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Bin Laden já foi, e agora?


Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

08/05/2011 | 07:00


No dia 1º, Osama bin Laden, um dos terroristas mais procurados do mundo, foi morto por forças militares dos Estados Unidos na sua mansão. A ação, que tirou a vida do líder e fundador da rede terrorista Al-Qaeda responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, bastou para que norte-americanos fizessem festa. Mas por que a morte de Bin Laden significou tanto para eles e quais as consequências?

Robert Sean Purdy, professor de História dos Estados Unidos da USP, não acha que muita coisa vai mudar, além do nacionalismo norte-americano ter ganhado fôlego. "Em dez anos após os atentados, outras ações aconteceram, como as guerras no Afeganistão e Iraque, e, nos últimos meses, as revoluções em países árabes. Nada teve ligação direta com a Al- Qaeda, outros fatores são mais importantes." Prova disso é o interesse dos Estados Unidos pela região árabe, que vai além do combate ao terrorismo. "Eles estão de olho nas reservas de petróleo e têm outros anseios econômicos e políticos", explica o professor.

Quanto aos ataques de vingança, Robert Purdy concorda que podem acontecer, mas o mundo não precisa ficar tão assustado. "Poucos são adeptos ou concordam com a posição tomada por Bin Laden e a Al- Qaeda. Não representa o pensamento de todos." Já Samuel Feldberg, bacharel em Ciência Política e História pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, e doutor em Ciências Políticas pela USP, diz que ainda é cedo, mas represálias devem ser inevitáveis porque a Al-Qaeda tem força para isso. "Vai demorar um pouco até a poeira baixar, mas embaixadas e instituições norte-americanas e de países aliados localizadas em regiões árabes, africanas, asiáticas e até no território dos Estados Unidos podem ser alvo."

Ainda de acordo com Feldberg, os Estados Unidos terão de passar por cima do fato de o Paquistão ter abrigado o líder terrorista, apesar da informação não ter sido confirmada pelos serviços de inteligência, porque o país ainda precisa da ajuda dos paquistaneses. "Os Estados Unidos estão operando na fronteira do Paquistão e há uma ligação muito próxima entre serviços de informação paquistaneses e lideranças tribais."

Os dois acreditam que já houve mudança imediata em decorrência da morte de Bin Laden: o aumento da popularidade do presidente Barack Obama, que está de olho nas próximas eleições. De acordo com pesquisa realizada pela Reuters e pelo instituto Ipsos, 39% dos entrevistados norte-americanos disseram que o episódio fez com que passassem a ver Obama de forma mais positiva e 42% deles estão acreditando mais na sua capacidade de combater o terrorismo.


Os próximos estão na mira

Nem bem Bin Laden morreu e a lista dos mais procurados pelo FBI (Departamento Federal de Investigação) dos Estados Unidos já caiu na rede. Agora, quem está no topo é o terrorista egípcio Ayman al-Zawahiri. Ele é considerado braço-direito de Bin Laden e provável novo líder da Al-Qaeda. Quem oferecer informações que levem à sua captura pode embolsar U$ 25 milhões, mesmo valor que estava sendo oferecido pela cabeça de Bin Laden.

Os próximos da lista são Daniel Andreas San Diego, ligado a grupos radicais de diretos dos animais que teria explodido dois prédios nos Estados Unidos; Fahd Mohammed Ahmed Al-Quso, acusado de participar do bombardeio que matou 17 marinheiros norte-americanos no Iemen; Jamel Ahmed Mohammed Ali Al-Badawi, procurado por envolvimento no bombardeio de uma base norte-americana no Iemen, entre outros.


Será mesmo?

Em meio a bombardeio de notícias sobre a morte de Osama bin Laden também na internet, resultado de uma pesquisa chamou atenção: boa parte da geração que era muito jovem na época do ataque às Torres Gêmeas (em 2001) não sabe quem foi o terrorista. De acordo com um relatório de buscas do Yahoo!, 66% das pesquisas pela pergunta ‘quem é Osama bin Laden' foram feitas por pessoas entre 13 e 17 anos. Na madrugada do dia seguinte da morte do líder (dia 2), as buscas pelo nome do terrorista chegaram quase a 100% de todas feitas pelo site. Uma em cada cinco pessoas que procurou ‘Osama bin Laden' era adolescente, sendo que 25% de todas as buscas por Osama foram feitas por jovens com menos de 24 anos.

Quem foi Bin Laden?
O mais novo de 20 irmãos, Bin Laden morreu aos 54 anos. Estudou Religião e Ciências Econômicas na Arábia Saudita e desde cedo manteve contatos com grupos islamitas. Em 1988, criou a Al-Qaeda desencadeando uma guerra terrorista com efeitos em todo o mundo. Ficou mais conhecido ao planejar o ataque às Torres Gêmeas.



