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Pesca artesanal na Billings é tradição que vai de pai a filho

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Família Feliciano, por exemplo, já está na quarta geração de pescadores; poluição faz parte do cenário diariamente


Yasmin Assagra

22/09/2019 | 07:00


“Quando meus pais saíam para pescar, eu ia dormindo dentro de uma caixa usada para colocar peixes”. Assim o pescador Ednilson Feliciano Hessel, 47 anos, lembra histórias contadas pela família nos dias de pesca às margens da Represa Billings. Em pleno século 21, um dos mais antigos trabalhos do mundo, a pesca artesanal sobrevive e é realidade para pelo menos 400 famílias que retiram do manancial, responsável pelo abastecimento de 1,2 milhão de pessoas no Grande ABC, seu sustento diariamente. 

Morador do bairro Chácara Capivari, em São Bernardo, Ednilson é um dos muitos casos de pescador que herdou do pai a profissão de maneira natural. Atualmente, também trabalha na Balsa João Basso, que faz a ligação da região do Riacho Grande com bairros do pós-balsa. Porém, sua paixão é a pesca. “Desde pequeno já sabia que não iria fazer outra coisa que não fosse ligada à pesca. Esse silêncio da represa, o trabalho em si, fazem parte da minha vida e de toda geração da família, inclusive dos meus dois filhos, que já estão seguindo essa profissão."

A paixão pelo ofício começou aos 9 anos e até hoje a rotina permanece: armar as 30 redes de pesca entre 14h e 18h, para recolher no dia seguinte, a partir das 5h. “Já conhecemos os lugares certos para colocar as redes e buscar no outro dia. Todo esse trabalho nos motiva e nos enche de orgulho”. Os pescador ainda conta que as espécies mais comuns pescadas no local são traíras, tilápias, lambaris e acarás. “Quando temos sorte, as carpas pescadas alegram nosso dia.” 

Hoje em dia, a companheira de pesca de Ednilson é sua mãe, Yolanda Feliciano, 62, pois sua mulher, Elisângela Roberta da Costa, 41, precisou se afastar devido a uma hérnia de disco e recentemente passou pela quarta cirurgia. “Ela (mulher) sempre ia comigo, mas a pesca também tem seus problemas. Por exemplo, dores na coluna e nos ombros são os principais, pois o trabalho exige muita força”, explicou o pescador.

A pescadora Yolanda disse que, além das dores na coluna geradas pela pesca, outro problema é frequente na Billings: a pesca irregular. Muitas vezes, os turistas que percorrem as áreas de pesca utilizadas pelos profissionais do local, causam tumultos com a vigilância da região e até mesmo roubam redes. 

“Ainda existe certo preconceito para quem não conhece nossa história. Não sabem que vivemos disso e é nosso trabalho diário. Por isso, as redes que estão na represa possuem uma identificação, o que significa que a pessoa que a colocou lá tem autorização para usar o equipamento na pesca. Se não tiver, não pode pescar”, explicou.  

O pai de Ednilson, Benedito Bueno, 67, já se aposentou da pescaria, justamente por causa de problemas na coluna. No entanto, afirmou que o amor pelo que fazia não morre, e que sente saudade de exercer a profissão. “Sei que meus dois filhos e cinco netos vão seguir essa linda profissão. Quando tinha 7 anos, lembro que fugia de casa, a qualquer hora do dia, para acompanhar meu pai e meu avô nas viagens pela represa”, lembrou o pescador.  

Benedito disse ainda que antigamente não teve oportunidade de ir à escola e, por isso, dedicou mais tempo à profissão. “Parei de estudar porque tinha de caminhar pelo menos 12 quilômetros por dia. Desde então me empenhei na pesca e construí minha história.”

Nem tudo que cai na rede é peixe, comenta pescador sobre poluição

Em março, o Diário publicou sobre a morte de milhares de peixes, de diversos tamanhos e espécies, na Represa Billings. O incidente, na altura do km 28 da Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, chamou a atenção de pescadores, ambientalistas e da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que detectou que o problema foi causado pela presença de substância marrom, não identificada, mas que pode ter causado a mortandade.  

Para a família Feliciano, apesar de notarem a diminuição nas regiões de pesca da represa, a poluição ainda está entre os problemas listados por eles. Vasos quebrados, pedaços de madeira, copos plásticos e outros objetos amanhecem grudados à redes de pesca dos profissionais, dificultando o ofício diariamente.

“Precisamos sempre tomar cuidado para colocar as redes da água, assim como na hora de retirar, pois quase sempre galhos e outros objetos ficam presos na malha. E não é só na água, pois nas margens da represa também presenciamos muita sujeira. De uns tempos para cá percebemos que deu uma boa melhorada, mas sabemos que a poluição ainda é uma realidade, não só aqui, mas também em muitos outros lugares onde a pesca ainda está presente”, comenta Ednilson.



