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Mãe de Eloá fala nesta terça como testemunha

Irmãos também depõem no segundo dia do julgamento de
Lindemberg Alves Fernandes no Fórum de Santo André


Cadu Proieti, Elaine Granconato e Rafael Ribeiro

14/02/2012 | 07:00


Se a advogada Ana Lúcia Assad prometia esconder as estratégias usadas na argumentação de defesa de Lindemberg Alves Fernandes, 25 anos, agora parece claro que, além das críticas à atuação da imprensa e da Polícia Militar no caso, a tática é mostrar que o rapaz era íntimo da família de Eloá Pimentel, a quem é acusado de ter assassinado em outubro de 2008.

Ontem, no primeiro dia do julgamento de Lindemberg, no Fórum de Santo André, nada menos do que três testemunhas da defesa, sendo dois jornalistas, foram dispensados. A única alteração foi polêmica: saiu o perito Nelson Gonçalves para a entrada da mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel.

Entre as testemunhas do juízo, o irmão mais novo da menina, Douglas Pimentel, substituirá uma jornalista. Como o mais velho, Ronickson Pimentel dos Santos, já iria participar como peça da acusação, hoje toda a família da menina será ouvida.

"A participação dela (Ana) servirá para elucidar alguns pontos do caso", justificou Ana Lúcia. A promotoria, contrária à substituição no início, acabou cedendo após ameaça da defesa em abandonar o júri, o que provocaria adiamento para hoje. E acredita que pode se beneficiar da decisão. "É um tiro na cabeça. Acho loucura, vai trazer ainda mais emoção ao caso", destacou o advogado da família, Ademar Gomes.

Para convencer os seis homens e uma mulher que formam o júri, Ana Lúcia gastou cerca de três horas e meia de vídeo com reportagens da época, seja com entrevistas com Lindemberg dentro do cárcere, até análises que mostram erro de atuação da Polícia Militar. Esse será o assunto abordado com a mãe de Eloá, crítica da forma como o Gate (Grupo de Apoio Tático Especial) e a corporação de Santo André cuidaram do assunto.

"Estamos aqui para descobrir a verdade real", disse a advogada, em meio a momentos de nervosismo, principalmente do depoimento de Nayara Rodrigues, onde discutiu com a promotora Daniela Hashimoto. Mesmo assim, ela considerou o dia "relativamente positivo". "Os depoimentos não prejudicaram a defesa", analisou.

Sem comer e dormir desde anteontem, Ana Cristina chegou abalada ao Fórum, sob gritos de justiça dos populares e aplausos, ainda sem saber do que lhe estaria reservado minutos depois. "Nunca participei de algo assim antes, nem sei o que posso esperar", disse.

Réu aparece mais forte e mantém a cabeça erguida

Camisa de surfe, calça jeans e tênis de marca, mais forte do que quando foi preso e com feições sérias. Durante todo o tempo em que permaneceu no plenário, Lindemberg não abaixou a cabeça, nem esboçou qualquer reação. A não ser quando Iago Vilera de Oliveira, o primeiro refém libertado, disse ter levado coronhadas dele.

Foi o único sinal do homem que protagonizou o maior sequestro em cárcere privado do Brasil. Após cerca de uma hora e 50 minutos de viagem, Lindemberg chegou ao Fórum de Santo André trazido da Penitenciária de Tremembé, no Interior paulista. Quatro parentes, entre eles sua irmã, acompanharam o júri. Ana Lúcia Assad conseguiu que lhe tirassem as algemas. "É um rapaz ingênuo", garantiu.

"Esse caso é uma aberração jurídica. Um rapaz de periferia, que nunca teve passagem nem passou em porta de delegacia, sequer ganhou o direito de esperar o julgamento em liberdade", completou sua advogada.

Ana Cristina Pimentel reiterou em sua chegada que não perdoa o ex-genro. E espera, pela primeira vez desde o ocorrido, suas explicações. Ana Lúcia promete que chegou a hora. "Nada mais justo que ele falar com quem vai julgá-lo."

‘Eloá disse saber que ia morrer'

A hoje vendedora e modelo Nayara Rodrigues, 18 anos, parecia ter superado os dias de cativeiro ao lado de Lindemberg. Mas bastou a juíza Milena Dias perguntar o que aconteceu no dia da invasão ao apartamento do Jardim Santo André, em outubro de 2008, para ela perder o fôlego. "A Eloá sabia que ia morrer", resumiu.

