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Projeto de piscinão de São Bernardo poupa chácara


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

14/07/2005 | 07:58


O piscinão do bairro Taboão, em São Bernardo, será construído exatamente ao lado da antiga chácara do ex-prefeito da cidade Lauro Gomes. No projeto original, o reservatório passaria pelo meio da chácara. No entanto, um acordo entre o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e o Compach (Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural) determinou alterações no traçado e preservação de cerca 4 mil m² do total de 70 mil m² do terreno, que está prestes a ser tombado.

Palco de grandes festas no passado, a chácara, localizada na avenida Taboão, em São Bernardo, ainda preserva em parte o seu projeto paisagístico. Árvores como jacarandá, quaresmeira, tapiá, pinheiro, palmeira e eucalipto resistem, apesar do aparente abandono da área. Para preservar o patrimônio natural, o Compach abriu no dia 13 de dezembro de 2004 o processo de tombamento da antiga chácara.

Coincidentemente, os documentos foram encaminhados pelo conselho seis dias após o governador Geraldo Alckmin ter anunciado a construção do piscinão na chácara Lauro Gomes, reservatório que vai conter as enchentes no Km 13 da via Anchieta, geradas pelo transbordo do ribeirão dos Couros. O anúncio foi feito um dia depois de um temporal que alagou a Anchieta e deixou um motorista ilhado. As imagens de seu resgate estampadas no jornais e exibidas pela TV tiveram repercussão nacional.

"Não sabíamos do projeto. Fomos pegos de surpresa", afirma uma das conselheiras do Compach de São Bernardo, Simone Scifoni. Na tentativa de alterar o endereço do piscinão, ela levou o caso ao Ministério Público, que abriu um inquérito e, no último dia 30, redigiu um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).

No documento, que ainda precisa ser homologado pelo Conselho Superior do MP, foram detalhadas as alterações que o governo do Estado precisará fazer para reduzir os danos da antiga chácara. A principal mudança no projeto é a troca de um talude (espécie de barranco) por um muro de arrimo no trecho do terreno junto à margem do ribeirão dos Couros. A expectativa é de que a medida poupe uma fatia de 4 mil m² da chácara, onde está boa parte da vegetação típica. O terreno pertencia a Ford e a Bombril, que doaram ao governo do Estado para a construção do reservatório.

Segundo Simone Scifoni, nos 4 mil m² que serão poupados também estão as ruínas que restaram dos tempos áureos da chácara do ex-prefeito. A maioria, alicerces de casas. A construção mais preservada é de uma churrasqueira, que data provavelmente da década de 1950. Entre as alterações previstas no projeto pelo TAC está ainda a criação de uma espécie de cortina vegetal, que vai isolar o piscinão da avenida Taboão, reduzindo assim o impacto visual do reservatório.

Além disso, o Daee tem como responsabilidade fazer levantamento detalhado de todas as espécies de vegetação que existem hoje na chácara e contratar uma empresa que tenha gabarito para fazer o levantamento arqueológico do terreno. "Como essa era uma área remanescente do núcleo colonial de São Bernardo, é possível que encontremos utensílios do dia-a-dia que possam remontar aquela época (final do século XIX)", diz a conselheira do Condepach, Simone Scifoni.

Piscinão - Procurado pelo Diário, o Daee não informou se as alterações no projeto vão adiar a entrega do piscinão, que é aguardada para setembro próximo. Por enquanto, o trabalho na chácara se restringe à construção do canteiro de obras. Antes de avançar nos trabalhos, o Daee deve ter em mãos a licença de instalação, obtida junto ao DPRN (Departamento de Proteção dos Recursos Naturais) e ao Daia (Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental), ambos ligados à Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

"Apesar de ser uma área de Mata Atlântica, parece que as plantas que existem hoje na chácara são exóticas, introduzidas pelo proprietário, e podem ser cortadas", afirma Alexandre Pereira Cavalcanti, diretor do DPRN, responsável pela Região Metropolitana. Ainda não se sabe se as alterações do projeto original elevarão o custo final da obra, orçada em R$ 14,467 milhões.

Multa - O governador esteve em São Bernardo na semana passada para anunciar o início da construção do piscinão, mas não abordou o assunto. Caso o acordo não seja cumprido, o governo Estado está sujeito a uma multa diária de R$ 1,5 mil.

Com capacidade para armazenar até 400 mil metros cúbicos de água do ribeirão dos Couros, o reservatório será o segundo maior do Grande ABC, atrás apenas do piscinão do Capuava, em Mauá - o maior do Estado. Aliado com os piscinões da Paulicéia, também em São Bernardo, e da Guido Aliberti, em São Caetano, o reservatório deverá ser usado como coringa para o desembargo das obras de elevação da ponte do Km 13 da via Anchieta, que passa sobre o ribeirão dos Couros.

