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Ferramentas centenárias. Pedaços de madeira de lei. A arte de Natalino Vertematti


Ademir Medici

02/12/2018 | 07:00


 Durante décadas Flavio Vertematte preservou, com muito zelo, as ferramentas que seu pai, Natalino Vertematti, projetou e construiu. São, basicamente, instrumentos usados na marcenaria e carpintaria, fortes, envernizados, perfeitos apesar das marcas determinadas pelo uso e pelo tempo.

Aos 88 anos, em plena atividade diária na sua indústria – a Unitec, de Ribeirão Pires, que projeta e produz discos de fricção para tratores, embreagens e freios industriais –, Sr. Flavio procurou esta página Memória e indagou:
– Que destino devo dar a estas ferramentas?
Nossa resposta:
– O senhor deve identificar e mostrar às novas gerações para o que serviam essas ferramentas.

RAÍZ DE INDÚSTRIA
Flavio Vertematte não só acatou a sugestão como iniciou a identificação de cada peça. Como foi que seu pai as construiu. Quais as outras ferramentas que ele comprou já prontas.

Havia os vendedores de madeira e lenha para as mais variadas finalidades. As melhores espécies eram guardadas pelos revendedores. Entre eles, Amaro, que possuía depósito de madeira no fim da Rua Fernando Prestes, em Santo André. Quantos ipês meu pai comprou do Amaro.

Todo mês que sobrava um dinheirinho, meu pai usava para comprar uma ferramenta nova. Este nível de precisão foi um deles.

Uma a uma, Sr. Flavio foi narrando a história das ferramentas herdadas do pai. As plainas formam uma família. Foram feitas com o uso de pedaços de canela, maçaranduba, aroeira, espécies comuns no passado da região, tanto que com estas e outras árvores nasceu a indústria moveleira local, e não só em São Bernardo – Santo André e São Caetano tiveram numerosas fábricas de móveis e marcenarias e carpintarias.

NOMENCLATURA
Fotografamos Sr. Flávio nos apresentando as ferramentas. Gravamos sua fala. Lembramos de antigos marceneiros que tinham ferramentas idênticas. Cada marceneiro tinha sua própria caixa de ferramentas, um dos quais o memorialista Mario Stangorlini, de São Bernardo. As fábricas davam preferência aos oficiais que tinham esquadros, garlopas, graminhos, guilhermes (machos e fêmeas), caranguejos.

Aprendemos com o Sr. Flávio. E vamos dividir seus ensinamentos com o prezado leitor. De antemão fazendo uma sugestão às nossas casas de memória: por que não realizar uma exposição coletiva e itinerante, que percorra as sete cidades? Ao final, Flavio Vertematte escolherá a casa que ficará com a coleção organizada pelo pai.

Clássico do Diário há 60 anos
Ainda sobre o 1º de abril de 1964, Cândido Giraldez Vieitez, em tese de doutorado apresentada à PUC (Pontifícia Universidade Católica), faz o seguinte relato:
(...) quais Sancho Pança e D. Quixote redivivos do romance de Grahan Green, um dos mais respeitados e antigos líderes sindicais de Santo André, o comunista Marcos Andreotti, e um padre da ‘Nova Igreja’, que até então tinham andado às turras, montaram num velho jipe e desandaram numa verdadeira ‘via-crucis’ política.
De porta em porta, de fábrica em fábrica, percorreram a cidade esclarecendo aos trabalhadores sobre a gravidade do que ocorria e conclamando-os a resistirem com a greve geral.
Ante sua completa perplexidade, que seria também a perplexidade de outros líderes que viveram experiência semelhante, os trabalhadores ouviram-nos com um levantar de sobrancelhas e um encolher de ombros. E responderam com a volta ao trabalho.

Ainda segundo o autor, em nota:
Segundo relatos, teriam parado uma empresa metalúrgica, a Elevadores Otis, e mais umas quantas fábricas pequenas; brevemente, porém.

AMANHÃ
Uma história muito presente.

