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Baravelli tem retrospectiva em S.Caetano


Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

07/11/2005 | 08:11


Luiz Paulo Baravelli criou quatro décadas atrás, aos 22 anos, o logotipo do Instituto Mauá de Tecnologia. Agora, até o dia 11 de dezembro, ele apresenta no campus de São Caetano da instituição de ensino o desenrolar, de lá para cá, de sua carreira de artista plástico. É uma exposição de 26 obras que percorrem o período de 1965 a 2005, entre elas esculturas, pinturas e desenhos – quatro pinturas são de 2005, exibidas pela primeira vez. A mostra, em cartaz no hall da biblioteca do espaço, tem entrada franca.

Baravelli diz que pode-se considerar a exposição como uma retrospectiva de sua trajetória artística. Ela contempla boa parte dos suportes e técnicas utilizadas por ele. “Mas é uma retrospectiva pequena, dado o espaço e as características do lugar”, afirma.

Uma característica em evidência na mostra é o diálogo que Baravelli promove entre figuração e abstração: “Um pintor parte da visão. Basta olhar pela janela que se é figurativo. Mas dentro da mesma cabeça há todo um mundo de idéias, coisas necessariamente abstratas e gerais. Quanto mais se vê e quanto mais se estuda, mais matéria-prima. Depois é só ligar A com B”, explica o artista.

Outro elemento bastante explorado nas obras é a arquitetura, sobretudo no caso das esculturas. Baravelli estudou – mas não se formou – na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e atuou vários anos como perspectivista em escritórios de arquitetos. As esculturas são de um período em que a arquitetura estava muito presente em sua mente.

Em muitas das obras nota-se também uma economia formal, ou seja, o uso de poucos elementos na criação. Ao falar sobre essa característica, ele menciona o que considera um bom princípio arquitetônico: “menos é mais”. “Para um escultor principiante isso quer dizer ‘reduzir é errar menos‘. Depois, nas pinturas, quando me senti mais seguro, ampliei a gama de assuntos e processos, mas procuro sempre o menos possível para conseguir um resultado”.


Carro novo – Em relação à criação da marca do Instituto Mauá de Tecnologia, há um texto de autoria de Baravelli na exposição. Um trecho dele diz: “Talvez uma definição simples de engenharia seria manter fixas as coisas que devem ser fixas (uma casa, por exemplo), manter em movimento as coisas que devem se mover (um carro, por exemplo) e estudar um ajuste correto entre coisas fixas e móveis (evitar que o carro bata na casa, por exemplo). O que pode simbolizar o estático? Um quadrado, horizontal e vertical. O que pode simbolizar o dinâmico? Um círculo. E o que pode representar a engenharia? Uma relação de ajuste eficiente entre estes dois símbolos. E ainda, o que pode representar uma escola de engenharia? A idéia de crescimento, de um espaço experimental abrigado mas análogo ao espaço externo, profissional. O desenho da marca partiu desse encadeamento de idéias”.

O desenho de Baravelli foi escolhido como marca da Mauá por meio de um concurso público, o que rendeu dinheiro a ele. No mesmo texto, o artista diz: “Fiquei muito contente, vendi o velho fusquinha e, com o prêmio, comprei um novo, com teto solar, desde logo batizado de Mauá”.

Questionado sobre o destino do então novo carro, Baravelli respondeu: “Um Fusca 1965 provavelmente não anda mais... Lá por 1972, depois de uma bela batida, foi trocado por uma Variant bege – maiorzinha, para levar quadros”.

Na área de artes gráficas, ele atuou muito pouco. Além da marca do instituto, fez pequenos projetos de cartazes e catálogos, na mesma época. Mas já havia optado pela pintura. A elaboração do logotipo foi então começo e fim de sua curta carreira de artista gráfico.

Já como artista plástico, figura entre os mais importantes brasileiros contemporâneos. Mostras individuais no Brasil e no exterior, participações em outras tantas exposições coletivas e ainda em eventos como as bienais de arte de São Paulo e de Veneza (Itália) estão no currículo do artista.


Luiz Paulo Baravelli – Exposição. Na biblioteca do campus de São Caetano do Instituto Mauá de Tecnologia – praça Mauá, 1. Tel.: 4239-3097. De segunda a sexta, das 7h30 às 22h50, e sábados, das 7h30 às 18h. Entrada franca. Até 11 de dezembro.



