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Com outros olhos

Uma troca de olhares, mais um pouco, e de repente uma história


Carlos Ferrari

28/09/2011 | 00:00


Uma troca de olhares, mais um pouco, e de repente uma história. Bem provavelmente esse não será o final feliz de um casal, onde uma das partes seja cego ou cega. Digo bem provável, visto que não podemos prever as relações em sua totalidade. Quem sabe, algum dia em algum lugar, uma troca de olhares involuntária independentemente de ver ou não ver, possa ter sido decisiva para uma bela história de amor.

O fato concreto, no entanto, é que pessoas cegas, principalmente aquelas que nunca enxergaram ou há muito não veem, têm algumas dificuldades na comunicação não verbal. Como já nos mostrou um best seller internacional, O Corpo Fala. E a dificuldade para se expressar a partir de outras alternativas para além da verbal vai variar muito do histórico de vida, de oportunidades de interesse, e porque não dizer, de assimilação de cada sujeito.

Essa análise pode se dar a partir de vários aspectos, começando pelo mais básico, por exemplo. Ou seja, a forma de se vestir. O fato de não enxergar não deixa livre ninguém, para se vestir, desconsiderando ambientes, situações e possibilidades de combinação de cores. Muitos confundem o que digo com a condição financeira, o que de fato acaba sendo uma desculpa frágil, tendo em vista que todos os dias encontramos pelas ruas pessoas bem ou mal vestidas, independentemente do poder aquisitivo. Nesse debate também não podemos esquecer as preferências individuais de cada um. Logo, poderemos ter pessoas enxergando ou não com vestimentas exóticas, fora do padrão de normalidade, por escolha, excentricidade ou qualquer outro nome que queira se dar, mas nunca por descuido ou desaviso.

Outro aspecto que também deve ser considerado são as expressões faciais. Alguém me disse uma vez que pessoas cegas acabam, de repente, saltando de um sorriso para uma feição bastante séria sem que nada aparente possa ter ocorrido. Nessa oportunidade a conversa foi muito interessante, pois argumentei que essa situação talvez ocorresse por conta da diversidade de assuntos, ou seja, quem não enxerga acaba mudando as expressões à medida que muda o rumo da prosa, sem construir consciente ou inconscientemente uma transição facial, o que em tese visualmente possa vir a parecer meio estranho. Outras situações ainda são bastante comuns, como esquecer de abrir os olhos, cacoetes de movimentos com a cabeça ou com as mãos, e desvio do olhar.

Como eu já disse anteriormente, esses deficits são produtos de inúmeras variáveis, que acredito possam ser em boa parte sanadas, caso se tenha um conjunto de esforços para tal. Ao contrário do que muitos possam acreditar, falar diretamente com a pessoa sobre suas dificuldades não é necessariamente uma atitude ofensiva. Diferente disso, essa pode ser uma primeira possibilidade encontrada pelo indivíduo para trabalhar suas dificuldades, muitas vezes desconhecidas por ele.

Por fim é importante deixar claro que essas habilidades podem, sim, ser melhor desenvolvidas, porém dificilmente estejam no know-how das grandes virtudes adquiridas por qualquer pessoa cega. Isso, no entanto, não deve ser um pretexto para que uma decisão seja tomada, e essa questão passe a ser vista com outros olhos!



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