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Acessibilidade é desafio para a Igreja


Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

02/04/2006 | 08:18


Levanta-te, vem para o meio é o lema da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano. O tema propõe ações práticas e eficazes de inclusão social para deficientes físicos. Ao mesmo tempo, a instituição mais antiga do mundo proporciona um questionamento interno sobre sua própria relação com o portador de deficiência, seja qual for a sua condição física ou mental. O primeiro ponto a se questionar está relacionado ao direito à acessibilidade.

Para o pároco da Matriz de Santo André, Edvaldo Pereira, a campanha significa um desafio interno. "A arquitetura das paróquias, por tradições históricas e mesmo religiosas, não favorece o acesso ao deficiente. Grande parte possui escadarias na entrada, bancos desconfortáveis e iluminação fraca. Além disso, o altar sempre está localizado em um nível mais elevado, impedindo que fiéis que se locomovem com cadeiras de rodas possam, por exemplo, fazer uma leitura durante a missa. É preciso rever essa estrutura", afirma.

A Diocese do Grande ABC não tem informações de quantas paróquias da região oferecem condições favoráveis aos deficientes, como elevador, rampa e banheiro adaptado. "Esse levantamento será providenciado até o mês de maio, quando relatórios serão preparados e passados à CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil)", explica a coordenadora da campanha para o Grande ABC, Lúcia Zaia Moreira.

O segredo para a inclusão, segundo católicos de Diadema, está na acolhida. "A retomada da dignidade da pessoa portadora de deficiência está diretamente relacionada à sua auto-estima. Todos precisam se sentir úteis e bem-recebidos em sociedade", declara Rita de Cássia Guimarães do Reis, secretária da igreja Matriz da cidade.

Para a deficiente visual Lúcia Margarida dos Santos, a responsabilidade, porém, não pode ser jogada apenas para a sociedade. "Nós, deficientes, também precisamos nos mostrar interessados. Temos de conhecer nossos direitos para fazer com que o próximo aprenda a respeitá-los. A Igreja, infelizmente, ainda é muito falha. Nós, cegos, não temos folhetos em braile. Tenho que mandar fazer o meu, se quiser, e pagar por isso", declara.

No Brasil, os deficientes representam uma percentagem significativa: 14,5% da população ou 27 milhões de cidadãos, segundo o IBGE. Para o padre Guimarães, responsável pela Matriz de Diadema, a realidade nacional requer a elaboração de propostas práticas. "A campanha visa conscientizar a sociedade de que atitudes precisam ser tomadas. Os deficientes não podem mais ser vistos com um olhar de pena", diz.

No Grande ABC, parte das 91 paróquias aposta na integração social por meio de pastorais específicas para o público deficiente. Exemplos positivos são encontrados, principalmente, em São Bernardo e São Caetano, com atendimento especial para deficientes mentais, visuais e auditivos.

Pastoral – Com o objetivo de fazer com que deficientes físicos ou mentais tenham seu lugar garantido na sociedade e, conseqüentemente, na Igreja, voluntários de São Bernardo apostam na chamada Pastoral da Adversidade. A unidade instalada na paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, no Jardim das Orquídeas, não é pioneira – o projeto de inclusão teve início em São Caetano –, mas modifica a cara da comunidade com a participação de deficientes mentais nas missas de domingo. A iniciativa é positiva, segundo o padre Guimarães. "As pessoas deficientes se escondem. É preciso descobri-las e trazê-las para perto de nós", diz.

Para a líder do grupo, Renata Tavares Salviano, o segredo da "catequese especial" está no bom relacionamento com a família do deficiente. "Apenas depois de conhecer sua realidade é que podemos preparar um trabalho direcionado e eficaz. Até agora, colhemos bons resultados. Em quatro anos, conseguimos atender 13 deficientes mentais", declara.

De acordo com a dona-de-casa Maria Olete, mãe do deficiente Francisco, de 15 anos, é impossível descrever a emoção que sentiu ao ver o filho receber a primeira comunhão. "Sempre observei as outras crianças e desejava muito que meu filho pudesse participar das atividades junto com elas. Conversei com as pessoas envolvidas e começamos a tocar o projeto", conta.

Os encontros são realizados nas manhãs de domingo com material especialmente preparado pelos catequistas da paróquia. "Como nossos alunos não podem falar, montamos o curso apenas com desenhos, vídeos e símbolos. Desse jeito é mais fácil assimilar o evangelho", completa Renata.



