Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 6 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

dmais@dgabc.com.br | 4435-8396

Sobrevivência na selva

Para se tornar comissário é preciso encarar longa
caminhada, cair na água fria e ficar horas sem comer


Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

06/11/2011 | 07:00


Não tem jeitinho, vai ter de fazer tudo. Se alguém for dar trabalho já desce do ônibus." Assim, Salmeron Cardoso, diretor do Centro Educacional de Aviação do Brasil, dá boas-vindas aos 188 alunos do curso de comissário de bordo. Às 4h30, com misto de sono e ansiedade, a galera segue viagem para Juquitiba, onde o treinamento de sobrevivência na selva os espera. A equipe do D+ vivenciou tudo de perto.

No busão, a turma recebe orientações dos monitores e começa a se preparar para o desafio. No alto do boné fica o número de identificação. Durante aquele dia, ninguém vai ser chamado pelo nome. Mera semelhança com o filme do capitão Nascimento? Não é o que os alunos pensam.

Mas por que todos estão com as meias por cima da calça e tornozelos enrolados por fita adesiva? "Para evitar que bichos entrem dentro da roupa", alguém responde. Os insetos, entretanto, nem de longe representam o maior dos problemas para os técnicos em segurança de voo (nome do cargo ocupado pelo comissário).

Muita gente pensa que estão no avião só para servir bebida e comida. Não é nada disso. "A função é estar preparado para qualquer situação de emergência, desde infarto a princípio de incêndio. São situações diferentes do dia a dia. O psicológico tem de estar bem preparado", explica Sonia Soares Cardoso, diretora do Ceab.

Às 6h50, os alunos descem do ônibus com as mochilas nas costas. Alimentos e celulares são colocados em uma única mala. Durante cerca de 12 horas estão proibidos de ingerir algo sólido. Quem for pego comendo ou usando aparelho eletrônico durante o treinamento é reprovado na hora. Podem consumir apenas água, um pouco de sal e açúcar.

Após serem divididos em grupos, iniciam a caminhada pelo interior da Mata Atlântica. Às 8h40 chegam ao acampamento base. Lá são ministradas as aulas de obtenção de alimento animal, armadilha, primeiros socorros, navegação com bússola e sinalização diurna. Nada de simpatia com os instrutores. Silêncio é a ordem. Apesar disso, tem gente que dispersa e dá um jeito de se comunicar com o amigo mesmo que por meio de bilhete.

O frio intenso pela manhã logo dá espaço ao calor abafado. Mas, por sorte, o dia estava lindo. Se estivesse chovendo com certeza seria muito pior, pois as atividades não deixariam de ser realizadas. Às 10h25 já tinha um monte de gente reclamando de fome. E como tudo pode piorar, perto da hora do almoço o sono começa a apertar. Alguns lutam bravamente para manter os olhos abertos. A má notícia é que o curso ainda está na metade e a hora de ir embora vai demorar para chegar.

 

Tormenta na piscina - No início da tarde, dois grandes grupos se formaram. Um deles seguiu para a piscina com 1,70 m de profundidade para treinar situações de emergência na água. Parecia ser moleza. Ninguém passaria muito frio, pois estavam em local fechado, não? Até parece. Segundo a galera, completamente exausta, a água estava geladíssima. "Igual a de geladeira", garante uma aspirante à comissária. Pelos gritos dados ao mergulhar, devia estar mesmo. Para alguns, a água parece um meio muito natural; para outros, entretanto, é verdadeiro tormento. E teve gente que deu trabalho para os instrutores. "Acho que não vou conseguir", alguém mais desesperado diz. Mas nada melhor do que superar dificuldades. E ao fim de tanto sacrifício, muitos aplausos!

 

Desafio na casinha de fumaça - Enquanto um grupo estava na piscina, o outro encarava o treinamento de combate ao fogo. Primeiro, foi preciso passar por pequeno labirinto no interior de uma casinha sem qualquer iluminação e cheia de fumaça. E dessa atividade a repórter não escapou. O trajeto é curto, mas no momento em que o atravessamos pareceu bem maior. Todos deveriam permanecer de mãos dadas; se alguém as soltasse, a equipe teria de refazer o exercício. Lá dentro também era necessário responder três perguntas sobre conteúdos que os alunos viram nas aulas teóricas. Alívio na hora de sair e poder respirar ar puro novamente! Mas o treino não acabou por aí. Após a tarefa, a galera ainda teve de aprender a manipular extintores de incêndio e apagar labaredas.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Sobrevivência na selva

