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CNBB lança campanha contra violência infantil


Do Diário do Grande ABC

04/10/1999 | 18:42


A Confederaçao Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta segunda-feira, através da Pastoral da Criança, uma campanha nacional de prevençao da violência infantil no ambiente familiar. A iniciativa, que deverá se incorporar à agenda definitiva da Igreja Católica, vai abranger um universo superior a 1,5 milhao de gestantes e crianças com até seis anos de idade em todo o país. Desde esta segunda-feira um exército de 136 mil voluntários começou a visitar famílias de 30 mil comunidades carentes espalhadas por 3.166 municípios de todos os estados brasileiros.

De acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - usados como referência pelos organizadores da campanha contra a violência infantil -, morrem no Brasil 100 crianças por dia vítimas de maus tratos. O mesmo organismo aponta que a agressao sexual atinge, em média, 15% dos 65 milhoes dos brasileiros com menos de 19 anos de idade. Desse contingente, dois terços sao formados por meninas. O levantamento dá conta ainda que cerca de 300 mil meninas sao vítimas de incesto (violência sexual praticada pelo pai) ao ano. Delas, mais de 100 mil chegam a tentar o suicídio em decorrência da agressao.

Preocupada com esses números, a Pastoral da Criança desenvolveu um programa que prevê o envolvimento de organizaçoes sociais, lideranças políticas, prefeituras, governos de estado e a própria Presidência da República. O presidente Fernando Henrique Cardoso foi a primeira autoridade a receber, em audiência realizada nesta segunda-feira no Palácio do Planalto, uma cópia da cartilha Convocaçao à sociedade para a construçao de uma cultura de paz, documento que resume as propostas da campanha de combate à violência infantil.

"Estamos lançando uma campanha pela educaçao para a paz. É preciso ter atitude, criar uma cultura pela paz no ambiente familiar", disse a coordenadora nacional da Pastoral da Criança, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann. Para conseguir reduzir os índices de violência contra a criança, os agentes da Pastoral iniciarao a campanha a partir de um trabalho de recuperaçao da auto-estima das mulheres envolvidas com violência familiar, um dos fatores que contribuem para o ambiente de maltratos à criança, explicou Zilda Arns.

Os voluntários da Pastoral da Criança foram treinados ainda para influir nos ambientes familiares onde haja ocorrência de atos violentos. Nessas lugares, os agentes irao entregar, durante a primeira visita, um folheto contendo os 10 mandamentos para a paz da família. O prospecto, que conta com o apoio do Ministério da Saúde, teve um milhao de cópias reproduzidas e traz mensagens do tipo: "Quem bate para ensinar está ensinando a bater". O conteúdo dos panfletos será discutido com cada família que tenha vivido episódios de violência no lar.

"A conscientizaçao é a saída para combater a violência familiar", disse o secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori. Para ele, que participou nesta segunda-feira do lançamento da campanha contra a violência infantil na sede da CNBB, a iniciativa da Pastoral da Criança será ''um reforço muito grande`` para a campanha lançada em 1988 no Brasil pela Secretaria de Direitos Humanos a pedido da Organizaçao das Naçoes Unidas (ONU). Embora admita a influência da situaçao econômica sobre o ambiente de miséria em que vivem as famílias que maltratam crianças, Gregori disse que a integraçao com a Igreja ajudará a reverter os índices de violência.



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CNBB lança campanha contra violência infantil

Do Diário do Grande ABC

04/10/1999 | 18:42


A Confederaçao Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta segunda-feira, através da Pastoral da Criança, uma campanha nacional de prevençao da violência infantil no ambiente familiar. A iniciativa, que deverá se incorporar à agenda definitiva da Igreja Católica, vai abranger um universo superior a 1,5 milhao de gestantes e crianças com até seis anos de idade em todo o país. Desde esta segunda-feira um exército de 136 mil voluntários começou a visitar famílias de 30 mil comunidades carentes espalhadas por 3.166 municípios de todos os estados brasileiros.

De acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - usados como referência pelos organizadores da campanha contra a violência infantil -, morrem no Brasil 100 crianças por dia vítimas de maus tratos. O mesmo organismo aponta que a agressao sexual atinge, em média, 15% dos 65 milhoes dos brasileiros com menos de 19 anos de idade. Desse contingente, dois terços sao formados por meninas. O levantamento dá conta ainda que cerca de 300 mil meninas sao vítimas de incesto (violência sexual praticada pelo pai) ao ano. Delas, mais de 100 mil chegam a tentar o suicídio em decorrência da agressao.

Preocupada com esses números, a Pastoral da Criança desenvolveu um programa que prevê o envolvimento de organizaçoes sociais, lideranças políticas, prefeituras, governos de estado e a própria Presidência da República. O presidente Fernando Henrique Cardoso foi a primeira autoridade a receber, em audiência realizada nesta segunda-feira no Palácio do Planalto, uma cópia da cartilha Convocaçao à sociedade para a construçao de uma cultura de paz, documento que resume as propostas da campanha de combate à violência infantil.

"Estamos lançando uma campanha pela educaçao para a paz. É preciso ter atitude, criar uma cultura pela paz no ambiente familiar", disse a coordenadora nacional da Pastoral da Criança, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann. Para conseguir reduzir os índices de violência contra a criança, os agentes da Pastoral iniciarao a campanha a partir de um trabalho de recuperaçao da auto-estima das mulheres envolvidas com violência familiar, um dos fatores que contribuem para o ambiente de maltratos à criança, explicou Zilda Arns.

Os voluntários da Pastoral da Criança foram treinados ainda para influir nos ambientes familiares onde haja ocorrência de atos violentos. Nessas lugares, os agentes irao entregar, durante a primeira visita, um folheto contendo os 10 mandamentos para a paz da família. O prospecto, que conta com o apoio do Ministério da Saúde, teve um milhao de cópias reproduzidas e traz mensagens do tipo: "Quem bate para ensinar está ensinando a bater". O conteúdo dos panfletos será discutido com cada família que tenha vivido episódios de violência no lar.

"A conscientizaçao é a saída para combater a violência familiar", disse o secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori. Para ele, que participou nesta segunda-feira do lançamento da campanha contra a violência infantil na sede da CNBB, a iniciativa da Pastoral da Criança será ''um reforço muito grande`` para a campanha lançada em 1988 no Brasil pela Secretaria de Direitos Humanos a pedido da Organizaçao das Naçoes Unidas (ONU). Embora admita a influência da situaçao econômica sobre o ambiente de miséria em que vivem as famílias que maltratam crianças, Gregori disse que a integraçao com a Igreja ajudará a reverter os índices de violência.

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