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Pesca artesanal na Billings é tradição que vai de pai a filho

Família Feliciano, por exemplo, já está na quarta geração de pescadores; poluição faz parte do cenário diariamente

Yasmin Assagra

22/09/2019 | 07:00


“Quando meus pais saíam para pescar, eu ia dormindo dentro de uma caixa usada para colocar peixes”. Assim o pescador Ednilson Feliciano Hessel, 47 anos, lembra histórias contadas pela família nos dias de pesca às margens da Represa Billings. Em pleno século 21, um dos mais antigos trabalhos do mundo, a pesca artesanal sobrevive e é realidade para pelo menos 400 famílias que retiram do manancial, responsável pelo abastecimento de 1,2 milhão de pessoas no Grande ABC, seu sustento diariamente. 

Morador do bairro Chácara Capivari, em São Bernardo, Ednilson é um dos muitos casos de pescador que herdou do pai a profissão de maneira natural. Atualmente, também trabalha na Balsa João Basso, que faz a ligação da região do Riacho Grande com bairros do pós-balsa. Porém, sua paixão é a pesca. “Desde pequeno já sabia que não iria fazer outra coisa que não fosse ligada à pesca. Esse silêncio da represa, o trabalho em si, fazem parte da minha vida e de toda geração da família, inclusive dos meus dois filhos, que já estão seguindo essa profissão."

A paixão pelo ofício começou aos 9 anos e até hoje a rotina permanece: armar as 30 redes de pesca entre 14h e 18h, para recolher no dia seguinte, a partir das 5h. “Já conhecemos os lugares certos para colocar as redes e buscar no outro dia. Todo esse trabalho nos motiva e nos enche de orgulho”. Os pescador ainda conta que as espécies mais comuns pescadas no local são traíras, tilápias, lambaris e acarás. “Quando temos sorte, as carpas pescadas alegram nosso dia.” 

Hoje em dia, a companheira de pesca de Ednilson é sua mãe, Yolanda Feliciano, 62, pois sua mulher, Elisângela Roberta da Costa, 41, precisou se afastar devido a uma hérnia de disco e recentemente passou pela quarta cirurgia. “Ela (mulher) sempre ia comigo, mas a pesca também tem seus problemas. Por exemplo, dores na coluna e nos ombros são os principais, pois o trabalho exige muita força”, explicou o pescador.

A pescadora Yolanda disse que, além das dores na coluna geradas pela pesca, outro problema é frequente na Billings: a pesca irregular. Muitas vezes, os turistas que percorrem as áreas de pesca utilizadas pelos profissionais do local, causam tumultos com a vigilância da região e até mesmo roubam redes. 

“Ainda existe certo preconceito para quem não conhece nossa história. Não sabem que vivemos disso e é nosso trabalho diário. Por isso, as redes que estão na represa possuem uma identificação, o que significa que a pessoa que a colocou lá tem autorização para usar o equipamento na pesca. Se não tiver, não pode pescar”, explicou.  

O pai de Ednilson, Benedito Bueno, 67, já se aposentou da pescaria, justamente por causa de problemas na coluna. No entanto, afirmou que o amor pelo que fazia não morre, e que sente saudade de exercer a profissão. “Sei que meus dois filhos e cinco netos vão seguir essa linda profissão. Quando tinha 7 anos, lembro que fugia de casa, a qualquer hora do dia, para acompanhar meu pai e meu avô nas viagens pela represa”, lembrou o pescador.  

Benedito disse ainda que antigamente não teve oportunidade de ir à escola e, por isso, dedicou mais tempo à profissão. “Parei de estudar porque tinha de caminhar pelo menos 12 quilômetros por dia. Desde então me empenhei na pesca e construí minha história.”

Nem tudo que cai na rede é peixe, comenta pescador sobre poluição

Em março, o Diário publicou sobre a morte de milhares de peixes, de diversos tamanhos e espécies, na Represa Billings. O incidente, na altura do km 28 da Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, chamou a atenção de pescadores, ambientalistas e da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que detectou que o problema foi causado pela presença de substância marrom, não identificada, mas que pode ter causado a mortandade.  

Para a família Feliciano, apesar de notarem a diminuição nas regiões de pesca da represa, a poluição ainda está entre os problemas listados por eles. Vasos quebrados, pedaços de madeira, copos plásticos e outros objetos amanhecem grudados à redes de pesca dos profissionais, dificultando o ofício diariamente.

“Precisamos sempre tomar cuidado para colocar as redes da água, assim como na hora de retirar, pois quase sempre galhos e outros objetos ficam presos na malha. E não é só na água, pois nas margens da represa também presenciamos muita sujeira. De uns tempos para cá percebemos que deu uma boa melhorada, mas sabemos que a poluição ainda é uma realidade, não só aqui, mas também em muitos outros lugares onde a pesca ainda está presente”, comenta Ednilson.

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