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Gestor deixa Hospital São Caetano


Paula Cabrera
Do Diário do Grande ABC

13/07/2010 | 07:03


O não cumprimento do contrato de prestação de serviços e as altas dívidas do Hospital São Caetano foram o estopim para que o Hospital Brasil finalizasse contrato iniciado em 2009. Segundo fontes, o espaço tem passivo de cerca de R$150 milhões, fora as ações trabalhistas.

De acordo com o superintendente do Hospital Brasil, Nilton Angelo Lorandi, o contrato previa que o Brasil prestaria serviços de expertise na administração do São Caetano e receberia por isso. "Preferimos não divulgar valor, mas no acordo foi proposto que receberíamos mensalmente por isso, no entanto, saímos chateados pois envolveram nosso nome sem qualquer justificativa e jogaram sobre nós responsabilidades que não nos cabiam."

Entre essas responsabilidades, está o fornecimento "sistematicamente" medicamentos para que o hospital pudesse "caminhar com as próprias pernas" em breve.

O Hospital São Caetano, que completou 20 anos recentemente, foi arrendado para um grupo privado no ano passado e, de acordo com fontes ligadas ao local, esses integrantes teriam optado pelo Brasil para fazer a gestão financeira das contas do São Caetano. "Fizemos esse mesmo trabalho entre 2003 e 2005. Era apenas uma gestão administrativa para tentar tirar o espaço da difícil situação que se encontrava. No entanto, vínhamos alertando sobre as dívidas há algum tempo e eles nunca nos ouviram", atesta o diretor.

O Brasil foi vendido ao Grupo D'or em abril deste ano e, de acordo com o diretor do hospital andreense, durante o processo de fusão foi iniciado estudo sobre o serviço prestado ao São Caetano. "Vimos nesse levantamento que era melhor deixar esse trabalho de lado, pois estávamos apenas sendo prejudicados" atesta Lorandi.

De acordo com ele, o Brasil ofereceu-se para continuar a bancar remédios para quem já estava internado, mas o São Caetano optou por transferir os pacientes. "Por conta do atraso no salário dos servidores, eles temiam que houvesse mais problemas e optaram por transferir esses pacientes. Não tivemos qualquer relação com a decisão ou com o possível fechamento", conclui Lorandi.

Procurada, a administração do São Caetano preferiu não se manifestar.

Pacientes aguardam transferência
Familiares dos pacientes internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital São Caetano estiveram ontem no local em busca de explicações sobre como o hospital irá proceder já que, segundo relatos de funcionários, a medicação está acabando, dificultando o trabalho do corpo clínico.

Os internados começaram a ser remanejados no fim de semana pela Prefeitura de São Caetano para o Maria Braido, na cidade, e o Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.

Olga Guerellus, 73 anos é uma das pacientes que aguardam remoção. Ela passou por cirurgia no cotovelo, após 15 dias de espera, e teve que ficar internada devido outras complicações médicas. "Estamos inconformados porque está faltando o acompanhamento de especialistas. Os pacientes ficam sem atendimento. Apenas de um clínico geral", lamentou a filha da idosa Sonia Guerellus.

O filho de um outro paciente da UTI, que não quis se identificar, disse que há uma semana seu pai teve derrame e até a tarde de ontem ainda não sabiam o que iriam fazer com ele, que seguia em coma.

O diretor clínico do São Caetano Mário Sergio Alves da Cunha informou que não tinha autorização para falar sobre a situação administrativa.

Após solicitação feita pela Secretaria de Saúde de São Caetano à diretoria do Hospital Mário Covas, cinco dos 19 pacientes foram transferidos, outros dez foram para o Maria Braido e quatro ainda aguardam transferência.

