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Hospital lidera pesquisa no Brasil de remédio para diabete tipo 2

Coordenação de estudo do Christóvão da Gama terá foco nas crianças


Vanessa de Oliveira
do Diário do Grande ABC

27/06/2017 | 07:04


O Centro de Pesquisa Clínica do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama, em Santo André, coordenará no País estudo sobre o uso do medicamento Exenatida no tratamento do diabetes Tipo 2 em crianças. O remédio já é utilizado em adultos com o mesmo perfil da doença e é produzido por uma das maiores indústrias farmacêuticas do mundo, com filial no Brasil, o AstraZeneca (que nasceu da fusão da empresa sueca Astra AB com a Zeneca Group PLC, do Reino Unido).

“A diabete tipo 2 é a que ocorre devido a herança genética e a obesidade, que leva a diversas alterações no organismo, fazendo com que ele reduza a ação da insulina e, depois de vários anos, pode reduzir a produção da insulina”, explica o endocrinologista e presidente da Associação de Diabetes do ABC, Márcio Krakauer. O especialista é quem comandará o centro de pesquisa clínica do hospital andreense.

“(A doença) É muito mais comum em adultos e em pessoas acima de 45 anos, obesas, sedentárias e que tenham familiares com tipo 2. É bastante incomum ainda em crianças e adolescentes, porém, com a obesidade, isso realmente está aumentando e preocupando”, salientou.

Cerca de 15% das crianças brasileiras estão acima do peso, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número é ainda mais alarmante na região Sudeste, onde o índice chega a 38% entre os pequenos de 5 a 9 anos.

O trabalho terá início durante viagem que ocorre neste mês para Dubai, nos Emirados Árabes, onde pesquisadores líderes de várias partes do mundo receberão as orientações que nortearão os estudos da Exenatida aplicada em crianças.

Em julho, segundo Krakauer, terá início a seleção de cerca de 30 pacientes voluntários. “Nosso desafio é encontrar essas crianças e colocá-las em protocolo de pesquisa”, fala o médico, afirmando que não há estimativa sobre quantas crianças teriam a doença do tipo 2 no Grande ABC.

O estudo completo tem previsão para ser concluído entre 12 e 24 meses e, com resultado geral positivo, o laboratório pedirá liberação dos órgãos reguladores para emissão de nova bula para comercialização.

Em adultos, o medicamento age introduzindo no organismo um hormônio chamado GLP, que tem ações benéficas em relação ao metabolismo da glicose, reduzindo a diabete, diminuindo a glicose no sangue e também ajudando a reduzir o peso. Por injeção subcutânea, o paciente toma duas doses diárias.

Não há disponibilidade no SUS (Sistema Único de Saúde) e, segundo o médico, o preço varia entre R$ 300 e R$ 350.

Mais informações a respeito do estudo do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama podem ser obtidas pelo telefone 4468-8183. 



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