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Acessibilidade é desafio para a Igreja

Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

02/04/2006 | 08:18


Levanta-te, vem para o meio é o lema da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano. O tema propõe ações práticas e eficazes de inclusão social para deficientes físicos. Ao mesmo tempo, a instituição mais antiga do mundo proporciona um questionamento interno sobre sua própria relação com o portador de deficiência, seja qual for a sua condição física ou mental. O primeiro ponto a se questionar está relacionado ao direito à acessibilidade.

Para o pároco da Matriz de Santo André, Edvaldo Pereira, a campanha significa um desafio interno. "A arquitetura das paróquias, por tradições históricas e mesmo religiosas, não favorece o acesso ao deficiente. Grande parte possui escadarias na entrada, bancos desconfortáveis e iluminação fraca. Além disso, o altar sempre está localizado em um nível mais elevado, impedindo que fiéis que se locomovem com cadeiras de rodas possam, por exemplo, fazer uma leitura durante a missa. É preciso rever essa estrutura", afirma.

A Diocese do Grande ABC não tem informações de quantas paróquias da região oferecem condições favoráveis aos deficientes, como elevador, rampa e banheiro adaptado. "Esse levantamento será providenciado até o mês de maio, quando relatórios serão preparados e passados à CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil)", explica a coordenadora da campanha para o Grande ABC, Lúcia Zaia Moreira.

O segredo para a inclusão, segundo católicos de Diadema, está na acolhida. "A retomada da dignidade da pessoa portadora de deficiência está diretamente relacionada à sua auto-estima. Todos precisam se sentir úteis e bem-recebidos em sociedade", declara Rita de Cássia Guimarães do Reis, secretária da igreja Matriz da cidade.

Para a deficiente visual Lúcia Margarida dos Santos, a responsabilidade, porém, não pode ser jogada apenas para a sociedade. "Nós, deficientes, também precisamos nos mostrar interessados. Temos de conhecer nossos direitos para fazer com que o próximo aprenda a respeitá-los. A Igreja, infelizmente, ainda é muito falha. Nós, cegos, não temos folhetos em braile. Tenho que mandar fazer o meu, se quiser, e pagar por isso", declara.

No Brasil, os deficientes representam uma percentagem significativa: 14,5% da população ou 27 milhões de cidadãos, segundo o IBGE. Para o padre Guimarães, responsável pela Matriz de Diadema, a realidade nacional requer a elaboração de propostas práticas. "A campanha visa conscientizar a sociedade de que atitudes precisam ser tomadas. Os deficientes não podem mais ser vistos com um olhar de pena", diz.

No Grande ABC, parte das 91 paróquias aposta na integração social por meio de pastorais específicas para o público deficiente. Exemplos positivos são encontrados, principalmente, em São Bernardo e São Caetano, com atendimento especial para deficientes mentais, visuais e auditivos.

Pastoral – Com o objetivo de fazer com que deficientes físicos ou mentais tenham seu lugar garantido na sociedade e, conseqüentemente, na Igreja, voluntários de São Bernardo apostam na chamada Pastoral da Adversidade. A unidade instalada na paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, no Jardim das Orquídeas, não é pioneira – o projeto de inclusão teve início em São Caetano –, mas modifica a cara da comunidade com a participação de deficientes mentais nas missas de domingo. A iniciativa é positiva, segundo o padre Guimarães. "As pessoas deficientes se escondem. É preciso descobri-las e trazê-las para perto de nós", diz.

Para a líder do grupo, Renata Tavares Salviano, o segredo da "catequese especial" está no bom relacionamento com a família do deficiente. "Apenas depois de conhecer sua realidade é que podemos preparar um trabalho direcionado e eficaz. Até agora, colhemos bons resultados. Em quatro anos, conseguimos atender 13 deficientes mentais", declara.

De acordo com a dona-de-casa Maria Olete, mãe do deficiente Francisco, de 15 anos, é impossível descrever a emoção que sentiu ao ver o filho receber a primeira comunhão. "Sempre observei as outras crianças e desejava muito que meu filho pudesse participar das atividades junto com elas. Conversei com as pessoas envolvidas e começamos a tocar o projeto", conta.

Os encontros são realizados nas manhãs de domingo com material especialmente preparado pelos catequistas da paróquia. "Como nossos alunos não podem falar, montamos o curso apenas com desenhos, vídeos e símbolos. Desse jeito é mais fácil assimilar o evangelho", completa Renata.

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