Hoje, a diretoria de Vigilância à Saúde do município deve se reunir com dirigentes do hospital. A Prefeitura aguarda liberação de mais quatro leitos para acomodar os pacientes que ainda estão no hospital. (Kelly Zucatelli)



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Gestor deixa Hospital São Caetano

Paula Cabrera
Do Diário do Grande ABC

13/07/2010 | 07:03


O não cumprimento do contrato de prestação de serviços e as altas dívidas do Hospital São Caetano foram o estopim para que o Hospital Brasil finalizasse contrato iniciado em 2009. Segundo fontes, o espaço tem passivo de cerca de R$150 milhões, fora as ações trabalhistas.

De acordo com o superintendente do Hospital Brasil, Nilton Angelo Lorandi, o contrato previa que o Brasil prestaria serviços de expertise na administração do São Caetano e receberia por isso. "Preferimos não divulgar valor, mas no acordo foi proposto que receberíamos mensalmente por isso, no entanto, saímos chateados pois envolveram nosso nome sem qualquer justificativa e jogaram sobre nós responsabilidades que não nos cabiam."

Entre essas responsabilidades, está o fornecimento "sistematicamente" medicamentos para que o hospital pudesse "caminhar com as próprias pernas" em breve.

O Hospital São Caetano, que completou 20 anos recentemente, foi arrendado para um grupo privado no ano passado e, de acordo com fontes ligadas ao local, esses integrantes teriam optado pelo Brasil para fazer a gestão financeira das contas do São Caetano. "Fizemos esse mesmo trabalho entre 2003 e 2005. Era apenas uma gestão administrativa para tentar tirar o espaço da difícil situação que se encontrava. No entanto, vínhamos alertando sobre as dívidas há algum tempo e eles nunca nos ouviram", atesta o diretor.

O Brasil foi vendido ao Grupo D'or em abril deste ano e, de acordo com o diretor do hospital andreense, durante o processo de fusão foi iniciado estudo sobre o serviço prestado ao São Caetano. "Vimos nesse levantamento que era melhor deixar esse trabalho de lado, pois estávamos apenas sendo prejudicados" atesta Lorandi.

De acordo com ele, o Brasil ofereceu-se para continuar a bancar remédios para quem já estava internado, mas o São Caetano optou por transferir os pacientes. "Por conta do atraso no salário dos servidores, eles temiam que houvesse mais problemas e optaram por transferir esses pacientes. Não tivemos qualquer relação com a decisão ou com o possível fechamento", conclui Lorandi.

Procurada, a administração do São Caetano preferiu não se manifestar.

Pacientes aguardam transferência
Familiares dos pacientes internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital São Caetano estiveram ontem no local em busca de explicações sobre como o hospital irá proceder já que, segundo relatos de funcionários, a medicação está acabando, dificultando o trabalho do corpo clínico.

Os internados começaram a ser remanejados no fim de semana pela Prefeitura de São Caetano para o Maria Braido, na cidade, e o Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.

Olga Guerellus, 73 anos é uma das pacientes que aguardam remoção. Ela passou por cirurgia no cotovelo, após 15 dias de espera, e teve que ficar internada devido outras complicações médicas. "Estamos inconformados porque está faltando o acompanhamento de especialistas. Os pacientes ficam sem atendimento. Apenas de um clínico geral", lamentou a filha da idosa Sonia Guerellus.

O filho de um outro paciente da UTI, que não quis se identificar, disse que há uma semana seu pai teve derrame e até a tarde de ontem ainda não sabiam o que iriam fazer com ele, que seguia em coma.

O diretor clínico do São Caetano Mário Sergio Alves da Cunha informou que não tinha autorização para falar sobre a situação administrativa.

Após solicitação feita pela Secretaria de Saúde de São Caetano à diretoria do Hospital Mário Covas, cinco dos 19 pacientes foram transferidos, outros dez foram para o Maria Braido e quatro ainda aguardam transferência.

Hoje, a diretoria de Vigilância à Saúde do município deve se reunir com dirigentes do hospital. A Prefeitura aguarda liberação de mais quatro leitos para acomodar os pacientes que ainda estão no hospital. (Kelly Zucatelli)

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