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No palco, a nostalgia de Sandy e Junior
26/08/2019 | 07:00
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Dois shows para ninguém botar defeito. Assim foram as apresentações da dupla Sandy & Junior, em São Paulo, no sábado, 24, e no domingo, 25. A turnê Nossa História, que marca os 30 anos do início da parceria dos irmãos, encerrada em 2007, chegou à capital paulista em clima de nostalgia e emocionou, por duas vezes, um estádio lotado por 48 mil pessoas, sem deixar nada a dever para grandes artistas internacionais que já passaram pelo Allianz Parque.

As contagens regressivas de 20 minutos, nos dois dias, arrancaram gritos de um público ansioso, que foi, contudo, recompensado por shows de aproximadamente duas horas, sem interrupções. A produção estava impecável: fogos de artifício, balões, ballet robusto - com Sandy & Junior a par das complexas coreografias - e som muito bem calibrado. O frio e a leve garoa do início da noite não desanimaram a plateia, feliz em poder deixar a fase adulta um pouco de lado e reviver hits que marcaram sua infância e adolescência - e já se mostram atemporais.

A música "Não Dá Pra Não Pensar" abriu o setlist, encerrado com a clássica "Vamo Pulá", passando por "Olha o que o amor me faz", "Desperdiçou", "A Lenda", "As Quatro Estações" e "Turu Turu" (a mais aplaudida, sem dúvidas). "O que foi mais difícil de se fazer para esta turnê foi o repertório, achar as músicas certas para cantar", disse Sandy, em referência às dezenas de canções já produzidas pelos irmãos, que hoje seguem na vida artística com suas carreiras solos.

Os fãs, em sua maioria trajando faixas e camisetas customizadas, sabiam cada verso dos maiores sucessos da dupla. Os mais entusiasmados não contiveram a emoção e foram às lágrimas quando Sandy & Junior se sentaram à beira do palco e apresentaram, em estilo acústico, marcos da carreira como "Inveja".

Ficou de fora do repertório em São Paulo "Maria Chiquinha", música que revelou os irmãos em 1989, no palco do programa "Som Brasil", à época exibido na TV Globo e apresentado por Lima Duarte. A canção chegou a integrar os primeiros shows da turnê, apesar das ressalvas de Junior em relação ao teor machista da composição, que sugere estupro e feminicídio em seus últimos versos. "Não são mais os anos 90, isso não é mais aceitável", disse o cantor, na apresentação de Fortaleza.

O clima de nostalgia, porém, não foi exclusivo do público. Telões exibiam imagens do arquivo pessoal dos irmãos, com vídeos e fotos de shows antigos e das cantorias em casa. Não ficaram de fora referências à série "Sandy & Junior", que teve quatro temporadas na TV Globo, com participações de Paulinho Vilhena, Fernanda Paes Leme e, claro, dos filhos de Xororó, cantor sertanejo que até hoje mantém dupla com o irmão Chitãozinho. "Vocês não estão ligados como está emocionante isso aqui para a gente", disse Junior. "Estamos vivendo um sonho. O legal mesmo é poder construir novas lembranças com vocês", completou Sandy.

Junior, que ao longo do show reafirmou seu talento na bateria e nos vocais, com "Enrosca", aderiu às manifestações em defesa da Floresta Amazônica, que, nos últimos dias, têm sido pauta no Brasil e no exterior. "Deixem a nossa Amazônia em paz!", pediu o cantor, arrancando aplausos e gritos de ordem pontuais contra o presidente da República, Jair Bolsonaro.

O público, nos dois dias, deixou o Allianz Parque cantando com força as principais músicas dos shows. Os doze anos fora dos palcos, de fato, não parecem ter abalado a paixão dos fãs de Sandy & Junior, dupla que marcou o cenário pop nacional entre as décadas de 1990 e 2000, com milhões de discos vendidos e músicas eternizadas no imaginário popular.

Nossa História

A turnê, que marca os 30 anos do início da parceria, chegou a São Paulo após passar por Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Depois, vêm apresentações em Curitiba, Manaus, Belém, Porto Alegre, e no exterior, nas cidades de Nova York, nos Estados Unidos, e Lisboa, em Portugal. Em 12 e 13 de outubro, Sandy & Junior voltam à capital paulista para shows adicionais, marcados após a intensa procura para a maratona; e retornam ao Rio em 9 de novembro, também atendendo a pedidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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