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Teerã faz acusações contra os EUA e volta a se reunir com europeus


Da AFP

02/03/2006 | 17:09


O Irã acusou os Estados Unidos nesta quinta-feira de sabotar a proposta russa para o programa nuclear iraniano e advertiu que se oporá às exigências dos poderosos, na véspera de uma nova reunião "de última instância" com a "tróica" européia em Viena e a poucos dias de um encontro crucial da AIEA.

Nesta quinta-feira, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, advertiu na Malásia, onde realiza uma visita oficial, que o Irã será contra "qualquer exigência excessiva" dos "países poderosos". "Vamos nos opor a toda exigência excessiva que sejam impostas por essas potências", afirmou o chefe de Estado, referindo-se aos "países poderosos".

No dia seguinte às negociações russo-iranianas em Moscou, que terminou sem resultados tangíveis, o negociador iraniano do tema nuclear, Ali Larijani, responsabilizou os Estados Unidos pelo fracasso da reunião entre russos e iranianos. "Os americanos criam obstáculos para a proposta russa. A insistência americana sobre o envio do caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) significa a destruição da proposta russa", disse o responsável iraniano durante uma entrevista coletiva.

Washington é um dos principais defensores da tese de que o Irã quer desenvolver a arma atômica sob o pretexto do programa civil e pressiona para que a comunidade internacional adote medidas para impedi-lo.

No entanto, o negociador iraniano tomou cuidado para não criticar diretamente os russos, já que a Rússia negocia paralelamente com o Irã a venda de mísseis terra-ar S-300, que poderiam servir para proteger as instalações nucleares iranianas. Segundo um especialista de não-proliferação do Centro Carnegie de Moscou, Vladimir Evseev, a questão dos mísseis é provavelmente mais importante que a do enriquecimento de urânio.

Moscou propôs enriquecer urânio em território russo para as centrais nucleares iranianas, numa forma de dissipar o temor de que o Irã utilize a tecnologia nuclear de enriquecimento para fabricar a bomba atômica. Mas as negociações teriam fracassado devido à intransigência de Teerã, que se nega a aceitar uma moratória de enriquecimento de urânio em seu território.

O principal ponto de divergência com a Rússia diz respeito à exigência de que Teerã decrete uma moratória sobre o enriquecimento de urânio em território iraniano. Neste sentido, Moscou tem a mesma posição que os ocidentais.

Os Estados Unidos, que criticam fortemente a intransigência de Teerã sobre a moratória nuclear, parecem não esperar qualquer avanço nas negociações, tanto com os russos quanto com os Europeus. "Depois da tentativa de resolver o problema através da negociação e de uma boa e razoável oferta da Rússia, temos que ir ao Conselho de Segurança da ONU", disse na quarta-feira um porta-voz do Departamento de Estado americano, Adam Ereli.

Nesta sexta-feira, o Irã se reunirá com a tróica européia (Alemanha, França, Grã-Bretanha), provavelmente em Viena, segundo fontes diplomáticas. E na segunda-feira, dia 6 de março, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) pode decidir o envio do caso iraniano ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que é cada vez mais provável depois do fracasso das negociações com Moscou.

Mais otimista do que os Estados Unidos, o diretor-geral da AIEA, Mohammed ElBaradei, pediu para o Irã, na reunião de sexta-feira, "mostrar total transparência em relação à AIEA" e tomar todas as medidas necessárias para dar garantias à comunidade internacional sobre a natureza pacífica de seu programa nuclear".

A última reunião da AIEA ocorreu no dia 4 de fevereiro e, naquela ocasião, decidiu-se pelo envio do caso ao Conselho de Segurança da ONU. No entanto, o Conselho de Governadores determinou que não haveria sanções até a reunião de 6 de março, quando já teria sido publicado um relatório atualizado sobre as inspeções da AIEA. O último relatório da AIEA aponta para "incertezas".

A troika européia enviou uma carta a Larijani na qual adverte que qualquer progresso dependerá do fim das atividades de enriquecimento dos iranianos e da cooperação destes com os inspetores da AIEA.

No entanto, o Irã parece estar longe de aceitar essas condições. Nesta quinta-feira, o país já retomou a retórica radical contra a comunidade internacional. Em visita à Malásia, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad reiterou seu "direito inalienável" à energia nuclear. Disse estar disposto a negociar, desde que não seja "sobre nossos direitos inalienáveis".



