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Medo da violência custa R$ 30 mi por mês a condomínios da região


Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

17/04/2005 | 12:11


Câmeras, cercas eletétricas, muros e seguranças armados podem até barrar os criminosos. Mas não há arsenal de guerra que consiga banir o medo que ronda 120 mil famílias que moram nos cerca de quatro mil condomínios verticais e horizontais do Grande ABC. Apesar de não ser o principal alvo das quadrilhas especializadas em assalto a apartamentos de luxo, a região gasta R$ 30 milhões por mês só em segurança, de acordo com a Acag (Associação de Condôminos em Autogestão). Os R$ 360 milhões gastos em um ano correspondem a todo orçamento da Prefeitura de Mauá para 2005.

O pavor é reflexo direto da onda de assaltos a condomínios na capital. Mais de 20 prédios de alto padrão foram alvo de roubo no último semestre de 2004 e pelo menos mais 12 neste ano. Na região, a situação é menos alarmante. Delegados secionais afirmam que o último crime do gênero no Grande ABC ocorreu em janeiro, em Mauá. Sete homens armados invadiram um prédio de classe média na Vila Bocaina e fugiram levando R$ 40 mil em dinheiro de uma família de chineses.

O crime lembra o que ocorreu há cerca de dois anos no condomínio do advogado Carlos (nome fictício), 60 anos. Uma quadrilha numerosa, armas pesadas, ousadia e, naturalmente, a fuga. Para ele parece que foi ontem. “Todos no condomínio ainda estão com muito medo.” Para aplacar a insegurança, dá-lhe parafernálias tecnológicas. “Gastamos pelo menos R$ 20 mil em equipamentos.”

Compra-se a segurança, mas não se compra a paz. Em um condomínio no bairro Santa Paula, em São Caetano, assaltado em agosto de 2004, seguranças particulares chegaram a pedir para que a equipe do Diário se retirasse do local. O motivo: os moradores estavam em pânico. “Quem garante que vocês são imprensa, hoje em dia qualquer bandido faz um crachá igual a esse”, dizia o segurança.

“Essa (a segurança) é a maior preocupação que existe hoje nessa comunidade condominial”, diz Gilson Cabrini, presidente da Acag, que congrega condomínios de toda a região. Para ele, o melhor remédio contra a preocupação com a violência é a informação. “Pretendemos organizar palestras com delegados para conscientizar os condôminos.”

O delegado Édson Santi, titular da 2ª Delegacia Contra o Patrimônio, do Deic (Departamento de Investigação Sobre o Crime Organizado), afirma que muitas vezes o problema é maior no imaginário da população que na vida real. “Se você pensar comparativamente, há crimes com incidência muito maior”, avalia. A gerente de Mobilização Nacional do Instituto Sou da Paz, Mariana Montoro Jens, concorda. “Os índices de homicídio no bairro de Moema (na capital) são iguais ao de Paris. Mas o medo em Moema é infinitamente maior que o de Paris”, exemplifica.



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Medo da violência custa R$ 30 mi por mês a condomínios da região

Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

17/04/2005 | 12:11


Câmeras, cercas eletétricas, muros e seguranças armados podem até barrar os criminosos. Mas não há arsenal de guerra que consiga banir o medo que ronda 120 mil famílias que moram nos cerca de quatro mil condomínios verticais e horizontais do Grande ABC. Apesar de não ser o principal alvo das quadrilhas especializadas em assalto a apartamentos de luxo, a região gasta R$ 30 milhões por mês só em segurança, de acordo com a Acag (Associação de Condôminos em Autogestão). Os R$ 360 milhões gastos em um ano correspondem a todo orçamento da Prefeitura de Mauá para 2005.

O pavor é reflexo direto da onda de assaltos a condomínios na capital. Mais de 20 prédios de alto padrão foram alvo de roubo no último semestre de 2004 e pelo menos mais 12 neste ano. Na região, a situação é menos alarmante. Delegados secionais afirmam que o último crime do gênero no Grande ABC ocorreu em janeiro, em Mauá. Sete homens armados invadiram um prédio de classe média na Vila Bocaina e fugiram levando R$ 40 mil em dinheiro de uma família de chineses.

O crime lembra o que ocorreu há cerca de dois anos no condomínio do advogado Carlos (nome fictício), 60 anos. Uma quadrilha numerosa, armas pesadas, ousadia e, naturalmente, a fuga. Para ele parece que foi ontem. “Todos no condomínio ainda estão com muito medo.” Para aplacar a insegurança, dá-lhe parafernálias tecnológicas. “Gastamos pelo menos R$ 20 mil em equipamentos.”

Compra-se a segurança, mas não se compra a paz. Em um condomínio no bairro Santa Paula, em São Caetano, assaltado em agosto de 2004, seguranças particulares chegaram a pedir para que a equipe do Diário se retirasse do local. O motivo: os moradores estavam em pânico. “Quem garante que vocês são imprensa, hoje em dia qualquer bandido faz um crachá igual a esse”, dizia o segurança.

“Essa (a segurança) é a maior preocupação que existe hoje nessa comunidade condominial”, diz Gilson Cabrini, presidente da Acag, que congrega condomínios de toda a região. Para ele, o melhor remédio contra a preocupação com a violência é a informação. “Pretendemos organizar palestras com delegados para conscientizar os condôminos.”

O delegado Édson Santi, titular da 2ª Delegacia Contra o Patrimônio, do Deic (Departamento de Investigação Sobre o Crime Organizado), afirma que muitas vezes o problema é maior no imaginário da população que na vida real. “Se você pensar comparativamente, há crimes com incidência muito maior”, avalia. A gerente de Mobilização Nacional do Instituto Sou da Paz, Mariana Montoro Jens, concorda. “Os índices de homicídio no bairro de Moema (na capital) são iguais ao de Paris. Mas o medo em Moema é infinitamente maior que o de Paris”, exemplifica.

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