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Empréstimo do BNDES cai pela metade na região

ABr Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Recessão da economia e cenário político incerto
explicam a diminuição das contratações de crédito


Gabriel Russini
Especial para o Diário

27/05/2017 | 07:09


As empresas do Grande ABC diminuíram em 47% o volume de recursos emprestados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na comparação entre março com a mesma época do ano passado. No terceiro mês deste ano foram financiados R$ 66,8 milhões, enquanto que em março de 2016 a quantia somava R$ 127 milhões, ou seja, R$ 60,2 milhões a mais.

O número de contratos por empresas da região também recuou, em 45%, totalizando 788 empréstimos contra os 1.430 do mesmo período de 2016, uma diferença de 642 assinaturas. Isso é o que aponta o levantamento realizado pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema com exclusividade ao Diário. Os dados são os mais recentes disponíveis.

Para o segundo vice-diretor do Ciesp de Diadema, Donizete Duarte da Silva, a diminuição do valor dos empréstimos está atrelada ao atual cenário econômico e à instabilidade política vivida nos últimos tempos. “Não tem demanda, então não há motivos para a solicitação de empréstimo, estamos parados.”

O crédito do BNDES é voltado para a realização de melhorias na empresa, expansão na linha de produção ou para capital de giro, e não para tirar a firma do vermelho, por isso, naturalmente a procura cai em tempos de turbulência. Além disso, o banco privilegia contratos que incentivem a inovação e o desenvolvimento regional e socioambiental. Embora ofereça juros baixos, os critérios de avaliação para a concessão são bastante rígidos, o que também faz com que o volume caia, já que não se pode ter dívida de impostos, por exemplo.

A maior retração nas quantias apresentadas foi verificada nas grandes empresas das sete cidades. O volume caiu drasticamente. Com variação negativa de 90%, o valor passou de R$ 37 milhões para apenas R$ 3,7 milhões financiados. Em contrapartida, a quantidade de operações aumentou em 178%, subindo de 64 para 178 acordos firmados.

Para o gerente regional do Ciesp de Diadema, Dario Sanchez, mesmo com a crise, essas companhias ainda disponibilizam capital e buscam por empréstimos com juros mais baixos do que obteriam nos bancos comerciais, por isso a procura pelo crédito aumentou.

Em relação ao volume financiado às microempresas do Grande ABC, também houve retração. A redução foi de 50%, ficando na casa dos R$ 33,2 milhões ante os R$ 66,4 milhões registrados em março do ano passado. O número de contratos seguiu pelo mesmo caminho, apresentando baixa ainda maior, de 65%, e somando 266 acordos.

Na avaliação de Silva, as empresas menores são as que mais sofrem em tempos de crise – até porque elas dependem diretamente do consumidor final, que está com o pé no freio, ou de companhias maiores, que também reduziram suas encomendas.

Sanchez complementa que a recessão fez com que companhias de grande porte se desprendessem dos serviços prestados pelas médias e pequenas empresas. “Na busca pela readequação financeira, muita coisa é cortada”.

NO GERAL - O total financiado pelas companhias regionais foi 23% menor do que o registrado em março de 2016, passando de R$ 35,6 milhões para R$ 27,2 milhões. “Atualmente, as empresas só investem no que realmente for necessário”, assinala Sanchez.

Dentre os setores mais impactados pela crise, e que mais recuaram nas demandas por crédito do BNDES, destaca-se a indústria quanto ao volume desembolsado. Houve retração de 68%, totalizando R$ 16,1 milhões.

Quanto ao número de contratos, comércio e serviços reduziram as propostas em 47%, para 59 acordos.

LÍDER - Dentre as modalidades de empréstimo, o BNDES automático foi o serviço mais utilizado na região, com aumento de 475% no número de operações, totalizando 46. Essa modalidade é mais acessível por ser realizada por intermédio de instituições financeiras credenciadas. Além disso, possui teto de R$ 20 milhões. 



