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Governo estimula negociaçoes entre empresários do Mercosul


Do Diário do Grande ABC

03/08/1999 | 20:57


A saída para o impasse nas negociaçoes entre Brasil e Argentina - que provocaram a negociaçao extraordinária dos quatro países do Mercosul quinta e sexta-feira em Montevidéu - pode estar em acertos bilaterais diretos de empresários dos segmentos mais polêmicos.

Nesta terça o ministro das Relaçoes Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampreia, afirmou que o Brasil nao vai "admitir a possibilidade de os países do Mercosul adotarem salvaguardas gerais". "Mas certamente soluçoes práticas, funcionais e de mercado podem ser discutidas", observou.

Como exemplo de soluçao prática, ele informou que uma delegaçao de empresários brasileiros do setor de calçados estava hoje mesmo em Buenos Aires negociando um acordo de comércio com a indústria argentina do ramo. "É possível fazer acordos como esse, que aliviem problemas mais agudos de determinados setores", observou o ministro brasileiro.

Em seguida, Lampreia descartou novamente a possibilidade de o Brasil aceitar que os países do Mercosul adotem medidas protecionistas quando se sentirem prejudicados por políticas macroeconômicas de algum dos países membros.

"Salvaguardas gerais sao como um cheque em branco; nao podemos aceitar que dentro do Mercosul um dos países membros adote uma revogaçao unilateral de uma medida já negociada", ponderou o ministro das Relaçoes Exteriores do Brasil.

Segundo ele, em 31 e dezembro de 1994 encerrou-se o período de adoçao de qualquer salvaguarda comercial entre Brasil Argentina, Uruguai e Paraguai.

O Brasil, informou, nao vai levar nenhuma proposta para a reuniao de Montevidéu. "Quem tem de apresentar propostas sao os argentinos, os incomodados é que precisam trazer propostas", afirmou Lampreia. Ele disse que nao queria entrar em um bate-boca com o empresariado argentino, que lhe fez duras críticas.

O vice-presidente da Uniao Industrial Argentina (UIA), Alberto Alvarez Gaiani, acusou o chanceler brasileiro de "soberba imperialista" por ter declarado que o Mercosul acabaria se a Argentina mantivesse as restriçoes a importaçoes do Brasil.

Lampreia reconheceu que suas declaraçoes criaram problemas ao Mercosul, mas ponderou que épocas de negociaçao, como a atual, sao sempre tensas."No comércio internacional, o jogo nao é sempre elegante", argumentou.

Apoio - Nesta terça, durante o seminário Agronegócio brasileiro: as negociaçoes agrícolas na virada do milênio, empresários como Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administraçao da Sadia, e Jório Dauster, presidente-executivo da Companhia Vale do Rio Doce, elogiaram a atitude de Lampreia de defender a indústria nacional.

"A atitude do governo foi perfeita, dura, como a situaçao exigia", disse Furlan. "Salvaguardas nao sao o instrumento adequado para um mercado comum, existem outras maneiras de resolver desequilíbrios setoriais", argumentou Dauster, sugerindo justamente que os governos estimulem negociaçoes entre os próprios setores envolvidos nas controvérsias comerciais do Mercosul.

Para Furlan, a desvalorizaçao da moeda brasileira nao pode ser apontada como a causa dos problemas argentinos.



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Governo estimula negociaçoes entre empresários do Mercosul

Do Diário do Grande ABC

03/08/1999 | 20:57


A saída para o impasse nas negociaçoes entre Brasil e Argentina - que provocaram a negociaçao extraordinária dos quatro países do Mercosul quinta e sexta-feira em Montevidéu - pode estar em acertos bilaterais diretos de empresários dos segmentos mais polêmicos.

Nesta terça o ministro das Relaçoes Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampreia, afirmou que o Brasil nao vai "admitir a possibilidade de os países do Mercosul adotarem salvaguardas gerais". "Mas certamente soluçoes práticas, funcionais e de mercado podem ser discutidas", observou.

Como exemplo de soluçao prática, ele informou que uma delegaçao de empresários brasileiros do setor de calçados estava hoje mesmo em Buenos Aires negociando um acordo de comércio com a indústria argentina do ramo. "É possível fazer acordos como esse, que aliviem problemas mais agudos de determinados setores", observou o ministro brasileiro.

Em seguida, Lampreia descartou novamente a possibilidade de o Brasil aceitar que os países do Mercosul adotem medidas protecionistas quando se sentirem prejudicados por políticas macroeconômicas de algum dos países membros.

"Salvaguardas gerais sao como um cheque em branco; nao podemos aceitar que dentro do Mercosul um dos países membros adote uma revogaçao unilateral de uma medida já negociada", ponderou o ministro das Relaçoes Exteriores do Brasil.

Segundo ele, em 31 e dezembro de 1994 encerrou-se o período de adoçao de qualquer salvaguarda comercial entre Brasil Argentina, Uruguai e Paraguai.

O Brasil, informou, nao vai levar nenhuma proposta para a reuniao de Montevidéu. "Quem tem de apresentar propostas sao os argentinos, os incomodados é que precisam trazer propostas", afirmou Lampreia. Ele disse que nao queria entrar em um bate-boca com o empresariado argentino, que lhe fez duras críticas.

O vice-presidente da Uniao Industrial Argentina (UIA), Alberto Alvarez Gaiani, acusou o chanceler brasileiro de "soberba imperialista" por ter declarado que o Mercosul acabaria se a Argentina mantivesse as restriçoes a importaçoes do Brasil.

Lampreia reconheceu que suas declaraçoes criaram problemas ao Mercosul, mas ponderou que épocas de negociaçao, como a atual, sao sempre tensas."No comércio internacional, o jogo nao é sempre elegante", argumentou.

Apoio - Nesta terça, durante o seminário Agronegócio brasileiro: as negociaçoes agrícolas na virada do milênio, empresários como Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administraçao da Sadia, e Jório Dauster, presidente-executivo da Companhia Vale do Rio Doce, elogiaram a atitude de Lampreia de defender a indústria nacional.

"A atitude do governo foi perfeita, dura, como a situaçao exigia", disse Furlan. "Salvaguardas nao sao o instrumento adequado para um mercado comum, existem outras maneiras de resolver desequilíbrios setoriais", argumentou Dauster, sugerindo justamente que os governos estimulem negociaçoes entre os próprios setores envolvidos nas controvérsias comerciais do Mercosul.

Para Furlan, a desvalorizaçao da moeda brasileira nao pode ser apontada como a causa dos problemas argentinos.

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