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Simão volta para o Maranhão amanhã

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Depois de 20 anos longe da família, morador de rua embarca para terra natal com os cães


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/08/2015 | 07:00


Após mais de 20 anos longe de casa, o morador de rua Simão Pinheiro da Costa, 43 anos, está arrumando as malas para retornar para sua terra natal, Buriti Bravo, no Maranhão. Ele volta para o local de avião amanhã à noite, após campanha de arrecadação encabeçada pela amiga Norma Elaine Pezzolo, 61, que embarca junto com ele.

Norma vai ajudar o amigo com a empreitada de embarcar os três cachorros de estimação: Marrom, Negão e Neguita. Como a companhia aérea só permite o transporte de um animal de porte grande por voo, eles serão divididos. Neguita embarca com Norma e Simão amanhã. A irmã dela, Solange Aurora Pezzolo, 56, será a responsável por embarcar Marrom na sexta-feira e, no sábado, ela segue viagem junto com Negão.

Uma tia de Simão, que mora próximo ao aeroporto de Teresina, no Piauí, vai fornecer abrigo a todos durante este período. Já foi alugada uma caminhonete para o transporte do grupo até Buriti Bravo, que fica longe 209 quilômetros do local.

Simão, que vai viajar de avião pela primeira vez, confessa estar com medo. “Estou muito ansioso. Me falaram que é rápido, mas, só de pensar, já me dá frio na barriga”, disse.

Somente o transporte dos três cachorros custou R$ 5.500. A passagem de Simão, que ficou em torno de R$ 600, foi custeada pela família. Com o dinheiro da campanha, ele também conseguiu fazer algo que não conseguia há 30 anos: vestir roupas novas. “Eu só ganhava peças de doação, nem sabia mais o que era usar roupa com etiqueta”, contou.

Norma, amiga de Simão há cinco anos, se emociona ao falar do futuro do morador de rua. Ela afirma que encarou a missão de vender rifas e abrir uma conta para doações como um chamado de Deus. “Eu sempre disse que se fosse para dar certo, ele iria voltar. Graças a Deus é o que está acontecendo agora. Eu só oro muito para que ele seja feliz junto dos cachorros. Para que ele arrume um emprego e volte a conviver em sociedade com dignidade. Ele merece isso.”

A história de Simão foi tema de reportagem do Diário em março deste ano. O morador de rua veio trabalhar em São Paulo em 1989 em uma loja de discos, mas o negócio acabou falindo. Sem emprego, a alternativa encontrada por Simão foi morar nas ruas.

Ele chegou em Santo André em 1994, onde ficou conhecido por conduzir seu carrinho de papelão na companhia dos três cachorros de estimação. Simão dividia tudo o que ganhava em doações com os companheiros de rua. Chegou a usar crack e a ser preso, mas hoje diz estar recuperado.

“Eu pensava muito na minha terra e na minha família quando dormia. Mas eu não acreditava que um dia voltaria. Ontem, elas (Norma e a irmã) me mostraram pelo computador as fotos da cidade. Tem até asfalto! Agora vou poder ver tudo aquilo e ter uma segunda chance”, comemora. 



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Simão volta para o Maranhão amanhã

Depois de 20 anos longe da família, morador de rua embarca para terra natal com os cães

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/08/2015 | 07:00


Após mais de 20 anos longe de casa, o morador de rua Simão Pinheiro da Costa, 43 anos, está arrumando as malas para retornar para sua terra natal, Buriti Bravo, no Maranhão. Ele volta para o local de avião amanhã à noite, após campanha de arrecadação encabeçada pela amiga Norma Elaine Pezzolo, 61, que embarca junto com ele.

Norma vai ajudar o amigo com a empreitada de embarcar os três cachorros de estimação: Marrom, Negão e Neguita. Como a companhia aérea só permite o transporte de um animal de porte grande por voo, eles serão divididos. Neguita embarca com Norma e Simão amanhã. A irmã dela, Solange Aurora Pezzolo, 56, será a responsável por embarcar Marrom na sexta-feira e, no sábado, ela segue viagem junto com Negão.

Uma tia de Simão, que mora próximo ao aeroporto de Teresina, no Piauí, vai fornecer abrigo a todos durante este período. Já foi alugada uma caminhonete para o transporte do grupo até Buriti Bravo, que fica longe 209 quilômetros do local.

Simão, que vai viajar de avião pela primeira vez, confessa estar com medo. “Estou muito ansioso. Me falaram que é rápido, mas, só de pensar, já me dá frio na barriga”, disse.

Somente o transporte dos três cachorros custou R$ 5.500. A passagem de Simão, que ficou em torno de R$ 600, foi custeada pela família. Com o dinheiro da campanha, ele também conseguiu fazer algo que não conseguia há 30 anos: vestir roupas novas. “Eu só ganhava peças de doação, nem sabia mais o que era usar roupa com etiqueta”, contou.

Norma, amiga de Simão há cinco anos, se emociona ao falar do futuro do morador de rua. Ela afirma que encarou a missão de vender rifas e abrir uma conta para doações como um chamado de Deus. “Eu sempre disse que se fosse para dar certo, ele iria voltar. Graças a Deus é o que está acontecendo agora. Eu só oro muito para que ele seja feliz junto dos cachorros. Para que ele arrume um emprego e volte a conviver em sociedade com dignidade. Ele merece isso.”

A história de Simão foi tema de reportagem do Diário em março deste ano. O morador de rua veio trabalhar em São Paulo em 1989 em uma loja de discos, mas o negócio acabou falindo. Sem emprego, a alternativa encontrada por Simão foi morar nas ruas.

Ele chegou em Santo André em 1994, onde ficou conhecido por conduzir seu carrinho de papelão na companhia dos três cachorros de estimação. Simão dividia tudo o que ganhava em doações com os companheiros de rua. Chegou a usar crack e a ser preso, mas hoje diz estar recuperado.

“Eu pensava muito na minha terra e na minha família quando dormia. Mas eu não acreditava que um dia voltaria. Ontem, elas (Norma e a irmã) me mostraram pelo computador as fotos da cidade. Tem até asfalto! Agora vou poder ver tudo aquilo e ter uma segunda chance”, comemora. 

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