Diário há 30 anos
Sexta-feira, 2 de dezembro de 1988 – ano 31, edição 6925
Manchete – TSE devolve 50 vereadores ao Grande ABC
O Tribunal Superior Eleitoral decidia estabelecer nas Câmaras Municipais dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul o número de vereadores existentes até 25 de outubro.
Parlamentares passam a ganhar 100 salários mínimos.

Em 2 de dezembro de...
Sexta-feira, 2 de dezembro de 1988 – ano 31, edição 6925
Manchete – TSE devolve 50 vereadores ao Grande ABC
O Tribunal Superior Eleitoral decidia estabelecer nas Câmaras Municipais dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul o número de vereadores existentes até 25 de outubro.
n Parlamentares passam a ganhar 100 salários mínimos.

Hoje
Dia Nacional de Relações Públicas
Dia da Astronomia

Municípios brasileiros
Celebram aniversários em 2 de dezembro:

Em São Paulo, Araçatuba, Avaí e Presidente Alves
No Rio Grande do Sul, Alto Alegre, Boa Vista do Buricá e Nova Hartz
Na Paraíba, Aroeiras e Uiraúna
No Piauí, Francisco Ayres e Regeneração
Na Bahia, Ipiaú
Em Alagoas, Olho d’Água das Flores e Paulo Jacinto
No Maranhão, Santa Rita
Fonte: IBGE

Santos do dia
Bibiana. Viveu no século 4 em Roma. Padroeira da cidade paulista de Martinópolis.
Ita Ford, Maura Clarke, Dorothy Kazel e Jean Donavan, missionários norte-americanos assassinados em El Salvador em 1980.

Interação com o Facebook
Minha cidade tem ciganos e banqueiros. Os banqueiros são invisíveis. Sei que os banqueiros existem porque às vezes suas fotos são publicadas nos jornais. Mas ninguém até hoje conseguiu ver um banqueiro nos ônibus da Viação Santa Brígida.
Da crônica de Lourenço Diaféria publicada pelo Diário em 2 de dezembro de 1988. Obra-prima. Confiram a íntegra no Facebook da Memória – acessem o endereço acima.



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Ferramentas centenárias. Pedaços de madeira de lei. A arte de Natalino Vertematti

Ademir Medici

02/12/2018 | 07:00


 Durante décadas Flavio Vertematte preservou, com muito zelo, as ferramentas que seu pai, Natalino Vertematti, projetou e construiu. São, basicamente, instrumentos usados na marcenaria e carpintaria, fortes, envernizados, perfeitos apesar das marcas determinadas pelo uso e pelo tempo.

Aos 88 anos, em plena atividade diária na sua indústria – a Unitec, de Ribeirão Pires, que projeta e produz discos de fricção para tratores, embreagens e freios industriais –, Sr. Flavio procurou esta página Memória e indagou:
– Que destino devo dar a estas ferramentas?
Nossa resposta:
– O senhor deve identificar e mostrar às novas gerações para o que serviam essas ferramentas.

RAÍZ DE INDÚSTRIA
Flavio Vertematte não só acatou a sugestão como iniciou a identificação de cada peça. Como foi que seu pai as construiu. Quais as outras ferramentas que ele comprou já prontas.

Havia os vendedores de madeira e lenha para as mais variadas finalidades. As melhores espécies eram guardadas pelos revendedores. Entre eles, Amaro, que possuía depósito de madeira no fim da Rua Fernando Prestes, em Santo André. Quantos ipês meu pai comprou do Amaro.

Todo mês que sobrava um dinheirinho, meu pai usava para comprar uma ferramenta nova. Este nível de precisão foi um deles.

Uma a uma, Sr. Flavio foi narrando a história das ferramentas herdadas do pai. As plainas formam uma família. Foram feitas com o uso de pedaços de canela, maçaranduba, aroeira, espécies comuns no passado da região, tanto que com estas e outras árvores nasceu a indústria moveleira local, e não só em São Bernardo – Santo André e São Caetano tiveram numerosas fábricas de móveis e marcenarias e carpintarias.

