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Forças Armadas de Fiji consolidam poder depois de golpe de Estado


Da AFP

06/12/2006 | 10:03


Um dia depois do golpe de Estado, as Forças Armadas de Fiji consolidaram seu poder nesta quarta-feira com a nomeação de um novo primeiro-ministro, a dissolução do Parlamento e a imposição do estado de emergência, o que permitiu a prisão de vários opositores.

O primeiro-ministro destituído, Laisenia Qarase, declarou que continua sendo o chefe de Governo do país e previu que milhares de fijianos se rebelarão pacificamente contra os militares golpistas.

"Acho que acontecerá uma reação pacífica de milhares de fijianos nos próximos dias e isso poderá mudar as coisas", assinalou Qarase pouco antes de tomar um avião para a ilha Marava, para onde foi enviado por militares.

"Qarase e seus amigos não voltarão", afirmou, em tom desafiante, o comandante das Forças Armadas de Fiji, o contra-almirante Voreqe Bainimarama, autor do quarto golpe de Estado em Fiji em menos de 20 anos.

O militar empossou como premiê interino Jona Baravilala Senilagakali, um médico civil sem experiência política.

Diante da possibilidade de um contragolpe, Bainimarama instaurou o estado de emergência e prendeu dirigentes policiais, políticos e jurídicos. O comandante militar anunciou a dissolução oficial do Parlamento e a destituição dos chefes de polícia e da administração penitenciária.

Os políticos fijianos em sua grande maioria denunciaram o golpe de Estado. O chefe do Partido Trabalhista e ex-primeiro-ministro Mahendra Chaudhry lamentou que o arquipélago não consiga superar sua "cultura do golpe de Estado".

O líder da oposição, Mick Beddoes, disse temer pela economia do país, que depende em grande parte do turismo.

Estas vozes discordantes não tiveram qualquer eco devido à censura imposta aos meios de comunicação pelas Forças Armadas. O golpe também foi condenado no mundo. A União Européia exigiu que o poder seja entregue ao governo democraticamente eleito. Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Grã-Bretanha anunciaram a suspensão de sua cooperação militar.

O general Bainimarama alega que o golpe era necessário frente às acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Laisenia Qarase.

Há vários meses Bainimarama denunciava a ‘corrupção’ do governo de Qarase e exigia, em particular, o abandono de um projeto de lei que anistiava alguns dos autores nacionalistas do golpe de Estado de 2000, que quase lhe custou a vida.

O conflito entre o chefe militar e o primeiro-ministro destituído se inscreve nas repetidas tensões entre a minoria de origem indiana e a maioria de origem fijiana.

Voreqe Bainimarama se apresenta como defensor da minoria étnica indiana diante do apoio dado aos fijianos pelo Partido Unificado Fijiano (SDL), do nacionalista Qarase.
 
Em 1999, Bainimarama chegou ao comando do Exército com a imagem de um homem moderado que iria despolitizar as Forças Armadas, que haviam executado dois golpes de Estado em 1987.



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Forças Armadas de Fiji consolidam poder depois de golpe de Estado

Da AFP

06/12/2006 | 10:03


Um dia depois do golpe de Estado, as Forças Armadas de Fiji consolidaram seu poder nesta quarta-feira com a nomeação de um novo primeiro-ministro, a dissolução do Parlamento e a imposição do estado de emergência, o que permitiu a prisão de vários opositores.

O primeiro-ministro destituído, Laisenia Qarase, declarou que continua sendo o chefe de Governo do país e previu que milhares de fijianos se rebelarão pacificamente contra os militares golpistas.

"Acho que acontecerá uma reação pacífica de milhares de fijianos nos próximos dias e isso poderá mudar as coisas", assinalou Qarase pouco antes de tomar um avião para a ilha Marava, para onde foi enviado por militares.

"Qarase e seus amigos não voltarão", afirmou, em tom desafiante, o comandante das Forças Armadas de Fiji, o contra-almirante Voreqe Bainimarama, autor do quarto golpe de Estado em Fiji em menos de 20 anos.

O militar empossou como premiê interino Jona Baravilala Senilagakali, um médico civil sem experiência política.

Diante da possibilidade de um contragolpe, Bainimarama instaurou o estado de emergência e prendeu dirigentes policiais, políticos e jurídicos. O comandante militar anunciou a dissolução oficial do Parlamento e a destituição dos chefes de polícia e da administração penitenciária.

Os políticos fijianos em sua grande maioria denunciaram o golpe de Estado. O chefe do Partido Trabalhista e ex-primeiro-ministro Mahendra Chaudhry lamentou que o arquipélago não consiga superar sua "cultura do golpe de Estado".

O líder da oposição, Mick Beddoes, disse temer pela economia do país, que depende em grande parte do turismo.

Estas vozes discordantes não tiveram qualquer eco devido à censura imposta aos meios de comunicação pelas Forças Armadas. O golpe também foi condenado no mundo. A União Européia exigiu que o poder seja entregue ao governo democraticamente eleito. Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Grã-Bretanha anunciaram a suspensão de sua cooperação militar.

O general Bainimarama alega que o golpe era necessário frente às acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Laisenia Qarase.

Há vários meses Bainimarama denunciava a ‘corrupção’ do governo de Qarase e exigia, em particular, o abandono de um projeto de lei que anistiava alguns dos autores nacionalistas do golpe de Estado de 2000, que quase lhe custou a vida.

O conflito entre o chefe militar e o primeiro-ministro destituído se inscreve nas repetidas tensões entre a minoria de origem indiana e a maioria de origem fijiana.

Voreqe Bainimarama se apresenta como defensor da minoria étnica indiana diante do apoio dado aos fijianos pelo Partido Unificado Fijiano (SDL), do nacionalista Qarase.
 
Em 1999, Bainimarama chegou ao comando do Exército com a imagem de um homem moderado que iria despolitizar as Forças Armadas, que haviam executado dois golpes de Estado em 1987.

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