A decisão está em vigor desde a década de 1990 e foi movida pela Prefeitura de São Caetano e por uma indústria metalúrgica de São Bernardo, que temem que o alteamento da ponte transfira os alagamentos da rodovia para o pátio da empresa e para a cidade vizinha. Técnicos do governo do Estado analisam se a construção do piscinão será capaz de inviabilizar essa migração.

Espécies encontradas na Chácara Lauro Gomes:

Eucalipto

É uma espécie pertencente à família das Mirtáceas, nativa da Austrália e trazidas ao Brasil para exploração da madeira. A colheita do eucalipto para industrialização é feita quando a árvore atinge sete anos, num regime que permite até três retiradas com ciclo de 21 anos. Depois do corte desse tipo de madeira, a ferrugem é uma das pragas que mais afeta a espécie, pois ataca os brotos dos tocos, resultando na morte da planta.

Pinheiro

Árvore alta e freqüente na paisagem do Sul do Brasil. O pinheiro se destaca das outras espécies brasileiras, devido à forma. Apesar de abundante no Sul do país, os pinheirais de araucária no país não são homogêneos como os das florestas européias. A árvore aparece misturada a muitas outras espécies arbóreas típicas de florestas com araucária, como a imbuia, a erva-mate, canelas, bambus, entre outras herbáceas.

Palmeira

As palmeiras são plantas com caules cilíndricos com raízes rasteiras . As palmeiras não são consideradas árvores porque todas as árvores tem no interior do tronco estrutura rígida (madeira). No interior da palmeira, entretanto, há uma estrutura mole que, em algumas espécies, trata-se do palmito.

Jacarandá Mimoso

Árvore exótica e de grande porte, atinge de 5 a 10 metros de altura, com tronco de 30 a 40 cm de diâmetro. Típica da paisagem argentina, tem floração lilás no período de estiagem. Espécie de grande valor ornamental pelo porte e delicadeza de suas folhas, cor e abundância de suas flores, comumente utilizada no paisagismo de avenidas e parques. Floresce entre agosto e novembro e os frutos surgem entre maio e setembro.

Quaresmeira

A quaresmeira é planta conhecida da Mata Atlântica e disseminada por todo o Brasil. Nativa, pertence à família botânica Melastomataceae, que reúne muitas espécies, nas quais se incluem desde pequenas ervas até árvores de pequeno e médio porte. A planta se adapta bem aos solos pobres, sendo muito utilizada em áreas devastadas. É no período da quaresma (março, abril) que a árvore floresce.



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Projeto de piscinão de São Bernardo poupa chácara

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

14/07/2005 | 07:58


O piscinão do bairro Taboão, em São Bernardo, será construído exatamente ao lado da antiga chácara do ex-prefeito da cidade Lauro Gomes. No projeto original, o reservatório passaria pelo meio da chácara. No entanto, um acordo entre o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e o Compach (Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural) determinou alterações no traçado e preservação de cerca 4 mil m² do total de 70 mil m² do terreno, que está prestes a ser tombado.

Palco de grandes festas no passado, a chácara, localizada na avenida Taboão, em São Bernardo, ainda preserva em parte o seu projeto paisagístico. Árvores como jacarandá, quaresmeira, tapiá, pinheiro, palmeira e eucalipto resistem, apesar do aparente abandono da área. Para preservar o patrimônio natural, o Compach abriu no dia 13 de dezembro de 2004 o processo de tombamento da antiga chácara.

Coincidentemente, os documentos foram encaminhados pelo conselho seis dias após o governador Geraldo Alckmin ter anunciado a construção do piscinão na chácara Lauro Gomes, reservatório que vai conter as enchentes no Km 13 da via Anchieta, geradas pelo transbordo do ribeirão dos Couros. O anúncio foi feito um dia depois de um temporal que alagou a Anchieta e deixou um motorista ilhado. As imagens de seu resgate estampadas no jornais e exibidas pela TV tiveram repercussão nacional.

"Não sabíamos do projeto. Fomos pegos de surpresa", afirma uma das conselheiras do Compach de São Bernardo, Simone Scifoni. Na tentativa de alterar o endereço do piscinão, ela levou o caso ao Ministério Público, que abriu um inquérito e, no último dia 30, redigiu um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).

No documento, que ainda precisa ser homologado pelo Conselho Superior do MP, foram detalhadas as alterações que o governo do Estado precisará fazer para reduzir os danos da antiga chácara. A principal mudança no projeto é a troca de um talude (espécie de barranco) por um muro de arrimo no trecho do terreno junto à margem do ribeirão dos Couros. A expectativa é de que a medida poupe uma fatia de 4 mil m² da chácara, onde está boa parte da vegetação típica. O terreno pertencia a Ford e a Bombril, que doaram ao governo do Estado para a construção do reservatório.