A certeza veio um dia antes, quando, convocada pela polícia para retornar ao local, após ter sido libertada. "Ele me queria no sétimo andar. Quando cheguei, vi Eloá ajoelhada e ele apontando a arma para a cabeça dela."

Nayara viu ou ouviu Lindemberg atirar oito vezes no período em que estava no cárcere. Um deles acertou sua face. No dia, enquanto a colega apresentava diversos hematomas pelo corpo, graças aos tapas que levava do ex-namorado, viu o rapaz anunciar o fim do cárcere. Por demorar a acreditar, deram tempo para ele mudar de ideia. "Ele pediu para que tampássemos a porta com uma mesa, foi quando houve a invasão." Os policiais tentavam entrar aos chutes. Com medo, a garota se cobriu com um edredom. Ao lado, viu a amiga sem vida.

Lindemberg culpava Nayara pelo fim do namoro. A obsessão chegou a tal ponto que a menina viu a colega ser estapeada pela primeira vez algumas semanas antes, em um ponto de ônibus.

"Ele deixou bem claro que ia a mataria. Que não adiantava mais ela falar que queria reatar o namoro. Ele se vangloriava de atirar nos policiais", completou. Lindemberg se autointitulava "Príncipe do Gueto".

Segundo a menina, em nenhum momento ele foi gentil. "Eu dormia com ela na cama de casal, com a arma na minha barriga", disse.

Garoto feito refém diz que foi tenso reencontrar réu

O assistente de acusação José Beraldo pediu para que Iago Vilera de Oliveira, um dos amigos de Eloá que foram feitos reféns por Lindemberg, olhasse diretamente para o réu durante seu testemunho. Na saída do Fórum, Iago definiu em poucas palavras o que sentiu ao rever o acusado. "Foi tenso e triste", relatou o garoto.

O jovem, que atualmente tem 18 anos, era namorado de Nayara Rodrigues na época da tragédia. Em suas declarações aos jurados, Iago afirmou que depois do fim do namoro Lindemberg ia diariamente à escola perseguir Eloá na saída das aulas.

Sobre o dia do acontecido, Iago disse que, enquanto esteve na casa, era o que mais tinha diálogo com Lindemberg, tentando acalmar o ex-namorado de Eloá, inclusive com a entrega de um crucifixo. "Tinha alguma afinidade com ele, mesmo sem conhecer, pelas coisas que ela me falava dele", declarou ao júri.

Acompanhado dos pais, Iago falou da expectativa sobre o julgamento. "Espero que a justiça seja feita."

Primeiro da fila chegou à meia-noite

O julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, réu confesso do assassinato da ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, mudou o cenário do Fórum de Santo André. Logo nas primeiras horas do dia de ontem, fila de populares já se formava para tentar acompanhar, do Tribunal do Júri, o destino do réu - preso há cerca de três anos e meio na penitenciária do Tremembé, em São Paulo. O primeiro deles chegou à meia-noite.

Na longa fila, desde curiosos e estudantes de Direito a representantes do movimento UDVV (União em Defesa das Vítimas de Violência), presidido pela deputada federal Keiko Ota (PSB). "A gente fica meio anestesiado durante o julgamento", afirmou a parlamentar, ao relembrar a morte do filho Ives Ota, sequestrado e morto aos 8 anos - Keiko estava acompanhada do marido e do filho mais velho.

Além de Keiko, outra mãe vítima da violência social, Marta Consoli, 47 anos, que teve a filha Bianca, 19, morta brutalmente há exatos cinco meses ontem, dentro de sua residência, na Zona Leste, em São Paulo - o ex-genro Sandro Dota é acusado de matar a jovem. "Infelizmente, é algo que ainda terei de passar", afirmou, no encerramento do primeiro dia do julgamento.

Mineiro de Ponte Nova, há cerca de 521 quilômetros de São Paulo, André Luiz dos Santos, 50, roubou a cena. Após viagem de ônibus de cerca de 28 horas, o publicitário protestou contra a violência e em defesa da paz. Durante parte do julgamento, ficou amarrado junto a uma cruz com fotos e cartazes de Eloá. Uma delas trazia: "Mãe, estou bem! A Justiça divina será feita. Agora, só falta a dos homens."