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Baravelli tem retrospectiva em S.Caetano

Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC

07/11/2005 | 08:11


Luiz Paulo Baravelli criou quatro décadas atrás, aos 22 anos, o logotipo do Instituto Mauá de Tecnologia. Agora, até o dia 11 de dezembro, ele apresenta no campus de São Caetano da instituição de ensino o desenrolar, de lá para cá, de sua carreira de artista plástico. É uma exposição de 26 obras que percorrem o período de 1965 a 2005, entre elas esculturas, pinturas e desenhos – quatro pinturas são de 2005, exibidas pela primeira vez. A mostra, em cartaz no hall da biblioteca do espaço, tem entrada franca.

Baravelli diz que pode-se considerar a exposição como uma retrospectiva de sua trajetória artística. Ela contempla boa parte dos suportes e técnicas utilizadas por ele. “Mas é uma retrospectiva pequena, dado o espaço e as características do lugar”, afirma.

Uma característica em evidência na mostra é o diálogo que Baravelli promove entre figuração e abstração: “Um pintor parte da visão. Basta olhar pela janela que se é figurativo. Mas dentro da mesma cabeça há todo um mundo de idéias, coisas necessariamente abstratas e gerais. Quanto mais se vê e quanto mais se estuda, mais matéria-prima. Depois é só ligar A com B”, explica o artista.

Outro elemento bastante explorado nas obras é a arquitetura, sobretudo no caso das esculturas. Baravelli estudou – mas não se formou – na FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e atuou vários anos como perspectivista em escritórios de arquitetos. As esculturas são de um período em que a arquitetura estava muito presente em sua mente.

Em muitas das obras nota-se também uma economia formal, ou seja, o uso de poucos elementos na criação. Ao falar sobre essa característica, ele menciona o que considera um bom princípio arquitetônico: “menos é mais”. “Para um escultor principiante isso quer dizer ‘reduzir é errar menos‘. Depois, nas pinturas, quando me senti mais seguro, ampliei a gama de assuntos e processos, mas procuro sempre o menos possível para conseguir um resultado”.


Carro novo – Em relação à criação da marca do Instituto Mauá de Tecnologia, há um texto de autoria de Baravelli na exposição. Um trecho dele diz: “Talvez uma definição simples de engenharia seria manter fixas as coisas que devem ser fixas (uma casa, por exemplo), manter em movimento as coisas que devem se mover (um carro, por exemplo) e estudar um ajuste correto entre coisas fixas e móveis (evitar que o carro bata na casa, por exemplo). O que pode simbolizar o estático? Um quadrado, horizontal e vertical. O que pode simbolizar o dinâmico? Um círculo. E o que pode representar a engenharia? Uma relação de ajuste eficiente entre estes dois símbolos. E ainda, o que pode representar uma escola de engenharia? A idéia de crescimento, de um espaço experimental abrigado mas análogo ao espaço externo, profissional. O desenho da marca partiu desse encadeamento de idéias”.

O desenho de Baravelli foi escolhido como marca da Mauá por meio de um concurso público, o que rendeu dinheiro a ele. No mesmo texto, o artista diz: “Fiquei muito contente, vendi o velho fusquinha e, com o prêmio, comprei um novo, com teto solar, desde logo batizado de Mauá”.

Questionado sobre o destino do então novo carro, Baravelli respondeu: “Um Fusca 1965 provavelmente não anda mais... Lá por 1972, depois de uma bela batida, foi trocado por uma Variant bege – maiorzinha, para levar quadros”.

Na área de artes gráficas, ele atuou muito pouco. Além da marca do instituto, fez pequenos projetos de cartazes e catálogos, na mesma época. Mas já havia optado pela pintura. A elaboração do logotipo foi então começo e fim de sua curta carreira de artista gráfico.

Já como artista plástico, figura entre os mais importantes brasileiros contemporâneos. Mostras individuais no Brasil e no exterior, participações em outras tantas exposições coletivas e ainda em eventos como as bienais de arte de São Paulo e de Veneza (Itália) estão no currículo do artista.


Luiz Paulo Baravelli – Exposição. Na biblioteca do campus de São Caetano do Instituto Mauá de Tecnologia – praça Mauá, 1. Tel.: 4239-3097. De segunda a sexta, das 7h30 às 22h50, e sábados, das 7h30 às 18h. Entrada franca. Até 11 de dezembro.

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