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Teerã faz acusações contra os EUA e volta a se reunir com europeus

Da AFP

02/03/2006 | 17:09


O Irã acusou os Estados Unidos nesta quinta-feira de sabotar a proposta russa para o programa nuclear iraniano e advertiu que se oporá às exigências dos poderosos, na véspera de uma nova reunião "de última instância" com a "tróica" européia em Viena e a poucos dias de um encontro crucial da AIEA.

Nesta quinta-feira, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, advertiu na Malásia, onde realiza uma visita oficial, que o Irã será contra "qualquer exigência excessiva" dos "países poderosos". "Vamos nos opor a toda exigência excessiva que sejam impostas por essas potências", afirmou o chefe de Estado, referindo-se aos "países poderosos".

No dia seguinte às negociações russo-iranianas em Moscou, que terminou sem resultados tangíveis, o negociador iraniano do tema nuclear, Ali Larijani, responsabilizou os Estados Unidos pelo fracasso da reunião entre russos e iranianos. "Os americanos criam obstáculos para a proposta russa. A insistência americana sobre o envio do caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) significa a destruição da proposta russa", disse o responsável iraniano durante uma entrevista coletiva.

Washington é um dos principais defensores da tese de que o Irã quer desenvolver a arma atômica sob o pretexto do programa civil e pressiona para que a comunidade internacional adote medidas para impedi-lo.

No entanto, o negociador iraniano tomou cuidado para não criticar diretamente os russos, já que a Rússia negocia paralelamente com o Irã a venda de mísseis terra-ar S-300, que poderiam servir para proteger as instalações nucleares iranianas. Segundo um especialista de não-proliferação do Centro Carnegie de Moscou, Vladimir Evseev, a questão dos mísseis é provavelmente mais importante que a do enriquecimento de urânio.

Moscou propôs enriquecer urânio em território russo para as centrais nucleares iranianas, numa forma de dissipar o temor de que o Irã utilize a tecnologia nuclear de enriquecimento para fabricar a bomba atômica. Mas as negociações teriam fracassado devido à intransigência de Teerã, que se nega a aceitar uma moratória de enriquecimento de urânio em seu território.

O principal ponto de divergência com a Rússia diz respeito à exigência de que Teerã decrete uma moratória sobre o enriquecimento de urânio em território iraniano. Neste sentido, Moscou tem a mesma posição que os ocidentais.

Os Estados Unidos, que criticam fortemente a intransigência de Teerã sobre a moratória nuclear, parecem não esperar qualquer avanço nas negociações, tanto com os russos quanto com os Europeus. "Depois da tentativa de resolver o problema através da negociação e de uma boa e razoável oferta da Rússia, temos que ir ao Conselho de Segurança da ONU", disse na quarta-feira um porta-voz do Departamento de Estado americano, Adam Ereli.

Nesta sexta-feira, o Irã se reunirá com a tróica européia (Alemanha, França, Grã-Bretanha), provavelmente em Viena, segundo fontes diplomáticas. E na segunda-feira, dia 6 de março, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) pode decidir o envio do caso iraniano ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que é cada vez mais provável depois do fracasso das negociações com Moscou.

Mais otimista do que os Estados Unidos, o diretor-geral da AIEA, Mohammed ElBaradei, pediu para o Irã, na reunião de sexta-feira, "mostrar total transparência em relação à AIEA" e tomar todas as medidas necessárias para dar garantias à comunidade internacional sobre a natureza pacífica de seu programa nuclear".

A última reunião da AIEA ocorreu no dia 4 de fevereiro e, naquela ocasião, decidiu-se pelo envio do caso ao Conselho de Segurança da ONU. No entanto, o Conselho de Governadores determinou que não haveria sanções até a reunião de 6 de março, quando já teria sido publicado um relatório atualizado sobre as inspeções da AIEA. O último relatório da AIEA aponta para "incertezas".

A troika européia enviou uma carta a Larijani na qual adverte que qualquer progresso dependerá do fim das atividades de enriquecimento dos iranianos e da cooperação destes com os inspetores da AIEA.

No entanto, o Irã parece estar longe de aceitar essas condições. Nesta quinta-feira, o país já retomou a retórica radical contra a comunidade internacional. Em visita à Malásia, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad reiterou seu "direito inalienável" à energia nuclear. Disse estar disposto a negociar, desde que não seja "sobre nossos direitos inalienáveis".

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