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'Sou apenas um moleque'


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

15/11/2009 | 07:06


Quem inicia conversa com o ator e comediante carioca Eduardo Sterblitch, 22 anos, tem dificuldade para imaginar que está diante do intérprete de um dos personagens mais populares de 2009, o impagável Freddie Mercury Prateado, destaque do humorístico Pânico na TV, exibido pela Rede TV! aos domingos.

Sério e articulado, o jovem em nada lembra a criatura bizarra capaz de levar às gargalhadas os mais diversos tipos de espectadores, do adolescente acostumado às piadas grosseiras de amigos da escola aos seguranças mais sisudos.

Poucos conseguem manter-se indiferentes quando o artista pinta-se de prata (em ritual que dura cerca de 20 minutos), coloca o bigode postiço e aproxima-se da vítima com uma voz fininha tão irritante quanto engraçada, para soltar o bordão: ‘Cadê papai, fugiu?'.

Apesar de ser um dos responsáveis pelo sucesso da atração - que há sete semanas ultrapassa a audiência do Fantástico, da Rede Globo, e tem média de 11 pontos - Edu não demonstra qualquer traço de deslumbramento.

Ele se considera "apenas um moleque". Porém, a personalidade do modesto rapaz, descendente de franceses e judeus russos (daí o sobrenome Sterblitch) é mais interessante do que pretende aparentar.

TRAJETÓRIA E ABSURDOS - Durante a adolescência, Edu cursou aulas de teatro no Tablado, renomada instituição das artes cênicas do Rio de Janeiro. Participou de diversas montagens de espetáculos infantis e dramáticos.

"Sempre disse que nunca faria televisão, porque achava que os atores começavam a ganhar dinheiro e ficavam acomodados, quando deveriam estudar. Também dizia que nunca faria comédia", relembra.

O talento para criar situações absurdas desabrochou aos 7 anos, para espanto da mãe, a psicóloga Jacqueline Sterblitch. "Eu fingia que era excepcional. Pegava livros sobre astronomia e quando acordava dizia: ‘Mãe, sonhei com o planeta Órion'. Ela me levou ao psiquiatra e eu brigava com ele. Um dia, inventei para o colégio inteiro que um amigo tinha relações sexuais com a irmã."

Descoberto pela equipe do Pânico em 2007, quando integrava a trupe de comediantes DEZnecessários, Edu começou na TV como o atrapalhado repórter César Polvilho.

FREDDIE E TONINHO - A criação do Freddie Mercury Prateado - personagem admirado por celebridades como a atriz Juliana Paes e o ator Maurício Mattar - foi totalmente espontânea. "Em uma prova das meninas, o Bolinha (produtor do programa) propôs que eu fizesse elas rirem. Já estava pintado e tive a ideia de colocar o bigode. Depois, o Carioca me chamou para o quadro Amaury Dumbo, para fazer rirem os porteiros dos lugares onde ele gravava as matérias. Hoje, o pessoal do cartório pede para eu assinar os papéis fazendo aquela vozinha" conta Sterblitch.

Um segurança conhecido como Toninho não achou a menor graça nas brincadeiras de Prateado, pelo menos em frente às câmeras. "Gravamos o quadro O Enigma de Toninho em apenas um dia e aquilo é um inferno na minha vida, porque ele realmente não riu. Mas a gente parava de gravar e ele ficava me zoando, dizendo que tinha apostado com os amigos que eu não iria conseguir. Até hoje, me liga e pergunta quando irei na casa dele para fazê-lo rir."

ROTINA E POLÊMICAS - O ator informa que as reuniões do Pânico ocorrem sempre aos domingos, em jantar após a exibição do programa, e às terças-feiras, a partir das 16h. As gravações não têm cronograma definido.

"Em toda reunião o diretor Allan Rapp briga para a gente fazer silêncio. É a maior bagunça, todo mundo fala ao mesmo tempo. Algumas pessoas sempre chegam atrasadas, como a Sabrina."

Recentemente, a atração teve de lidar com a polêmica provocada pela detenção por porte de cocaína do integrante Zina, ex-morador de rua que ganhou projeção nacional graças ao humorístico. "Ficamos tão surpresos quanto todo mundo. Nunca conversei com o Zina, não sei até que ponto está envolvido, mas o Pânico está fazendo tudo para ajudá-lo. Todo mundo tem viciado: a Record tem um monte e a Globo é a que mais tem. Por que a Rede TV! não pode ter pelo menos um?", relativiza.

A outra controvérsia recente foi a proibição judicial de citação no programa da garota Sasha, filha da apresentador Xuxa. "É óbvio que seria proibido. Estou imitando uma criança que é filha da Xuxa. Mas acho que se você já acertou uma vez, é bom parar de fazer mesmo."

CASAMENTO E DINHEIRO - Atualmente, Edu está apaixonado e planeja o casamento com "uma cantora". Ele não informa o nome da musa, por respeito à privacidade da namorada, mas garante que não é famosa.

Discreto, faz segredo sobre o salário. Nas horas de lazer, gosta de gastar dinheiro com "bobagens", entre elas cuecas, meias, além de CDs e DVDs de jazz, soul e música clássica.

"Dinheiro é bom, mas não acho que meu trabalho vale o que ganho. Nunca imaginei que ganharia mais que meu avô, que fez doutorado em Ginecologia na França", frisa Sterblitch.



