Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 19 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Operações de crédito têm alta de 35,2% de 2014 para 2015


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

13/12/2015 | 07:00


O volume de operações de crédito concedidas no terceiro trimestre de 2015 pelas agências bancárias da região teve aumento real de 35,23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre julho e setembro deste ano, o total de recursos liberados pelos bancos comerciais no Grande ABC entre empréstimos e financiamentos foi de R$ 97,210 bilhões – R$ 23,325 bilhões a mais do que nesses três meses de 2014.

O levantamento foi feito pelo Diário com base nos dados mais recentes da Estban (Estatísticas Bancárias por Município), do BC (Banco Central). Os números foram corrigidos de acordo com a inflação atual pelo professor Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista. O aumento de 35,23% é o maior desde, pelo menos, 2002.

Na avaliação de Maskio, o crescimento nos empréstimos e financiamentos está atrelado ao maior endividamento de famílias e empresas. “Esse aumento tem motivação diferente do que ocorreu entre 2009 e 2012, quando essas operações eram base para o fomento da atividade econômica. Neste momento de retração, entretanto, a relação de causa e efeito se inverte. O crédito não tem mais a finalidade de impulsionar produção e consumo e passa a servir como um socorro, seja para renegociar dívidas anteriores ou para honrar compromissos financeiros.”

O economista acrescenta que há outro tipo de situação na qual as famílias acabam recorrendo ao crédito. “Muitas pessoas, quando perdem o emprego, têm uma resistência inicial a mudar o padrão de vida ou deixar de consumir algo que passou a fazer parte da rotina. Isso ocorre diante da crença de que o problema do desemprego vai se solucionar rapidamente.”

Por outro lado, Maskio considera que a estratégia de cobrir uma dívida com outra é arriscada e “irracional”. Principalmente por causa dos juros, que são extremamente elevados, o que acaba gerando uma “bola de neve”. Em outubro, conforme a última pesquisa da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), as taxas anuais médias para pessoas físicas são de 132,9%, alcançando 368,27% no cartão de crédito. Para pessoas jurídicas, as taxas médias são de 63,08% ao ano.

Considerando apenas os financiamentos, o aumento real foi de 5,2% no terceiro trimestre de 2015 ante o mesmo período do ano passado. Para Maskio, essa evolução reflete as operações feitas por empresas para honrar pagamentos a funcionários e fornecedores.

Coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, o economista Ricardo Balistiero sugere outra possibilidade que justifique o aumento na tomada de crédito: as linhas de financiamento para o setor público, em especial as prefeituras da região. Entre os exemplos de programas federais que demandam repasse de recursos às administrações municipais estão o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Mobilidade e o Minha Casa Minha Vida.

Entre julho e setembro deste ano, as instituições públicas (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) foram responsáveis pela liberação de 80,5% do crédito no Grande ABC. Em valores nominais (sem considerar a inflação), esses dois bancos forneceram R$ 76,7 bilhões no período. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a variação é de 87,2%.

Em 2010, quando o PIB (Produto Interno Bruto) do País cresceu 7,6%, os bancos públicos foram responsáveis pela liberação de somente 49% do crédito na região. Por outro lado, em 2012, quando o crescimento da economia nacional caiu para 1%, a participação das instituições financeiras estatais no fornecimento total de empréstimos e financiamentos subiu para 55,4%.

A cidade que concentrou a maior parte das operações de crédito no terceiro trimestre de 2015 foi São Bernardo, cujos valores deflacionados chegaram a R$ 54,798 bilhões, com expressiva alta de 127,86% na comparação com 2014 (R$ 24,049 bilhões). Por outro lado, as cidades de São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires tiveram redução de um ano para o outro. Em Santo André, município com o segundo maior volume, a alta foi de apenas 3,35%. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Operações de crédito têm alta de 35,2% de 2014 para 2015

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

13/12/2015 | 07:00


O volume de operações de crédito concedidas no terceiro trimestre de 2015 pelas agências bancárias da região teve aumento real de 35,23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre julho e setembro deste ano, o total de recursos liberados pelos bancos comerciais no Grande ABC entre empréstimos e financiamentos foi de R$ 97,210 bilhões – R$ 23,325 bilhões a mais do que nesses três meses de 2014.

O levantamento foi feito pelo Diário com base nos dados mais recentes da Estban (Estatísticas Bancárias por Município), do BC (Banco Central). Os números foram corrigidos de acordo com a inflação atual pelo professor Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista. O aumento de 35,23% é o maior desde, pelo menos, 2002.

Na avaliação de Maskio, o crescimento nos empréstimos e financiamentos está atrelado ao maior endividamento de famílias e empresas. “Esse aumento tem motivação diferente do que ocorreu entre 2009 e 2012, quando essas operações eram base para o fomento da atividade econômica. Neste momento de retração, entretanto, a relação de causa e efeito se inverte. O crédito não tem mais a finalidade de impulsionar produção e consumo e passa a servir como um socorro, seja para renegociar dívidas anteriores ou para honrar compromissos financeiros.”

O economista acrescenta que há outro tipo de situação na qual as famílias acabam recorrendo ao crédito. “Muitas pessoas, quando perdem o emprego, têm uma resistência inicial a mudar o padrão de vida ou deixar de consumir algo que passou a fazer parte da rotina. Isso ocorre diante da crença de que o problema do desemprego vai se solucionar rapidamente.”

Por outro lado, Maskio considera que a estratégia de cobrir uma dívida com outra é arriscada e “irracional”. Principalmente por causa dos juros, que são extremamente elevados, o que acaba gerando uma “bola de neve”. Em outubro, conforme a última pesquisa da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), as taxas anuais médias para pessoas físicas são de 132,9%, alcançando 368,27% no cartão de crédito. Para pessoas jurídicas, as taxas médias são de 63,08% ao ano.

Considerando apenas os financiamentos, o aumento real foi de 5,2% no terceiro trimestre de 2015 ante o mesmo período do ano passado. Para Maskio, essa evolução reflete as operações feitas por empresas para honrar pagamentos a funcionários e fornecedores.

Coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, o economista Ricardo Balistiero sugere outra possibilidade que justifique o aumento na tomada de crédito: as linhas de financiamento para o setor público, em especial as prefeituras da região. Entre os exemplos de programas federais que demandam repasse de recursos às administrações municipais estão o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Mobilidade e o Minha Casa Minha Vida.

Entre julho e setembro deste ano, as instituições públicas (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) foram responsáveis pela liberação de 80,5% do crédito no Grande ABC. Em valores nominais (sem considerar a inflação), esses dois bancos forneceram R$ 76,7 bilhões no período. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a variação é de 87,2%.

Em 2010, quando o PIB (Produto Interno Bruto) do País cresceu 7,6%, os bancos públicos foram responsáveis pela liberação de somente 49% do crédito na região. Por outro lado, em 2012, quando o crescimento da economia nacional caiu para 1%, a participação das instituições financeiras estatais no fornecimento total de empréstimos e financiamentos subiu para 55,4%.

A cidade que concentrou a maior parte das operações de crédito no terceiro trimestre de 2015 foi São Bernardo, cujos valores deflacionados chegaram a R$ 54,798 bilhões, com expressiva alta de 127,86% na comparação com 2014 (R$ 24,049 bilhões). Por outro lado, as cidades de São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires tiveram redução de um ano para o outro. Em Santo André, município com o segundo maior volume, a alta foi de apenas 3,35%. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;