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Orfanatos russos transformam órfaos em delinqüentes


Do Diário do Grande ABC

01/06/1999 | 10:25


Dez por cento dos órfaos russos se suicidam, trinta por cento terminam sendo delinqüentes e quarenta por cento vagabundos. Estes dados oficiais, destacados pelas associaçoes de defesa dos direitos humanos, poem no banco dos réus o sistema de orfanatos da Rússia.

``Os orfanatos russos quebram a psicologia dos meninos'', em razao da violência que os menores sofrem neles, afirma Boris Alchuler, chefe do programa ``Direitos do menor'', organizado pelo Centro de Estudos de Direitos Humanos de Moscou (independente).

Cerca de 185 mil menores, 35 mil dos quais inválidos, vivem atualmente nos orfanatos russos.

Segundo Alchuler, alguns asilos de órfaos se transformaram em ``refúgios para maníacos sexuais''. Em setembro do ano passado, o diretor de um desses estabelecimentos, Dmitri Karpov, foi condenado por ter violentado e torturado vários dos menores pelos quais era responsável.

``Os educadores nos tratam como bandidos'', escreveu uma órfa, Yulia Malicheva, em uma carta citada pela diretoa do programa ``Direitos do menor'', Liubov Kuchnir, acrescentando que em alguns orfanatos os educadores chegam inclusive a algemar os menores.

``Certamente, há muitos problemas em nossos orfanatos, mas os estabelecimentos moscovitas estao em melhores condiçoes que os das províncias'', declarou Valentina Vassiaieva, funcionária do comitê de educaçao da prefeitura de Moscou, que administra os orfanatos da cidade.

Além disso, é muito difícil comprovar os atos de violência. Depois de uma investigaçao em um estabelecimento de Moscou em que os educadores mantinham os menores fechados em um quarto vazio por vários dias, a justiça arquivou o caso por falta de provas, afirmam os defensores dos direitos humanos.

``Os menores que vivem em orfanatos carecem de sensibilidade, sao incapazes de sentir piedade ou qualquer outra emoçao'', declara Galina Kamaeva, que dirige em Sao Petersburgo um albergue familiar que recebe ex-residentes de orfanatos.

Esses albergues, que há poucos anos eram numerosos na Rússia, agora andam cada vez mais escassos, porque os administradores de orfanatos estao dispostos a tudo para manter os órfaos em seus estabelecimentos, levando em conta que eles sao uma valiosa fonte de renda, denuncia ``Direitos do menor''.

O Estado paga 2.500 rublos (100 dólares) mensalmente por menor aos orfanatos e 3.500 rublos por menor inválido. Mas as famílias que adotam m menor para educá-lo só recebem cem rublos (4 dólares) por mês.

``Nos orfanatos, freqüentemente se diagnostica retardo mental nos menores, nao porque sofram realmente esse problema, mas porque o estabelecimento assim recebe uma subvençao maior'', denuncia Liudmila Alekseyeva, da agência moscovita do Comitê Helsinque.



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Orfanatos russos transformam órfaos em delinqüentes

Do Diário do Grande ABC

01/06/1999 | 10:25


Dez por cento dos órfaos russos se suicidam, trinta por cento terminam sendo delinqüentes e quarenta por cento vagabundos. Estes dados oficiais, destacados pelas associaçoes de defesa dos direitos humanos, poem no banco dos réus o sistema de orfanatos da Rússia.

``Os orfanatos russos quebram a psicologia dos meninos'', em razao da violência que os menores sofrem neles, afirma Boris Alchuler, chefe do programa ``Direitos do menor'', organizado pelo Centro de Estudos de Direitos Humanos de Moscou (independente).

Cerca de 185 mil menores, 35 mil dos quais inválidos, vivem atualmente nos orfanatos russos.

Segundo Alchuler, alguns asilos de órfaos se transformaram em ``refúgios para maníacos sexuais''. Em setembro do ano passado, o diretor de um desses estabelecimentos, Dmitri Karpov, foi condenado por ter violentado e torturado vários dos menores pelos quais era responsável.

``Os educadores nos tratam como bandidos'', escreveu uma órfa, Yulia Malicheva, em uma carta citada pela diretoa do programa ``Direitos do menor'', Liubov Kuchnir, acrescentando que em alguns orfanatos os educadores chegam inclusive a algemar os menores.

``Certamente, há muitos problemas em nossos orfanatos, mas os estabelecimentos moscovitas estao em melhores condiçoes que os das províncias'', declarou Valentina Vassiaieva, funcionária do comitê de educaçao da prefeitura de Moscou, que administra os orfanatos da cidade.

Além disso, é muito difícil comprovar os atos de violência. Depois de uma investigaçao em um estabelecimento de Moscou em que os educadores mantinham os menores fechados em um quarto vazio por vários dias, a justiça arquivou o caso por falta de provas, afirmam os defensores dos direitos humanos.

``Os menores que vivem em orfanatos carecem de sensibilidade, sao incapazes de sentir piedade ou qualquer outra emoçao'', declara Galina Kamaeva, que dirige em Sao Petersburgo um albergue familiar que recebe ex-residentes de orfanatos.

Esses albergues, que há poucos anos eram numerosos na Rússia, agora andam cada vez mais escassos, porque os administradores de orfanatos estao dispostos a tudo para manter os órfaos em seus estabelecimentos, levando em conta que eles sao uma valiosa fonte de renda, denuncia ``Direitos do menor''.

O Estado paga 2.500 rublos (100 dólares) mensalmente por menor aos orfanatos e 3.500 rublos por menor inválido. Mas as famílias que adotam m menor para educá-lo só recebem cem rublos (4 dólares) por mês.

``Nos orfanatos, freqüentemente se diagnostica retardo mental nos menores, nao porque sofram realmente esse problema, mas porque o estabelecimento assim recebe uma subvençao maior'', denuncia Liudmila Alekseyeva, da agência moscovita do Comitê Helsinque.

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