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'Sou apenas um moleque'

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

15/11/2009 | 07:06


Quem inicia conversa com o ator e comediante carioca Eduardo Sterblitch, 22 anos, tem dificuldade para imaginar que está diante do intérprete de um dos personagens mais populares de 2009, o impagável Freddie Mercury Prateado, destaque do humorístico Pânico na TV, exibido pela Rede TV! aos domingos.

Sério e articulado, o jovem em nada lembra a criatura bizarra capaz de levar às gargalhadas os mais diversos tipos de espectadores, do adolescente acostumado às piadas grosseiras de amigos da escola aos seguranças mais sisudos.

Poucos conseguem manter-se indiferentes quando o artista pinta-se de prata (em ritual que dura cerca de 20 minutos), coloca o bigode postiço e aproxima-se da vítima com uma voz fininha tão irritante quanto engraçada, para soltar o bordão: ‘Cadê papai, fugiu?'.

Apesar de ser um dos responsáveis pelo sucesso da atração - que há sete semanas ultrapassa a audiência do Fantástico, da Rede Globo, e tem média de 11 pontos - Edu não demonstra qualquer traço de deslumbramento.

Ele se considera "apenas um moleque". Porém, a personalidade do modesto rapaz, descendente de franceses e judeus russos (daí o sobrenome Sterblitch) é mais interessante do que pretende aparentar.

TRAJETÓRIA E ABSURDOS - Durante a adolescência, Edu cursou aulas de teatro no Tablado, renomada instituição das artes cênicas do Rio de Janeiro. Participou de diversas montagens de espetáculos infantis e dramáticos.

"Sempre disse que nunca faria televisão, porque achava que os atores começavam a ganhar dinheiro e ficavam acomodados, quando deveriam estudar. Também dizia que nunca faria comédia", relembra.

O talento para criar situações absurdas desabrochou aos 7 anos, para espanto da mãe, a psicóloga Jacqueline Sterblitch. "Eu fingia que era excepcional. Pegava livros sobre astronomia e quando acordava dizia: ‘Mãe, sonhei com o planeta Órion'. Ela me levou ao psiquiatra e eu brigava com ele. Um dia, inventei para o colégio inteiro que um amigo tinha relações sexuais com a irmã."

Descoberto pela equipe do Pânico em 2007, quando integrava a trupe de comediantes DEZnecessários, Edu começou na TV como o atrapalhado repórter César Polvilho.

FREDDIE E TONINHO - A criação do Freddie Mercury Prateado - personagem admirado por celebridades como a atriz Juliana Paes e o ator Maurício Mattar - foi totalmente espontânea. "Em uma prova das meninas, o Bolinha (produtor do programa) propôs que eu fizesse elas rirem. Já estava pintado e tive a ideia de colocar o bigode. Depois, o Carioca me chamou para o quadro Amaury Dumbo, para fazer rirem os porteiros dos lugares onde ele gravava as matérias. Hoje, o pessoal do cartório pede para eu assinar os papéis fazendo aquela vozinha" conta Sterblitch.

Um segurança conhecido como Toninho não achou a menor graça nas brincadeiras de Prateado, pelo menos em frente às câmeras. "Gravamos o quadro O Enigma de Toninho em apenas um dia e aquilo é um inferno na minha vida, porque ele realmente não riu. Mas a gente parava de gravar e ele ficava me zoando, dizendo que tinha apostado com os amigos que eu não iria conseguir. Até hoje, me liga e pergunta quando irei na casa dele para fazê-lo rir."

ROTINA E POLÊMICAS - O ator informa que as reuniões do Pânico ocorrem sempre aos domingos, em jantar após a exibição do programa, e às terças-feiras, a partir das 16h. As gravações não têm cronograma definido.

"Em toda reunião o diretor Allan Rapp briga para a gente fazer silêncio. É a maior bagunça, todo mundo fala ao mesmo tempo. Algumas pessoas sempre chegam atrasadas, como a Sabrina."

Recentemente, a atração teve de lidar com a polêmica provocada pela detenção por porte de cocaína do integrante Zina, ex-morador de rua que ganhou projeção nacional graças ao humorístico. "Ficamos tão surpresos quanto todo mundo. Nunca conversei com o Zina, não sei até que ponto está envolvido, mas o Pânico está fazendo tudo para ajudá-lo. Todo mundo tem viciado: a Record tem um monte e a Globo é a que mais tem. Por que a Rede TV! não pode ter pelo menos um?", relativiza.

A outra controvérsia recente foi a proibição judicial de citação no programa da garota Sasha, filha da apresentador Xuxa. "É óbvio que seria proibido. Estou imitando uma criança que é filha da Xuxa. Mas acho que se você já acertou uma vez, é bom parar de fazer mesmo."

CASAMENTO E DINHEIRO - Atualmente, Edu está apaixonado e planeja o casamento com "uma cantora". Ele não informa o nome da musa, por respeito à privacidade da namorada, mas garante que não é famosa.

Discreto, faz segredo sobre o salário. Nas horas de lazer, gosta de gastar dinheiro com "bobagens", entre elas cuecas, meias, além de CDs e DVDs de jazz, soul e música clássica.

"Dinheiro é bom, mas não acho que meu trabalho vale o que ganho. Nunca imaginei que ganharia mais que meu avô, que fez doutorado em Ginecologia na França", frisa Sterblitch.

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