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Mãe de Eloá fala nesta terça como testemunha

Irmãos também depõem no segundo dia do julgamento de
Lindemberg Alves Fernandes no Fórum de Santo André

Cadu Proieti, Elaine Granconato e Rafael Ribeiro

14/02/2012 | 07:00


Se a advogada Ana Lúcia Assad prometia esconder as estratégias usadas na argumentação de defesa de Lindemberg Alves Fernandes, 25 anos, agora parece claro que, além das críticas à atuação da imprensa e da Polícia Militar no caso, a tática é mostrar que o rapaz era íntimo da família de Eloá Pimentel, a quem é acusado de ter assassinado em outubro de 2008.

Ontem, no primeiro dia do julgamento de Lindemberg, no Fórum de Santo André, nada menos do que três testemunhas da defesa, sendo dois jornalistas, foram dispensados. A única alteração foi polêmica: saiu o perito Nelson Gonçalves para a entrada da mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel.

Entre as testemunhas do juízo, o irmão mais novo da menina, Douglas Pimentel, substituirá uma jornalista. Como o mais velho, Ronickson Pimentel dos Santos, já iria participar como peça da acusação, hoje toda a família da menina será ouvida.

"A participação dela (Ana) servirá para elucidar alguns pontos do caso", justificou Ana Lúcia. A promotoria, contrária à substituição no início, acabou cedendo após ameaça da defesa em abandonar o júri, o que provocaria adiamento para hoje. E acredita que pode se beneficiar da decisão. "É um tiro na cabeça. Acho loucura, vai trazer ainda mais emoção ao caso", destacou o advogado da família, Ademar Gomes.

Para convencer os seis homens e uma mulher que formam o júri, Ana Lúcia gastou cerca de três horas e meia de vídeo com reportagens da época, seja com entrevistas com Lindemberg dentro do cárcere, até análises que mostram erro de atuação da Polícia Militar. Esse será o assunto abordado com a mãe de Eloá, crítica da forma como o Gate (Grupo de Apoio Tático Especial) e a corporação de Santo André cuidaram do assunto.

"Estamos aqui para descobrir a verdade real", disse a advogada, em meio a momentos de nervosismo, principalmente do depoimento de Nayara Rodrigues, onde discutiu com a promotora Daniela Hashimoto. Mesmo assim, ela considerou o dia "relativamente positivo". "Os depoimentos não prejudicaram a defesa", analisou.

Sem comer e dormir desde anteontem, Ana Cristina chegou abalada ao Fórum, sob gritos de justiça dos populares e aplausos, ainda sem saber do que lhe estaria reservado minutos depois. "Nunca participei de algo assim antes, nem sei o que posso esperar", disse.

Réu aparece mais forte e mantém a cabeça erguida

Camisa de surfe, calça jeans e tênis de marca, mais forte do que quando foi preso e com feições sérias. Durante todo o tempo em que permaneceu no plenário, Lindemberg não abaixou a cabeça, nem esboçou qualquer reação. A não ser quando Iago Vilera de Oliveira, o primeiro refém libertado, disse ter levado coronhadas dele.

Foi o único sinal do homem que protagonizou o maior sequestro em cárcere privado do Brasil. Após cerca de uma hora e 50 minutos de viagem, Lindemberg chegou ao Fórum de Santo André trazido da Penitenciária de Tremembé, no Interior paulista. Quatro parentes, entre eles sua irmã, acompanharam o júri. Ana Lúcia Assad conseguiu que lhe tirassem as algemas. "É um rapaz ingênuo", garantiu.

"Esse caso é uma aberração jurídica. Um rapaz de periferia, que nunca teve passagem nem passou em porta de delegacia, sequer ganhou o direito de esperar o julgamento em liberdade", completou sua advogada.

Ana Cristina Pimentel reiterou em sua chegada que não perdoa o ex-genro. E espera, pela primeira vez desde o ocorrido, suas explicações. Ana Lúcia promete que chegou a hora. "Nada mais justo que ele falar com quem vai julgá-lo."

‘Eloá disse saber que ia morrer'

A hoje vendedora e modelo Nayara Rodrigues, 18 anos, parecia ter superado os dias de cativeiro ao lado de Lindemberg. Mas bastou a juíza Milena Dias perguntar o que aconteceu no dia da invasão ao apartamento do Jardim Santo André, em outubro de 2008, para ela perder o fôlego. "A Eloá sabia que ia morrer", resumiu.