Para se tornar comissário é preciso encarar longa
caminhada, cair na água fria e ficar horas sem comer

Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC

06/11/2011 | 07:00


Não tem jeitinho, vai ter de fazer tudo. Se alguém for dar trabalho já desce do ônibus." Assim, Salmeron Cardoso, diretor do Centro Educacional de Aviação do Brasil, dá boas-vindas aos 188 alunos do curso de comissário de bordo. Às 4h30, com misto de sono e ansiedade, a galera segue viagem para Juquitiba, onde o treinamento de sobrevivência na selva os espera. A equipe do D+ vivenciou tudo de perto.

No busão, a turma recebe orientações dos monitores e começa a se preparar para o desafio. No alto do boné fica o número de identificação. Durante aquele dia, ninguém vai ser chamado pelo nome. Mera semelhança com o filme do capitão Nascimento? Não é o que os alunos pensam.

Mas por que todos estão com as meias por cima da calça e tornozelos enrolados por fita adesiva? "Para evitar que bichos entrem dentro da roupa", alguém responde. Os insetos, entretanto, nem de longe representam o maior dos problemas para os técnicos em segurança de voo (nome do cargo ocupado pelo comissário).

Muita gente pensa que estão no avião só para servir bebida e comida. Não é nada disso. "A função é estar preparado para qualquer situação de emergência, desde infarto a princípio de incêndio. São situações diferentes do dia a dia. O psicológico tem de estar bem preparado", explica Sonia Soares Cardoso, diretora do Ceab.

Às 6h50, os alunos descem do ônibus com as mochilas nas costas. Alimentos e celulares são colocados em uma única mala. Durante cerca de 12 horas estão proibidos de ingerir algo sólido. Quem for pego comendo ou usando aparelho eletrônico durante o treinamento é reprovado na hora. Podem consumir apenas água, um pouco de sal e açúcar.

Após serem divididos em grupos, iniciam a caminhada pelo interior da Mata Atlântica. Às 8h40 chegam ao acampamento base. Lá são ministradas as aulas de obtenção de alimento animal, armadilha, primeiros socorros, navegação com bússola e sinalização diurna. Nada de simpatia com os instrutores. Silêncio é a ordem. Apesar disso, tem gente que dispersa e dá um jeito de se comunicar com o amigo mesmo que por meio de bilhete.

O frio intenso pela manhã logo dá espaço ao calor abafado. Mas, por sorte, o dia estava lindo. Se estivesse chovendo com certeza seria muito pior, pois as atividades não deixariam de ser realizadas. Às 10h25 já tinha um monte de gente reclamando de fome. E como tudo pode piorar, perto da hora do almoço o sono começa a apertar. Alguns lutam bravamente para manter os olhos abertos. A má notícia é que o curso ainda está na metade e a hora de ir embora vai demorar para chegar.

 

Tormenta na piscina - No início da tarde, dois grandes grupos se formaram. Um deles seguiu para a piscina com 1,70 m de profundidade para treinar situações de emergência na água. Parecia ser moleza. Ninguém passaria muito frio, pois estavam em local fechado, não? Até parece. Segundo a galera, completamente exausta, a água estava geladíssima. "Igual a de geladeira", garante uma aspirante à comissária. Pelos gritos dados ao mergulhar, devia estar mesmo. Para alguns, a água parece um meio muito natural; para outros, entretanto, é verdadeiro tormento. E teve gente que deu trabalho para os instrutores. "Acho que não vou conseguir", alguém mais desesperado diz. Mas nada melhor do que superar dificuldades. E ao fim de tanto sacrifício, muitos aplausos!

 

Desafio na casinha de fumaça - Enquanto um grupo estava na piscina, o outro encarava o treinamento de combate ao fogo. Primeiro, foi preciso passar por pequeno labirinto no interior de uma casinha sem qualquer iluminação e cheia de fumaça. E dessa atividade a repórter não escapou. O trajeto é curto, mas no momento em que o atravessamos pareceu bem maior. Todos deveriam permanecer de mãos dadas; se alguém as soltasse, a equipe teria de refazer o exercício. Lá dentro também era necessário responder três perguntas sobre conteúdos que os alunos viram nas aulas teóricas. Alívio na hora de sair e poder respirar ar puro novamente! Mas o treino não acabou por aí. Após a tarefa, a galera ainda teve de aprender a manipular extintores de incêndio e apagar labaredas.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;