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Lauro Michels acaba com dinastia do PT

Candidato do PV vence prefeito Mário Reali (PT) por 60,44%
a 39,56% e põe fim à hegemonia de 30 anos do mesmo partido


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

29/10/2012 | 07:47


Há 30 anos, Diadema entrou para a história política nacional ao eleger o primeiro prefeito do PT. À ocasião, Gilson Menezes sucedeu Lauro Michels, iniciando uma hegemonia governista que durou três décadas. Ontem, coube a outro Lauro Michels, sobrinho-neto do ex-gestor público, colocar fim à dinastia petista e de seus aliados na cidade.

O prefeiturável do PV, que tem de idade os mesmos 30 anos de administrações governistas, venceu ontem o prefeito Mário Reali (PT), que buscava a reeleição. Michels conquistou 145.084 votos (60,44% dos votos válidos). Seu adversário, 94.963 adesões (39,56%). O petista, aliás, perdeu 10.493 votos entre o primeiro e o segundo turnos - na etapa inicial, havia recebido 105.456 votos.

Em três décadas, somente quatro pessoas se revezaram no poder. Além da gestão 1983-1988, Gilson comandou o município entre 1997 e 2000, pelo PSB. José de Filippi Júnior (PT) chefiou a Prefeitura em três oportunidades (de 1993 a 1996, de 2001 a 2004 e de 2005 e 2008). Hoje aliado de Michels, José Augusto da Silva Ramos (ex-PT, atual PSDB) foi prefeito de 1989 e 1992. Reali encerrou a fila, de 2009 a 2012.

Michels acompanhou a votação em escritório de um dos apoiadores. No comitê de campanha, na Rua Turmalinas, no Centro, militantes do PV se espremiam em sala apertada para acompanhar a apuração. Com as primeiras urnas computadas, e a diferença para o petista sempre acima dos 20 pontos, os verdes começaram a tomar a pequena rua na região central. Fogos de artifício já eram lançados e um spray de cabelo na cor verde foi distribuído. A festa estava anunciada.

O candidato chegou ao comitê às 18h20, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já o declarava vitorioso no pleito de Diadema. Cercado por seguranças, foi a uma sala dentro do local para conceder a primeira entrevista coletiva como prefeito eleito. "O povo venceu a máquina", sentenciou na primeira resposta dada aos jornalistas. "Encontraremos dívidas, sim, na Prefeitura. Pelo levantamento prévio, (o deficit) é R$ 1,1 bilhão. Vamos cortar cargos em comissão de 35% que estão engasgados para investir em Saúde e Educação. E o principal: fazer governo voltado à população."

O verde concedeu exatos cinco minutos e 44 segundos de entrevista. Já com o cabelo pintado de verde pelo spray, queria discursar para a militância que tomava a Rua Turmalinas.

"Sou do povo, sou de vocês", bradou. Foi ovacionado. Michels iniciou mansamente a fala como novo gestor de Diadema. Agradeceu correligionários, aliados, militância, vereadores eleitos e dirigentes partidários. Fez um minuto de silêncio em memória de seu pai, Ademar, morto em 2009 após sequestro. Mas não deixou de alfinetar o PT, relembrando críticas que pareciam engasgadas na garganta.

"Está aqui o moleque, Mário. Um moleque que tem responsabilidade e que acabou com um governo de 30 anos na cidade de Diadema", afirmou o oposicionista. Foi novamente aclamado pelos presentes. "O PT acabou com a cidade. E temos ciência que precisaremos trabalhar os quatro anos como não se trabalhou em 30 anos". Por fim, rezou um Pai Nosso e assistiu à nova queima de fogos. "Nossa vitória tem sabor de mel", brindou, antes de deixar o local cercado por seguranças.



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Lauro Michels acaba com dinastia do PT

Candidato do PV vence prefeito Mário Reali (PT) por 60,44%
a 39,56% e põe fim à hegemonia de 30 anos do mesmo partido

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

29/10/2012 | 07:47


Há 30 anos, Diadema entrou para a história política nacional ao eleger o primeiro prefeito do PT. À ocasião, Gilson Menezes sucedeu Lauro Michels, iniciando uma hegemonia governista que durou três décadas. Ontem, coube a outro Lauro Michels, sobrinho-neto do ex-gestor público, colocar fim à dinastia petista e de seus aliados na cidade.

O prefeiturável do PV, que tem de idade os mesmos 30 anos de administrações governistas, venceu ontem o prefeito Mário Reali (PT), que buscava a reeleição. Michels conquistou 145.084 votos (60,44% dos votos válidos). Seu adversário, 94.963 adesões (39,56%). O petista, aliás, perdeu 10.493 votos entre o primeiro e o segundo turnos - na etapa inicial, havia recebido 105.456 votos.

Em três décadas, somente quatro pessoas se revezaram no poder. Além da gestão 1983-1988, Gilson comandou o município entre 1997 e 2000, pelo PSB. José de Filippi Júnior (PT) chefiou a Prefeitura em três oportunidades (de 1993 a 1996, de 2001 a 2004 e de 2005 e 2008). Hoje aliado de Michels, José Augusto da Silva Ramos (ex-PT, atual PSDB) foi prefeito de 1989 e 1992. Reali encerrou a fila, de 2009 a 2012.

Michels acompanhou a votação em escritório de um dos apoiadores. No comitê de campanha, na Rua Turmalinas, no Centro, militantes do PV se espremiam em sala apertada para acompanhar a apuração. Com as primeiras urnas computadas, e a diferença para o petista sempre acima dos 20 pontos, os verdes começaram a tomar a pequena rua na região central. Fogos de artifício já eram lançados e um spray de cabelo na cor verde foi distribuído. A festa estava anunciada.

O candidato chegou ao comitê às 18h20, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já o declarava vitorioso no pleito de Diadema. Cercado por seguranças, foi a uma sala dentro do local para conceder a primeira entrevista coletiva como prefeito eleito. "O povo venceu a máquina", sentenciou na primeira resposta dada aos jornalistas. "Encontraremos dívidas, sim, na Prefeitura. Pelo levantamento prévio, (o deficit) é R$ 1,1 bilhão. Vamos cortar cargos em comissão de 35% que estão engasgados para investir em Saúde e Educação. E o principal: fazer governo voltado à população."

O verde concedeu exatos cinco minutos e 44 segundos de entrevista. Já com o cabelo pintado de verde pelo spray, queria discursar para a militância que tomava a Rua Turmalinas.

"Sou do povo, sou de vocês", bradou. Foi ovacionado. Michels iniciou mansamente a fala como novo gestor de Diadema. Agradeceu correligionários, aliados, militância, vereadores eleitos e dirigentes partidários. Fez um minuto de silêncio em memória de seu pai, Ademar, morto em 2009 após sequestro. Mas não deixou de alfinetar o PT, relembrando críticas que pareciam engasgadas na garganta.

"Está aqui o moleque, Mário. Um moleque que tem responsabilidade e que acabou com um governo de 30 anos na cidade de Diadema", afirmou o oposicionista. Foi novamente aclamado pelos presentes. "O PT acabou com a cidade. E temos ciência que precisaremos trabalhar os quatro anos como não se trabalhou em 30 anos". Por fim, rezou um Pai Nosso e assistiu à nova queima de fogos. "Nossa vitória tem sabor de mel", brindou, antes de deixar o local cercado por seguranças.

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