NOMENCLATURA
Fotografamos Sr. Flávio nos apresentando as ferramentas. Gravamos sua fala. Lembramos de antigos marceneiros que tinham ferramentas idênticas. Cada marceneiro tinha sua própria caixa de ferramentas, um dos quais o memorialista Mario Stangorlini, de São Bernardo. As fábricas davam preferência aos oficiais que tinham esquadros, garlopas, graminhos, guilhermes (machos e fêmeas), caranguejos.

Aprendemos com o Sr. Flávio. E vamos dividir seus ensinamentos com o prezado leitor. De antemão fazendo uma sugestão às nossas casas de memória: por que não realizar uma exposição coletiva e itinerante, que percorra as sete cidades? Ao final, Flavio Vertematte escolherá a casa que ficará com a coleção organizada pelo pai.

Clássico do Diário há 60 anos
Ainda sobre o 1º de abril de 1964, Cândido Giraldez Vieitez, em tese de doutorado apresentada à PUC (Pontifícia Universidade Católica), faz o seguinte relato:
(...) quais Sancho Pança e D. Quixote redivivos do romance de Grahan Green, um dos mais respeitados e antigos líderes sindicais de Santo André, o comunista Marcos Andreotti, e um padre da ‘Nova Igreja’, que até então tinham andado às turras, montaram num velho jipe e desandaram numa verdadeira ‘via-crucis’ política.
De porta em porta, de fábrica em fábrica, percorreram a cidade esclarecendo aos trabalhadores sobre a gravidade do que ocorria e conclamando-os a resistirem com a greve geral.
Ante sua completa perplexidade, que seria também a perplexidade de outros líderes que viveram experiência semelhante, os trabalhadores ouviram-nos com um levantar de sobrancelhas e um encolher de ombros. E responderam com a volta ao trabalho.

Ainda segundo o autor, em nota:
Segundo relatos, teriam parado uma empresa metalúrgica, a Elevadores Otis, e mais umas quantas fábricas pequenas; brevemente, porém.

AMANHÃ
Uma história muito presente.

Diário há 30 anos
Sexta-feira, 2 de dezembro de 1988 – ano 31, edição 6925
Manchete – TSE devolve 50 vereadores ao Grande ABC
O Tribunal Superior Eleitoral decidia estabelecer nas Câmaras Municipais dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul o número de vereadores existentes até 25 de outubro.
Parlamentares passam a ganhar 100 salários mínimos.

Em 2 de dezembro de...
Sexta-feira, 2 de dezembro de 1988 – ano 31, edição 6925
Manchete – TSE devolve 50 vereadores ao Grande ABC
O Tribunal Superior Eleitoral decidia estabelecer nas Câmaras Municipais dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul o número de vereadores existentes até 25 de outubro.
n Parlamentares passam a ganhar 100 salários mínimos.

Hoje
Dia Nacional de Relações Públicas
Dia da Astronomia

Municípios brasileiros
Celebram aniversários em 2 de dezembro:

Em São Paulo, Araçatuba, Avaí e Presidente Alves
No Rio Grande do Sul, Alto Alegre, Boa Vista do Buricá e Nova Hartz
Na Paraíba, Aroeiras e Uiraúna
No Piauí, Francisco Ayres e Regeneração
Na Bahia, Ipiaú
Em Alagoas, Olho d’Água das Flores e Paulo Jacinto
No Maranhão, Santa Rita
Fonte: IBGE

Santos do dia
Bibiana. Viveu no século 4 em Roma. Padroeira da cidade paulista de Martinópolis.
Ita Ford, Maura Clarke, Dorothy Kazel e Jean Donavan, missionários norte-americanos assassinados em El Salvador em 1980.

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Minha cidade tem ciganos e banqueiros. Os banqueiros são invisíveis. Sei que os banqueiros existem porque às vezes suas fotos são publicadas nos jornais. Mas ninguém até hoje conseguiu ver um banqueiro nos ônibus da Viação Santa Brígida.
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