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Valorização do artista


Sheila Kaplan
Ciência Hoje/RJ

21/09/2009 | 07:03


Com objetivo de registrar, em fotos e textos, a arte popular brasileira, os historiadores e jornalistas Beth Lima e Valfrido Lima atravessaram todo o País, correndo atrás de pistas de artistas que, na maioria das vezes, permanecem desconhecidos.

O resultado da pesquisa, iniciada em 2002 e que compreendeu quatro anos de viagens, foi reunido no livro Em Nome do Autor, cujo título expressa o propósito de romper o anonimato em que esses artistas se encontram. "Esse foi um dos compromissos do nosso projeto. Ir até onde o artista mora e tornar público seu endereço", afirma Valfrido Lima.

Com base em pesquisa bibliográfica e também nas indicações dos próprios entrevistados, os jornalistas visitaram mais de 1.000 artistas populares até chegar aos 320 nomes incluídos no livro.

Segundo os pesquisadores, a vida nem sempre tem sido benevolente com esses artistas: para sobreviverem, muitos vendem suas peças por preços módicos, que nos grandes centros urbanos acabam sendo vendidos por quantias inimagináveis para eles e a falta de reconhecimento é uma queixa comum.

COINCIDÊNCIAS - Os pesquisadores notaram coincidências curiosas, com alguns artistas que nunca se conheceram apresentando uma produção muito parecida. Lima cita, por exemplo, Manuel Graciano, de Juazeiro do Norte (CE), e Antônio Passarinheiro, de Bocaiúva do Sul (PR), com seus bichos sorridentes. Também notaram que os materiais usados pelos artistas variaram bastante e citam cimento, pedra, barro, madeira, tecido, papel, bambu, balata defumada (obtida a partir da extração do látex), raízes, sementes e palitos de fósforo como alguns deles.

Lima observa que, embora existam iniciativas de apoio à arte popular, a maioria dos programas é voltada para o artesanato gerador de renda e não para o trabalho artístico. Segundo ele, além de mais pesquisas, a arte popular deveria ser incluída nos currículos escolares e museus, e institutos dedicados ao tema deveriam ser criados para que esse trabalho alcançasse maior divulgação.

"A divulgação dessa arte é tão escassa que morre um grande mestre, como Raimundo Saraiva Cardoso, o mestre Cardoso, de Icoaraci, Belém (PA), falecido em 2006, e não sai uma linha nos jornais", lamenta.



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