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Igreja Anglicana discute a homossexualidade


Da AFP

14/10/2003 | 15:36


O arcebispo de Canterbury e chefe da Igreja Anglicana, Rowan Williams, reunirá os 38 primados de sua igreja na quinta-feira e sexta-feira para discutir o lugar dos homossexuais na congregação, com o objetivo de evitar um racha.

Em agosto passado, a eleição de Gene Robinson, um homossexual, para o função de bispo de New Hampshire, pela Igreja Episcopaliana, braço americano da Igreja Anglicana, provocou enorme controvérsia na comunidade anglicana, que tem 70 milhões de fiéis em todo o mundo.

A polêmica sobre a nomeação de Robinson, divorciado e pai de dois filhos que agora vive com outro homem, ultrapassou todos os limites da Igreja Episcopaliana, que tem apenas 2,3 milhões de fiéis, e foi reforçada pela decisão do bispo da diocese canadense de New Westminster de abençoar as uniões homossexuais.

A Igreja Anglicana aceita a homossexualidade dos fiéis, mas considerava até agora que os homossexuais não-castos não deviam ocupar funções de sacerdote ou bispo.

Os 38 primados anglicanos, chefes de dioceses tão diferentes quanto a Austrália, o Canadá, Estados Unidos, Paquistão, Nigéria ou África Austral, tentarão encontrar uma posição comum nos dois dias de debates a portas fechadas.

O arcebispo de Canterbury preside a Comunhão Anglicana, mas não tem autoridade direta sobre as diferentes dioceses, que são autônomas.

"Os 38 primados dirão abertamente o que pensam sobre o lugar dos homossexuais. Não há autoridade central, ninguém pode decidir pelas outras Igrejas", disse um porta-voz da Comunhão Anglicana.

Rowan Williams, que assumiu como arcebispo de Canterbury em fevereiro passado, é pessoalmente favorável à ordenação de sacerdotes e bispos homossexuais. No entanto, terá que se esforçar para manter a unidade dos anglicanos, cuja maioria dos primados se opõem à decisão da Igreja Episcopaliana e pedem sua expulsão.

A controvérsia coloca em posições opostas as Igrejas de países ricos, divididas a respeito, mas em geral liberais, e as dos países em vias de desenvolvimento, mais tradicionais.

O monsenhor Peter Akinola, arcebispo da diocese da Nigéria, a mais importante do mundo pelo número de fiéis (18 milhões), ameaçou inclusive com um racha caso um homossexual se torne bispo anglicano. A maioria das Igrejas da África, Ásia e América Latina sustentam a mesma posição.

No hemisfério norte, o debate opõe liberais e evangelistas, como na Igreja da Inglaterra. A corrente evangelista conta com mais fiéis e tem mais influência. Suas paróquias são mais ricas e ameaçam deixar de contribuir com as finanças da Igreja.

Nos Estados Unidos, a minoria episcopaliana contrária à ordenação de Gene Robinson pediu a criação de uma diocese separada, não mais organizada em função de critérios geográficos.

A controvérsia poderia afetar, ainda, a aproximação entre a Igreja Anglicana e a Católica. O papa João Paulo II e seus colaboradores manifestaram o temor de que esse obstáculo impedisse a união das duas Igrejas, durante uma visita que o monsenhor Rowan Williams fez ao Vaticano no início de outubro.



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Igreja Anglicana discute a homossexualidade

Da AFP

14/10/2003 | 15:36


O arcebispo de Canterbury e chefe da Igreja Anglicana, Rowan Williams, reunirá os 38 primados de sua igreja na quinta-feira e sexta-feira para discutir o lugar dos homossexuais na congregação, com o objetivo de evitar um racha.

Em agosto passado, a eleição de Gene Robinson, um homossexual, para o função de bispo de New Hampshire, pela Igreja Episcopaliana, braço americano da Igreja Anglicana, provocou enorme controvérsia na comunidade anglicana, que tem 70 milhões de fiéis em todo o mundo.

A polêmica sobre a nomeação de Robinson, divorciado e pai de dois filhos que agora vive com outro homem, ultrapassou todos os limites da Igreja Episcopaliana, que tem apenas 2,3 milhões de fiéis, e foi reforçada pela decisão do bispo da diocese canadense de New Westminster de abençoar as uniões homossexuais.

A Igreja Anglicana aceita a homossexualidade dos fiéis, mas considerava até agora que os homossexuais não-castos não deviam ocupar funções de sacerdote ou bispo.

Os 38 primados anglicanos, chefes de dioceses tão diferentes quanto a Austrália, o Canadá, Estados Unidos, Paquistão, Nigéria ou África Austral, tentarão encontrar uma posição comum nos dois dias de debates a portas fechadas.

O arcebispo de Canterbury preside a Comunhão Anglicana, mas não tem autoridade direta sobre as diferentes dioceses, que são autônomas.

"Os 38 primados dirão abertamente o que pensam sobre o lugar dos homossexuais. Não há autoridade central, ninguém pode decidir pelas outras Igrejas", disse um porta-voz da Comunhão Anglicana.

Rowan Williams, que assumiu como arcebispo de Canterbury em fevereiro passado, é pessoalmente favorável à ordenação de sacerdotes e bispos homossexuais. No entanto, terá que se esforçar para manter a unidade dos anglicanos, cuja maioria dos primados se opõem à decisão da Igreja Episcopaliana e pedem sua expulsão.

A controvérsia coloca em posições opostas as Igrejas de países ricos, divididas a respeito, mas em geral liberais, e as dos países em vias de desenvolvimento, mais tradicionais.

O monsenhor Peter Akinola, arcebispo da diocese da Nigéria, a mais importante do mundo pelo número de fiéis (18 milhões), ameaçou inclusive com um racha caso um homossexual se torne bispo anglicano. A maioria das Igrejas da África, Ásia e América Latina sustentam a mesma posição.

No hemisfério norte, o debate opõe liberais e evangelistas, como na Igreja da Inglaterra. A corrente evangelista conta com mais fiéis e tem mais influência. Suas paróquias são mais ricas e ameaçam deixar de contribuir com as finanças da Igreja.

Nos Estados Unidos, a minoria episcopaliana contrária à ordenação de Gene Robinson pediu a criação de uma diocese separada, não mais organizada em função de critérios geográficos.

A controvérsia poderia afetar, ainda, a aproximação entre a Igreja Anglicana e a Católica. O papa João Paulo II e seus colaboradores manifestaram o temor de que esse obstáculo impedisse a união das duas Igrejas, durante uma visita que o monsenhor Rowan Williams fez ao Vaticano no início de outubro.

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