A certeza veio um dia antes, quando, convocada pela polícia para retornar ao local, após ter sido libertada. "Ele me queria no sétimo andar. Quando cheguei, vi Eloá ajoelhada e ele apontando a arma para a cabeça dela."

Nayara viu ou ouviu Lindemberg atirar oito vezes no período em que estava no cárcere. Um deles acertou sua face. No dia, enquanto a colega apresentava diversos hematomas pelo corpo, graças aos tapas que levava do ex-namorado, viu o rapaz anunciar o fim do cárcere. Por demorar a acreditar, deram tempo para ele mudar de ideia. "Ele pediu para que tampássemos a porta com uma mesa, foi quando houve a invasão." Os policiais tentavam entrar aos chutes. Com medo, a garota se cobriu com um edredom. Ao lado, viu a amiga sem vida.

Lindemberg culpava Nayara pelo fim do namoro. A obsessão chegou a tal ponto que a menina viu a colega ser estapeada pela primeira vez algumas semanas antes, em um ponto de ônibus.

"Ele deixou bem claro que ia a mataria. Que não adiantava mais ela falar que queria reatar o namoro. Ele se vangloriava de atirar nos policiais", completou. Lindemberg se autointitulava "Príncipe do Gueto".

Segundo a menina, em nenhum momento ele foi gentil. "Eu dormia com ela na cama de casal, com a arma na minha barriga", disse.

Garoto feito refém diz que foi tenso reencontrar réu

O assistente de acusação José Beraldo pediu para que Iago Vilera de Oliveira, um dos amigos de Eloá que foram feitos reféns por Lindemberg, olhasse diretamente para o réu durante seu testemunho. Na saída do Fórum, Iago definiu em poucas palavras o que sentiu ao rever o acusado. "Foi tenso e triste", relatou o garoto.

O jovem, que atualmente tem 18 anos, era namorado de Nayara Rodrigues na época da tragédia. Em suas declarações aos jurados, Iago afirmou que depois do fim do namoro Lindemberg ia diariamente à escola perseguir Eloá na saída das aulas.

Sobre o dia do acontecido, Iago disse que, enquanto esteve na casa, era o que mais tinha diálogo com Lindemberg, tentando acalmar o ex-namorado de Eloá, inclusive com a entrega de um crucifixo. "Tinha alguma afinidade com ele, mesmo sem conhecer, pelas coisas que ela me falava dele", declarou ao júri.

Acompanhado dos pais, Iago falou da expectativa sobre o julgamento. "Espero que a justiça seja feita."

Primeiro da fila chegou à meia-noite

O julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, réu confesso do assassinato da ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, mudou o cenário do Fórum de Santo André. Logo nas primeiras horas do dia de ontem, fila de populares já se formava para tentar acompanhar, do Tribunal do Júri, o destino do réu - preso há cerca de três anos e meio na penitenciária do Tremembé, em São Paulo. O primeiro deles chegou à meia-noite.

Na longa fila, desde curiosos e estudantes de Direito a representantes do movimento UDVV (União em Defesa das Vítimas de Violência), presidido pela deputada federal Keiko Ota (PSB). "A gente fica meio anestesiado durante o julgamento", afirmou a parlamentar, ao relembrar a morte do filho Ives Ota, sequestrado e morto aos 8 anos - Keiko estava acompanhada do marido e do filho mais velho.

Além de Keiko, outra mãe vítima da violência social, Marta Consoli, 47 anos, que teve a filha Bianca, 19, morta brutalmente há exatos cinco meses ontem, dentro de sua residência, na Zona Leste, em São Paulo - o ex-genro Sandro Dota é acusado de matar a jovem. "Infelizmente, é algo que ainda terei de passar", afirmou, no encerramento do primeiro dia do julgamento.

Mineiro de Ponte Nova, há cerca de 521 quilômetros de São Paulo, André Luiz dos Santos, 50, roubou a cena. Após viagem de ônibus de cerca de 28 horas, o publicitário protestou contra a violência e em defesa da paz. Durante parte do julgamento, ficou amarrado junto a uma cruz com fotos e cartazes de Eloá. Uma delas trazia: "Mãe, estou bem! A Justiça divina será feita. Agora, só falta a dos homens."

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