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Anistiados cobram Volks por conduta pró-ditadura

Celso Luiz  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-funcionários, Tarcisio Tadeu e Expedito Soares adiantam que buscarão indenização individual


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

07/11/2015 | 07:00


Anistiados políticos, Tarcisio Tadeu, 61, e o ex-deputado estadual Expedito Soares, 63, afirmaram que procurarão indenizações individuais da Volkswagen, a despeito de a multinacional sinalizar reparação judicial coletiva a ex-funcionários atingidos pela política pró-ditadura militar que a empresa assumiu durante o regime, entre 1964 e 1985.

A Volkswagen iniciou conversa no MPF (Ministério Público Federal) para construção de memorial ou museu em respeito às vítimas da ditadura militar. A montadora alemã foi citada em diversos depoimentos e documentos da CNV (Comissão Nacional da Verdade) como empresa que auxiliava militares, com fornecimento de rol de funcionários contrários ao sistema – a lista negra entregue diretamente ao Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social).

Tarcisio Tadeu e Expedito Soares alegam que foram prejudicados diretamente pela prática da multinacional. Tarcisio ingressou na firma em 1969 e foi demitido, sem justa causa, em 1978, quando era professor de ala de aprendizes. Expedito, admitido em 1972, foi mandado embora em 1977 após pedir melhor condição de trabalho em seu setor e ser torturado por duas semanas.

<EM><CW-13>“Nunca mais trabalhei no setor privado. Tive de viver por muitos anos de bico, em outros Estados. A Volks continuou me monitorando por dois anos após o fim do regime militar. Com certeza irei procurar minha reparação individual”, adiantou Tarcisio. Expedito afirmou que vai acionar a Justiça para, ao menos, ter dinheiro da rescisão e benefícios suprimidos em decisão por justa causa sem devidas explicações. “Tinha cinco anos de empresa, férias vencidas e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) a receber.”

Os dois lembram de casos de torturados que devem acionar a Justiça por indenizações individuais cujo cálculo financeiro é inestimável. Eles citaram episódio de tortura de funcionário no pátio da planta da Volkswagen em São Bernardo que, de tanto apanhar, teve de amputar a perna. “Essa vítima merece apenas um memorial?”, indagou o ex-deputado.

Tarcisio e Expedito subescreveram a ação junto ao MPF protocolada no mês passado por grupo formado após o fim da CNV. O caso é conduzido por Pedro Antônio de Oliveira Machado, procurador regional dos direitos do cidadão do MPF em São Paulo.

No dia 1º, ao jornal O Estado de S.Paulo, Manfred Grieger, diretor do departamento de comunicação histórica da Volkswagen, reconheceu o diálogo para construção de memorial às vítimas da ditadura militar com apoio de sindicatos e instituições brasileiras.

O procurador que cuida do caso no MPF revelou também ao jornal que a intenção é firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) em que a Volkswagen assumiria culpa por práticas aliadas ao regime militar brasileiro e se comprometeria a fazer reparação. Uma ideia é a instituição de fundo para financiar obras para indenização coletiva. 



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Anistiados cobram Volks por conduta pró-ditadura

Ex-funcionários, Tarcisio Tadeu e Expedito Soares adiantam que buscarão indenização individual

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

07/11/2015 | 07:00


Anistiados políticos, Tarcisio Tadeu, 61, e o ex-deputado estadual Expedito Soares, 63, afirmaram que procurarão indenizações individuais da Volkswagen, a despeito de a multinacional sinalizar reparação judicial coletiva a ex-funcionários atingidos pela política pró-ditadura militar que a empresa assumiu durante o regime, entre 1964 e 1985.

A Volkswagen iniciou conversa no MPF (Ministério Público Federal) para construção de memorial ou museu em respeito às vítimas da ditadura militar. A montadora alemã foi citada em diversos depoimentos e documentos da CNV (Comissão Nacional da Verdade) como empresa que auxiliava militares, com fornecimento de rol de funcionários contrários ao sistema – a lista negra entregue diretamente ao Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social).

Tarcisio Tadeu e Expedito Soares alegam que foram prejudicados diretamente pela prática da multinacional. Tarcisio ingressou na firma em 1969 e foi demitido, sem justa causa, em 1978, quando era professor de ala de aprendizes. Expedito, admitido em 1972, foi mandado embora em 1977 após pedir melhor condição de trabalho em seu setor e ser torturado por duas semanas.

<EM><CW-13>“Nunca mais trabalhei no setor privado. Tive de viver por muitos anos de bico, em outros Estados. A Volks continuou me monitorando por dois anos após o fim do regime militar. Com certeza irei procurar minha reparação individual”, adiantou Tarcisio. Expedito afirmou que vai acionar a Justiça para, ao menos, ter dinheiro da rescisão e benefícios suprimidos em decisão por justa causa sem devidas explicações. “Tinha cinco anos de empresa, férias vencidas e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) a receber.”

Os dois lembram de casos de torturados que devem acionar a Justiça por indenizações individuais cujo cálculo financeiro é inestimável. Eles citaram episódio de tortura de funcionário no pátio da planta da Volkswagen em São Bernardo que, de tanto apanhar, teve de amputar a perna. “Essa vítima merece apenas um memorial?”, indagou o ex-deputado.

Tarcisio e Expedito subescreveram a ação junto ao MPF protocolada no mês passado por grupo formado após o fim da CNV. O caso é conduzido por Pedro Antônio de Oliveira Machado, procurador regional dos direitos do cidadão do MPF em São Paulo.

No dia 1º, ao jornal O Estado de S.Paulo, Manfred Grieger, diretor do departamento de comunicação histórica da Volkswagen, reconheceu o diálogo para construção de memorial às vítimas da ditadura militar com apoio de sindicatos e instituições brasileiras.

O procurador que cuida do caso no MPF revelou também ao jornal que a intenção é firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) em que a Volkswagen assumiria culpa por práticas aliadas ao regime militar brasileiro e se comprometeria a fazer reparação. Uma ideia é a instituição de fundo para financiar obras para indenização coletiva. 

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