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Aristide se refugia na Jamaica e desafia governo haitiano


Da AFP

16/03/2004 | 11:11


O ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide está refugiado na Jamaica, a menos de 200 km de seu país, num aberto desafio a Washington e ao governo interino do Haiti, que cortou suas relações diplomáticas com Kingston.

Procedente da República Centro-africana, onde permaneceu 15 dias, após ser deposto no dia 29 de fevereiro, Aristide chegou na segunda a Kingston e agradeceu ao governo e ao povo da Jamaica por permitir que ele fique no país, afirmou seu assessor de imprensa, Huntley Medley.

Questionado sobre quanto tempo Aristide permanecerá na ilha caribenha, Medley respondeu que, no momento, não sabe. Também se recusou a revelar onde está instalado o ex-presidente.

O governo do primeiro-ministro da Jamaica, Percival Patterson, disse que Aristide permanecerá entre oito e dez semanas no país, para reunir-se com suas duas pequenas filhas que viajaram aos Estados Unidos no dia 29 de fevereiro. Declarou que a Jamaica pediu a Aristide para não implicar-se em atividades políticas.

A presença de Aristide no Caribe irritou Washington, que lidera temporariamente uma força multinacional de 2,6 mil soldados no Haiti, ante o temor de que provoque um aumento da tensão e dificulte a transição política em andamento depois de sua partida para o exílio. "Não apoiamos seu retorno" à região caribenha, depois de sua partida forçada no dia 29 de fevereiro rumo à República Centro-africana, declarou o porta-voz-adjunto do Departamento de Estado dos EUA, Adam Ereli.

Sua presença na Jamaica "não tem nenhuma finalidade útil", afirmou Ereli, pouco antes do anúncio da chegada do deposto presidente a Kingston, a capital da Jamaica. Desde a saída de Aristide, vários de seus simpatizantes enfrentaram marines americanos.

O primeiro-ministro interino do Haiti, Gerard Latortue, cortou na segunda as relações diplomáticas com a Jamaica e ameaçou romper com o Caricom (grupo de países caribenhos), cuja presidência é exercida por Patterson.

A decisão da Jamaica é "um gesto inamistoso" que pode "criar tensões", disse ontem Latortue a uma emissora de rádio haitiana. "Estou disposto a reconsiderar nossa posição na Caricom. Os haitianos não devem deixar-se arrastar por outros países", afirmou.

A conselheira de segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, considerou no domingo que o retorno de Aristide ao Caribe foi "uma má idéia". O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse antes da polêmica viagem que "a esperança é que não volte ao hemisfério e complique a situação".

O Caricom e vários parlamentares democratas americanos, muitos deles pertencentes ao "Black Caucus" (grupo de legisladores negros do Congresso), pedem a Washington uma investigação sobre as circunstâncias da saída de Aristide, que insiste em denunciar que foi seqüestrado pelos Estados Unidos e que ainda é o presidente democraticamente eleito do Haiti.

Washington desmente a acusação e afirma que não há nada para investigar sobre a partida de Aristide.



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Aristide se refugia na Jamaica e desafia governo haitiano

Da AFP

16/03/2004 | 11:11


O ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide está refugiado na Jamaica, a menos de 200 km de seu país, num aberto desafio a Washington e ao governo interino do Haiti, que cortou suas relações diplomáticas com Kingston.

Procedente da República Centro-africana, onde permaneceu 15 dias, após ser deposto no dia 29 de fevereiro, Aristide chegou na segunda a Kingston e agradeceu ao governo e ao povo da Jamaica por permitir que ele fique no país, afirmou seu assessor de imprensa, Huntley Medley.

Questionado sobre quanto tempo Aristide permanecerá na ilha caribenha, Medley respondeu que, no momento, não sabe. Também se recusou a revelar onde está instalado o ex-presidente.

O governo do primeiro-ministro da Jamaica, Percival Patterson, disse que Aristide permanecerá entre oito e dez semanas no país, para reunir-se com suas duas pequenas filhas que viajaram aos Estados Unidos no dia 29 de fevereiro. Declarou que a Jamaica pediu a Aristide para não implicar-se em atividades políticas.

A presença de Aristide no Caribe irritou Washington, que lidera temporariamente uma força multinacional de 2,6 mil soldados no Haiti, ante o temor de que provoque um aumento da tensão e dificulte a transição política em andamento depois de sua partida para o exílio. "Não apoiamos seu retorno" à região caribenha, depois de sua partida forçada no dia 29 de fevereiro rumo à República Centro-africana, declarou o porta-voz-adjunto do Departamento de Estado dos EUA, Adam Ereli.

Sua presença na Jamaica "não tem nenhuma finalidade útil", afirmou Ereli, pouco antes do anúncio da chegada do deposto presidente a Kingston, a capital da Jamaica. Desde a saída de Aristide, vários de seus simpatizantes enfrentaram marines americanos.

O primeiro-ministro interino do Haiti, Gerard Latortue, cortou na segunda as relações diplomáticas com a Jamaica e ameaçou romper com o Caricom (grupo de países caribenhos), cuja presidência é exercida por Patterson.

A decisão da Jamaica é "um gesto inamistoso" que pode "criar tensões", disse ontem Latortue a uma emissora de rádio haitiana. "Estou disposto a reconsiderar nossa posição na Caricom. Os haitianos não devem deixar-se arrastar por outros países", afirmou.

A conselheira de segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, considerou no domingo que o retorno de Aristide ao Caribe foi "uma má idéia". O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse antes da polêmica viagem que "a esperança é que não volte ao hemisfério e complique a situação".

O Caricom e vários parlamentares democratas americanos, muitos deles pertencentes ao "Black Caucus" (grupo de legisladores negros do Congresso), pedem a Washington uma investigação sobre as circunstâncias da saída de Aristide, que insiste em denunciar que foi seqüestrado pelos Estados Unidos e que ainda é o presidente democraticamente eleito do Haiti.

Washington desmente a acusação e afirma que não há nada para investigar sobre a partida de Aristide.

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