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Começa demolição do Mercado Municipal

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tatiane Conceição
Do Diário do Grande ABC

21/06/2010 | 07:09


O prédio onde funcionava o Mercado Municipal de São Bernardo será demolido a partir de hoje. A destruição do espaço, que hoje abriga moradores de rua, além de ser ponto de vandalismo, prostituição, tráfico e consumo de drogas, agrada aos vizinhos. No entanto, eles querem saber qual o futuro da área.

Situada em um prédio anexo, a Cooperativa dos Servidores de São Bernardo está preocupada, segundo seu presidente, João Roberto do Nascimento, 59 anos. Ele tem marcada para hoje reunião com a Prefeitura a fim de tratar do assunto. "Queremos saber se a demolição irá afetar o nosso negócio", adiantou. A cooperativa possui, segundo seus cálculos, 20 funcionários e 4.000 associados.

"Se só demolir, não vai resolver, tem de fazer algo no lugar", declarou a proprietária de uma loja próxima, Roseli Aparecida Impastaro, 46. Ela contou que seus clientes têm medo de deixar os carros estacionados próximos ao prédio e que, de cerca de um ano para cá, a situação piorou muito, gerando queda em seu faturamento. "Antes, até as 20h, era cheio de gente por aqui. Agora, depois das 18h, o pessoal passa rapidinho."

O frentista do posto em frente, Abdias Francisco da Silva, 44, trabalha no local há 19 anos. "Cheguei a pegar o mercadão no auge", contou. No entanto, quando ele foi desativado, em 2004, os preços eram muito caros e a clientela já havia se afastado, de acordo com o frentista. "Se for para derrubar e fazer algo, ótimo. Mas para deixar ao ‘Deus-dará', melhor ficar como está", completou.

Frequentador de um bar vizinho, o microempresário José Alaércio dos Santos, 44, deseja que o mercadão seja demolido o quanto antes. "Passou da hora. É necessário tirar o abrigo dos moradores de rua. Mulher não tem coragem de passar à noite neste espaço."

O futuro do antigo mercadão ainda é incerto. Em reunião realizada em maio, a administração de São Bernardo pediu ao Fuprem (Fundo de Previdência Municipal), proprietário do local, mais prazo para decidir se a área, avaliada em R$ 14,6 milhões, será readquirida pela Prefeitura ou se irá a leilão. O Fuprem informou na ocasião que pretende colocar o mercadão à venda caso não desperte interesse da administração municipal.

Fim do sonho iniciado em 1958
A demolição anunciada do prédio que abrigou o Mercado Municipal de São Bernardo coloca fim a um sonho que começou em 1958, quando a obra foi inaugurada, mas em outras condições, inclusive geográficas. O Mercado Municipal de São Bernardo nasceu em instalações adaptadas de um antigo curtume, que ficava no fim da Rua Padre Lustosa, entre os traçados da futura Avenida Faria Lima (a do corredor do trólebus) e Rua Jurubatuba, que já existia desde os tempos coloniais (século 19).

À época, o Mercado Municipal de São Bernardo se transformou em coqueluche. O prefeito Aldino Pinotti ali estava quase que cotidianamente, pois foi em seu primeiro governo que a obra foi inaugurada. Era uma novidade, já que o comércio se concentrava na Rua Marechal Deodoro e era formado por armazéns, açougues, padarias (como a célebre Panificadora Brasil), bazares, farmácias e drogarias, lojas e armarinhos, todos individuais.

Na década de 1970 o mercado foi transferido para as instalações que agora serão demolidas e que abrigaram, no início da década de 1970, o primeiro supermercado da cidade, chamado Moritão.

Novos supermercados e shopping centers foram projetados e instalados, em São Bernardo e Grande ABC. O comércio tradicional sucumbiu. Quem não alterou suas funções, fechou as portas. No caso dos mercados municipais, que foram moda entre os anos 1950 e 1960, apenas dois resistem: o de Santo André, na Avenida Santos Dumont, inaugurado em 1960 e hoje sem o glamour do passado, e o de Rudge Ramos, aberto em 1969. (Ademir Medici)



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