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Empréstimo do BNDES cai pela metade na região

Recessão da economia e cenário político incerto
explicam a diminuição das contratações de crédito

Gabriel Russini
Especial para o Diário

27/05/2017 | 07:09


As empresas do Grande ABC diminuíram em 47% o volume de recursos emprestados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na comparação entre março com a mesma época do ano passado. No terceiro mês deste ano foram financiados R$ 66,8 milhões, enquanto que em março de 2016 a quantia somava R$ 127 milhões, ou seja, R$ 60,2 milhões a mais.

O número de contratos por empresas da região também recuou, em 45%, totalizando 788 empréstimos contra os 1.430 do mesmo período de 2016, uma diferença de 642 assinaturas. Isso é o que aponta o levantamento realizado pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema com exclusividade ao Diário. Os dados são os mais recentes disponíveis.

Para o segundo vice-diretor do Ciesp de Diadema, Donizete Duarte da Silva, a diminuição do valor dos empréstimos está atrelada ao atual cenário econômico e à instabilidade política vivida nos últimos tempos. “Não tem demanda, então não há motivos para a solicitação de empréstimo, estamos parados.”

O crédito do BNDES é voltado para a realização de melhorias na empresa, expansão na linha de produção ou para capital de giro, e não para tirar a firma do vermelho, por isso, naturalmente a procura cai em tempos de turbulência. Além disso, o banco privilegia contratos que incentivem a inovação e o desenvolvimento regional e socioambiental. Embora ofereça juros baixos, os critérios de avaliação para a concessão são bastante rígidos, o que também faz com que o volume caia, já que não se pode ter dívida de impostos, por exemplo.

A maior retração nas quantias apresentadas foi verificada nas grandes empresas das sete cidades. O volume caiu drasticamente. Com variação negativa de 90%, o valor passou de R$ 37 milhões para apenas R$ 3,7 milhões financiados. Em contrapartida, a quantidade de operações aumentou em 178%, subindo de 64 para 178 acordos firmados.

Para o gerente regional do Ciesp de Diadema, Dario Sanchez, mesmo com a crise, essas companhias ainda disponibilizam capital e buscam por empréstimos com juros mais baixos do que obteriam nos bancos comerciais, por isso a procura pelo crédito aumentou.

Em relação ao volume financiado às microempresas do Grande ABC, também houve retração. A redução foi de 50%, ficando na casa dos R$ 33,2 milhões ante os R$ 66,4 milhões registrados em março do ano passado. O número de contratos seguiu pelo mesmo caminho, apresentando baixa ainda maior, de 65%, e somando 266 acordos.

Na avaliação de Silva, as empresas menores são as que mais sofrem em tempos de crise – até porque elas dependem diretamente do consumidor final, que está com o pé no freio, ou de companhias maiores, que também reduziram suas encomendas.

Sanchez complementa que a recessão fez com que companhias de grande porte se desprendessem dos serviços prestados pelas médias e pequenas empresas. “Na busca pela readequação financeira, muita coisa é cortada”.

NO GERAL - O total financiado pelas companhias regionais foi 23% menor do que o registrado em março de 2016, passando de R$ 35,6 milhões para R$ 27,2 milhões. “Atualmente, as empresas só investem no que realmente for necessário”, assinala Sanchez.

Dentre os setores mais impactados pela crise, e que mais recuaram nas demandas por crédito do BNDES, destaca-se a indústria quanto ao volume desembolsado. Houve retração de 68%, totalizando R$ 16,1 milhões.

Quanto ao número de contratos, comércio e serviços reduziram as propostas em 47%, para 59 acordos.

LÍDER - Dentre as modalidades de empréstimo, o BNDES automático foi o serviço mais utilizado na região, com aumento de 475% no número de operações, totalizando 46. Essa modalidade é mais acessível por ser realizada por intermédio de instituições financeiras credenciadas. Além disso, possui teto de R$ 20 milhões. 

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