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Bin Laden já foi, e agora?

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

08/05/2011 | 07:00


No dia 1º, Osama bin Laden, um dos terroristas mais procurados do mundo, foi morto por forças militares dos Estados Unidos na sua mansão. A ação, que tirou a vida do líder e fundador da rede terrorista Al-Qaeda responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, bastou para que norte-americanos fizessem festa. Mas por que a morte de Bin Laden significou tanto para eles e quais as consequências?

Robert Sean Purdy, professor de História dos Estados Unidos da USP, não acha que muita coisa vai mudar, além do nacionalismo norte-americano ter ganhado fôlego. "Em dez anos após os atentados, outras ações aconteceram, como as guerras no Afeganistão e Iraque, e, nos últimos meses, as revoluções em países árabes. Nada teve ligação direta com a Al- Qaeda, outros fatores são mais importantes." Prova disso é o interesse dos Estados Unidos pela região árabe, que vai além do combate ao terrorismo. "Eles estão de olho nas reservas de petróleo e têm outros anseios econômicos e políticos", explica o professor.

Quanto aos ataques de vingança, Robert Purdy concorda que podem acontecer, mas o mundo não precisa ficar tão assustado. "Poucos são adeptos ou concordam com a posição tomada por Bin Laden e a Al- Qaeda. Não representa o pensamento de todos." Já Samuel Feldberg, bacharel em Ciência Política e História pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, e doutor em Ciências Políticas pela USP, diz que ainda é cedo, mas represálias devem ser inevitáveis porque a Al-Qaeda tem força para isso. "Vai demorar um pouco até a poeira baixar, mas embaixadas e instituições norte-americanas e de países aliados localizadas em regiões árabes, africanas, asiáticas e até no território dos Estados Unidos podem ser alvo."

Ainda de acordo com Feldberg, os Estados Unidos terão de passar por cima do fato de o Paquistão ter abrigado o líder terrorista, apesar da informação não ter sido confirmada pelos serviços de inteligência, porque o país ainda precisa da ajuda dos paquistaneses. "Os Estados Unidos estão operando na fronteira do Paquistão e há uma ligação muito próxima entre serviços de informação paquistaneses e lideranças tribais."

Os dois acreditam que já houve mudança imediata em decorrência da morte de Bin Laden: o aumento da popularidade do presidente Barack Obama, que está de olho nas próximas eleições. De acordo com pesquisa realizada pela Reuters e pelo instituto Ipsos, 39% dos entrevistados norte-americanos disseram que o episódio fez com que passassem a ver Obama de forma mais positiva e 42% deles estão acreditando mais na sua capacidade de combater o terrorismo.


Os próximos estão na mira

Nem bem Bin Laden morreu e a lista dos mais procurados pelo FBI (Departamento Federal de Investigação) dos Estados Unidos já caiu na rede. Agora, quem está no topo é o terrorista egípcio Ayman al-Zawahiri. Ele é considerado braço-direito de Bin Laden e provável novo líder da Al-Qaeda. Quem oferecer informações que levem à sua captura pode embolsar U$ 25 milhões, mesmo valor que estava sendo oferecido pela cabeça de Bin Laden.

Os próximos da lista são Daniel Andreas San Diego, ligado a grupos radicais de diretos dos animais que teria explodido dois prédios nos Estados Unidos; Fahd Mohammed Ahmed Al-Quso, acusado de participar do bombardeio que matou 17 marinheiros norte-americanos no Iemen; Jamel Ahmed Mohammed Ali Al-Badawi, procurado por envolvimento no bombardeio de uma base norte-americana no Iemen, entre outros.


Será mesmo?

Em meio a bombardeio de notícias sobre a morte de Osama bin Laden também na internet, resultado de uma pesquisa chamou atenção: boa parte da geração que era muito jovem na época do ataque às Torres Gêmeas (em 2001) não sabe quem foi o terrorista. De acordo com um relatório de buscas do Yahoo!, 66% das pesquisas pela pergunta ‘quem é Osama bin Laden' foram feitas por pessoas entre 13 e 17 anos. Na madrugada do dia seguinte da morte do líder (dia 2), as buscas pelo nome do terrorista chegaram quase a 100% de todas feitas pelo site. Uma em cada cinco pessoas que procurou ‘Osama bin Laden' era adolescente, sendo que 25% de todas as buscas por Osama foram feitas por jovens com menos de 24 anos.

Quem foi Bin Laden?
O mais novo de 20 irmãos, Bin Laden morreu aos 54 anos. Estudou Religião e Ciências Econômicas na Arábia Saudita e desde cedo manteve contatos com grupos islamitas. Em 1988, criou a Al-Qaeda desencadeando uma guerra terrorista com efeitos em todo o mundo. Ficou mais conhecido ao planejar o ataque às Torres Gêmeas.

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