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Tempo apura traço de Colonnese


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

24/11/2001 | 16:22


O mestre desenhista Eugênio Colonnese lança quatro histórias de guerra em quadrinhos, inéditas e guardadas há 30 anos, e se prepara para trazer de volta sua célebre mulher-vampiro, a sedutora Mirza. Italiano de nascimento, formado na Argentina e radicado em Santo André desde 1967, Colonnese está mais fértil do que antes e com o traço apurado nos originais que volta a produzir e que devem ser publicados em breve. Ele não revela sua idade.

O aperitivo é As quatro histórias de O Espírito da Guerra (Opera Graphica, 48 págs., 21 cm X 28 cm, R$ 8,90, preto-e-branco) foram desenhadas entre 1968 e 1969 a nanquim aguado. Feitas sob encomenda de um editor, nunca foram publicadas.

Suas narrações são humanizadas, e a nacionalidade dos protagonistas é irrelevante, sem pátria, como ele diz. Não têm músculos ou truculência, pois a narrativa é dramática e ligada à ironia da guerra. O desenho é rico em detalhes.

O Amuleto é a primeira, na qual soldado de uma tropa norte-americana se vê às voltas com o perigo em uma selva asiática, mas não abandona seu amuleto. A seguinte é A Emboscada Fatal, sobre a batalha de Stalingrado, entre alemães e russos. Depois vem O Último Tiro, um conto mais sobre dignidade e altivez do que propriamente bélico, embora o cenário seja a França ocupada pelos nazistas. Por fim, O Empate, uma trágica e irônica conclusão de um combate aéreo entre um inglês e um alemão.

A pesquisa e o realismo chamam atenção. Junto às histórias foram colocados esquetes com estudos sobre indumentária, equipamentos, aparelhos etc, utilizados na época da Segunda Guerra. “Se a documentação fosse incompleta e o artista desenhasse algo incorreta, era desmoralizado”, disse.

Colonnese fala do período áureo dos grandes desenhistas de HQ nos anos 60, quando mestres eram formados na Argentina ou na Europa. Quando veio ao Brasil, em 1964, mudou a maneira nacional de ilustrar. Ele é de um tempo sem acesso a um grande volume de informações, como na internet. “A gente pesquisava em livros e sebos. Uma vez, vi a foto de um tanque alemão em uma revista que ninguém havia desenhado, e a história foi publicada. Chegou uma carta lá na editora dizendo que eu fiz a torre do tanque fixa, e o certo era móvel. A revista era alemã, e eu não tinha lido o texto”, diz.

Colonnese desenhou qua-drinhos de guerra, western, terror, heróis e erótico, e ilustrou livros e capas de discos. Hoje, dá aulas na escola andreense Studio de Artes. “Quando chegou ao Brasil, seu traço era muito realista, mas rígido. Com o tempo, evoluiu. Suas ilustrações para editoras didáticas melhoraram. Agora, ao voltar a desenhar personagens, está melhor do que antes”, afirma seu editor, Franco de Rosa.



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Tempo apura traço de Colonnese

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

24/11/2001 | 16:22


O mestre desenhista Eugênio Colonnese lança quatro histórias de guerra em quadrinhos, inéditas e guardadas há 30 anos, e se prepara para trazer de volta sua célebre mulher-vampiro, a sedutora Mirza. Italiano de nascimento, formado na Argentina e radicado em Santo André desde 1967, Colonnese está mais fértil do que antes e com o traço apurado nos originais que volta a produzir e que devem ser publicados em breve. Ele não revela sua idade.

O aperitivo é As quatro histórias de O Espírito da Guerra (Opera Graphica, 48 págs., 21 cm X 28 cm, R$ 8,90, preto-e-branco) foram desenhadas entre 1968 e 1969 a nanquim aguado. Feitas sob encomenda de um editor, nunca foram publicadas.

Suas narrações são humanizadas, e a nacionalidade dos protagonistas é irrelevante, sem pátria, como ele diz. Não têm músculos ou truculência, pois a narrativa é dramática e ligada à ironia da guerra. O desenho é rico em detalhes.

O Amuleto é a primeira, na qual soldado de uma tropa norte-americana se vê às voltas com o perigo em uma selva asiática, mas não abandona seu amuleto. A seguinte é A Emboscada Fatal, sobre a batalha de Stalingrado, entre alemães e russos. Depois vem O Último Tiro, um conto mais sobre dignidade e altivez do que propriamente bélico, embora o cenário seja a França ocupada pelos nazistas. Por fim, O Empate, uma trágica e irônica conclusão de um combate aéreo entre um inglês e um alemão.

A pesquisa e o realismo chamam atenção. Junto às histórias foram colocados esquetes com estudos sobre indumentária, equipamentos, aparelhos etc, utilizados na época da Segunda Guerra. “Se a documentação fosse incompleta e o artista desenhasse algo incorreta, era desmoralizado”, disse.

Colonnese fala do período áureo dos grandes desenhistas de HQ nos anos 60, quando mestres eram formados na Argentina ou na Europa. Quando veio ao Brasil, em 1964, mudou a maneira nacional de ilustrar. Ele é de um tempo sem acesso a um grande volume de informações, como na internet. “A gente pesquisava em livros e sebos. Uma vez, vi a foto de um tanque alemão em uma revista que ninguém havia desenhado, e a história foi publicada. Chegou uma carta lá na editora dizendo que eu fiz a torre do tanque fixa, e o certo era móvel. A revista era alemã, e eu não tinha lido o texto”, diz.

Colonnese desenhou qua-drinhos de guerra, western, terror, heróis e erótico, e ilustrou livros e capas de discos. Hoje, dá aulas na escola andreense Studio de Artes. “Quando chegou ao Brasil, seu traço era muito realista, mas rígido. Com o tempo, evoluiu. Suas ilustrações para editoras didáticas melhoraram. Agora, ao voltar a desenhar personagens, está melhor do que antes”, afirma seu editor, Franco de Rosa.

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