Segundo Simone Scifoni, nos 4 mil m² que serão poupados também estão as ruínas que restaram dos tempos áureos da chácara do ex-prefeito. A maioria, alicerces de casas. A construção mais preservada é de uma churrasqueira, que data provavelmente da década de 1950. Entre as alterações previstas no projeto pelo TAC está ainda a criação de uma espécie de cortina vegetal, que vai isolar o piscinão da avenida Taboão, reduzindo assim o impacto visual do reservatório.

Além disso, o Daee tem como responsabilidade fazer levantamento detalhado de todas as espécies de vegetação que existem hoje na chácara e contratar uma empresa que tenha gabarito para fazer o levantamento arqueológico do terreno. "Como essa era uma área remanescente do núcleo colonial de São Bernardo, é possível que encontremos utensílios do dia-a-dia que possam remontar aquela época (final do século XIX)", diz a conselheira do Condepach, Simone Scifoni.

Piscinão - Procurado pelo Diário, o Daee não informou se as alterações no projeto vão adiar a entrega do piscinão, que é aguardada para setembro próximo. Por enquanto, o trabalho na chácara se restringe à construção do canteiro de obras. Antes de avançar nos trabalhos, o Daee deve ter em mãos a licença de instalação, obtida junto ao DPRN (Departamento de Proteção dos Recursos Naturais) e ao Daia (Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental), ambos ligados à Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

"Apesar de ser uma área de Mata Atlântica, parece que as plantas que existem hoje na chácara são exóticas, introduzidas pelo proprietário, e podem ser cortadas", afirma Alexandre Pereira Cavalcanti, diretor do DPRN, responsável pela Região Metropolitana. Ainda não se sabe se as alterações do projeto original elevarão o custo final da obra, orçada em R$ 14,467 milhões.

Multa - O governador esteve em São Bernardo na semana passada para anunciar o início da construção do piscinão, mas não abordou o assunto. Caso o acordo não seja cumprido, o governo Estado está sujeito a uma multa diária de R$ 1,5 mil.

Com capacidade para armazenar até 400 mil metros cúbicos de água do ribeirão dos Couros, o reservatório será o segundo maior do Grande ABC, atrás apenas do piscinão do Capuava, em Mauá - o maior do Estado. Aliado com os piscinões da Paulicéia, também em São Bernardo, e da Guido Aliberti, em São Caetano, o reservatório deverá ser usado como coringa para o desembargo das obras de elevação da ponte do Km 13 da via Anchieta, que passa sobre o ribeirão dos Couros.

A decisão está em vigor desde a década de 1990 e foi movida pela Prefeitura de São Caetano e por uma indústria metalúrgica de São Bernardo, que temem que o alteamento da ponte transfira os alagamentos da rodovia para o pátio da empresa e para a cidade vizinha. Técnicos do governo do Estado analisam se a construção do piscinão será capaz de inviabilizar essa migração.

Espécies encontradas na Chácara Lauro Gomes:

Eucalipto

É uma espécie pertencente à família das Mirtáceas, nativa da Austrália e trazidas ao Brasil para exploração da madeira. A colheita do eucalipto para industrialização é feita quando a árvore atinge sete anos, num regime que permite até três retiradas com ciclo de 21 anos. Depois do corte desse tipo de madeira, a ferrugem é uma das pragas que mais afeta a espécie, pois ataca os brotos dos tocos, resultando na morte da planta.

Pinheiro

Árvore alta e freqüente na paisagem do Sul do Brasil. O pinheiro se destaca das outras espécies brasileiras, devido à forma. Apesar de abundante no Sul do país, os pinheirais de araucária no país não são homogêneos como os das florestas européias. A árvore aparece misturada a muitas outras espécies arbóreas típicas de florestas com araucária, como a imbuia, a erva-mate, canelas, bambus, entre outras herbáceas.

Palmeira

As palmeiras são plantas com caules cilíndricos com raízes rasteiras . As palmeiras não são consideradas árvores porque todas as árvores tem no interior do tronco estrutura rígida (madeira). No interior da palmeira, entretanto, há uma estrutura mole que, em algumas espécies, trata-se do palmito.

Jacarandá Mimoso

Árvore exótica e de grande porte, atinge de 5 a 10 metros de altura, com tronco de 30 a 40 cm de diâmetro. Típica da paisagem argentina, tem floração lilás no período de estiagem. Espécie de grande valor ornamental pelo porte e delicadeza de suas folhas, cor e abundância de suas flores, comumente utilizada no paisagismo de avenidas e parques. Floresce entre agosto e novembro e os frutos surgem entre maio e setembro.

Quaresmeira

A quaresmeira é planta conhecida da Mata Atlântica e disseminada por todo o Brasil. Nativa, pertence à família botânica Melastomataceae, que reúne muitas espécies, nas quais se incluem desde pequenas ervas até árvores de pequeno e médio porte. A planta se adapta bem aos solos pobres, sendo muito utilizada em áreas devastadas. É no período da quaresma (março, abril) que a árvore floresce.

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