Avenida General Olímpio da Silveira, na Capital, com palmeirenses e desceu para tirar satisfação com corinthianos que faziam provocações após vitória por 2 a 0. O grupo discutiu e a confusão terminou com duas facadas no abdômen do palmeirense, que morreu na Santa Casa de São Paulo.

Com os corintianos foram encontrados barras de ferro e o facão utilizado no crime. A Polícia Civil prendeu em flagrante o mecânico Anderson da Cruz Andrade, 24 anos, suspeito de ter dado as facadas. Ele foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil.

O velório de Leandro teve início na noite de ontem e ocorreu na quadra da escola de samba Mocidade Fantástica da Vila Alice, em Santo André.

O crime da madrugada de ontem reativou a discussão envolvendo torcidas em clássicos. Foi o segundo assassinato desde o início da adoção de torcida única nos confrontos entre os quatro grandes times paulista, em abril de 2016. Autoridades afirmam que o crime não tem relação com organizadas. “Foi conflito pontual”, disse o tenente-coronel Luiz Gonzaga de Oliveira Júnior, responsável pelo policiamento nos estádios da Capital. “Não foi emboscada. Isso nada tem a ver com futebol. Foi discussão entre pessoas que sequer foram ao jogo e resultou em crime comum”, acrescentou Paulo Castilho, promotor do Juizado Especial Criminal.

 



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