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Mauá: frente mantém funcionários por mais de 6 anos


Gislayne Jacinto
Do Diário do Grande ABC

17/05/2003 | 19:40


Funcionários contratados pela Frente de Trabalho de Mauá permanecem mais de seis anos como funcionários da Prefeitura. A constatação foi feita por meio de uma resposta do prefeito Oswaldo Dias (PT) a um requerimento aprovado pela Câmara Municipal. O documento mostra que pelo menos 100 pessoas foram demitidas três vezes – uma exoneração a cada dois anos –, ou seja, trabalham um biênio, se inscrevem novamente e são recontratadas. A lei municipal que instituiu a Frente prevê um contrato de no máximo dois anos (a contratação é de um ano e pode ser prorrogada por mais 12 meses). A Prefeitura diz que a medida não é ilegal.

O vereador Manoel Lopes (PFL), autor do requerimento, disse que, dessa forma, a administração deixa de dar oportunidade a outras pessoas inscritas, e que também enfrentam o desemprego. No cadastramento feito pela Prefeitura, em fevereiro de 2002, houve 12 mil inscrições. Foram contratadas 683 pessoas. “Suspeitamos que são cabos eleitorais do PT ou pessoas ligadas à administração”, afirmou Lopes.

Até mesmo vereador governista, como é o caso de Francisco de Carvalho Filho, o Chico do Judô (PPS), discorda das várias recontratações. “O número de inscritos é grande por causa do desemprego. Com um período de dois anos, dá para atender mais gente. Se a pessoa fica muito tempo, vira emprego fixo”, afirmou.

Desempregados – José Matias dos Santos, 48 anos, inscrito na Frente de Trabalho de 2002 e ainda sem ter conseguido vaga, disse que tem dois filhos, sua mulher está grávida e passa por dificuldades financeiras. “Tenho deficiência no ouvido, tomo remédios, estou desempregado e vivendo da ajuda das pessoas”, afirmou Santos, acrescentando que é evangélico e que sua igreja também tem lhe dado auxílio.

Ele disse ter informações de que existem pessoas na Frente de Trabalho que ficam mais de quatro anos trabalhando na Prefeitura, e isso tira a oportunidade de outros que também passam por dificuldades. “Fiz a inscrição em fevereiro de 2002 e até agora não me chamaram. Eu não quero tirar a vaga de ninguém, mas gostaria de também ter uma oportunidade. A situação está muito difícil”, lamentou Santos.

Isis Luzia Ferreira de Freitas, 37 anos, também se inscreveu na Frente de Trabalho no ano passado, e disse que aguarda uma chance para trabalhar, pois está desempregada. Ela afirmou que a necessidade é tanta que resolveu fazer outros trabalhos informais. “Tenho três filhas para criar. Eu já passei fome, mas as minhas filhas não vão passar”, afirmou.

Isis disse que conhece pessoas que trabalham há mais de seis anos na Frente. “Muita gente já foi chamada três ou quatro vezes, e eu não acho isso justo. Eu também queria ter uma chance”, afirmou.

A Prefeitura paga para a Frente de Trabalho R$ 240. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, se levar em conta os benefícios, como vale-alimentação, auxílio-transporte e auxílio-refeição, o salário dos trabalhadores da Frente atinge R$ 459,40.



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Mauá: frente mantém funcionários por mais de 6 anos

Gislayne Jacinto
Do Diário do Grande ABC

17/05/2003 | 19:40


Funcionários contratados pela Frente de Trabalho de Mauá permanecem mais de seis anos como funcionários da Prefeitura. A constatação foi feita por meio de uma resposta do prefeito Oswaldo Dias (PT) a um requerimento aprovado pela Câmara Municipal. O documento mostra que pelo menos 100 pessoas foram demitidas três vezes – uma exoneração a cada dois anos –, ou seja, trabalham um biênio, se inscrevem novamente e são recontratadas. A lei municipal que instituiu a Frente prevê um contrato de no máximo dois anos (a contratação é de um ano e pode ser prorrogada por mais 12 meses). A Prefeitura diz que a medida não é ilegal.

O vereador Manoel Lopes (PFL), autor do requerimento, disse que, dessa forma, a administração deixa de dar oportunidade a outras pessoas inscritas, e que também enfrentam o desemprego. No cadastramento feito pela Prefeitura, em fevereiro de 2002, houve 12 mil inscrições. Foram contratadas 683 pessoas. “Suspeitamos que são cabos eleitorais do PT ou pessoas ligadas à administração”, afirmou Lopes.

Até mesmo vereador governista, como é o caso de Francisco de Carvalho Filho, o Chico do Judô (PPS), discorda das várias recontratações. “O número de inscritos é grande por causa do desemprego. Com um período de dois anos, dá para atender mais gente. Se a pessoa fica muito tempo, vira emprego fixo”, afirmou.

Desempregados – José Matias dos Santos, 48 anos, inscrito na Frente de Trabalho de 2002 e ainda sem ter conseguido vaga, disse que tem dois filhos, sua mulher está grávida e passa por dificuldades financeiras. “Tenho deficiência no ouvido, tomo remédios, estou desempregado e vivendo da ajuda das pessoas”, afirmou Santos, acrescentando que é evangélico e que sua igreja também tem lhe dado auxílio.

Ele disse ter informações de que existem pessoas na Frente de Trabalho que ficam mais de quatro anos trabalhando na Prefeitura, e isso tira a oportunidade de outros que também passam por dificuldades. “Fiz a inscrição em fevereiro de 2002 e até agora não me chamaram. Eu não quero tirar a vaga de ninguém, mas gostaria de também ter uma oportunidade. A situação está muito difícil”, lamentou Santos.

Isis Luzia Ferreira de Freitas, 37 anos, também se inscreveu na Frente de Trabalho no ano passado, e disse que aguarda uma chance para trabalhar, pois está desempregada. Ela afirmou que a necessidade é tanta que resolveu fazer outros trabalhos informais. “Tenho três filhas para criar. Eu já passei fome, mas as minhas filhas não vão passar”, afirmou.

Isis disse que conhece pessoas que trabalham há mais de seis anos na Frente. “Muita gente já foi chamada três ou quatro vezes, e eu não acho isso justo. Eu também queria ter uma chance”, afirmou.

A Prefeitura paga para a Frente de Trabalho R$ 240. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, se levar em conta os benefícios, como vale-alimentação, auxílio-transporte e auxílio-refeição, o salário dos trabalhadores da Frente atinge R$ 459,40.

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