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Realidade derruba discursos no Dia do Trabalho

Indústria automobilística instalada na região, por
exemplo, foi responsável por 17 mil demissões


Do Diário do Grande ABC

02/05/2009 | 07:21


Os discursos de sindicalistas e autoridades durante as comemorações do Dia do Trabalho, ontem, não corresponderam à realidade vivida pelos trabalhadores nos últimos meses.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou, para uma platéia de cerca de um milhão de pessoas presentes à festa organizada pela Força Sindical, em São Paulo, que o trabalhador "não pode pagar pela crise".

Na prática, a indústria automobilística instalada no Grande ABC, por exemplo, foi responsável por mais de 17 mil demissões, mesmo depois que as montadoras de veículos receberem benefícios fiscais do governo, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Lupi, em seu discurso, condenou empresas que adotaram essa estratégia. "Nenhum trabalhador pode pagar por uma crise que os Estados Unidos criaram. Não criamos a crise e vamos ser o primeiro País a sair dela", profetizou o ministro, como se o governo tivesse opiniões diferentes sobre o assunto e ele, Lupi, nada pudesse fazer para penalizar a quem critica.

Como parte de suas críticas, Lupi citou o setor automobilístico. "O Brasil está cansado de espertos", disparou. Já em Brasília, o ministro arrematou seu discurso com uma recomendação: "os trabalhadores devem se recusar a participar de qualquer tipo de negociação que reduza seus salários".

O conselho do ministro serviu para o vice-presidente da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, Francisco Sales Gabriel Fernandes, que acompanhou as negociações de mais de 50 sindicatos. "Ocorreram demissões, mas acreditamos que conseguimos barrar o fechamento de 50 mil postos de trabalho em São Paulo. Muitas empresas do setor metal-mecânico, que iriam demitir em massa, optaram por adotar essas medidas e acabaram mantendo os empregos", comemorou o sindicalista.

Na região, o enredo não foi diferente. Mais de uma dúzia de acordos de redução de salários foram negociados. Alguns foram cancelados, com a retomada da produção, mas a maioria, mesmo com a reação, preservou os acordos.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apesar de convidada não compareceu ao evento da Força Sindical, mas mandou uma carta. "Celebremos os memoráveis 1º de Maio do Grande ABC e de tantas outras localidades, que nos idos de 1979, 1980, e nos anos seguintes, muitos de vocês mobilizaram multidões, foram às ruas e desafiaram o regime militar na luta pelas liberdades democráticas", afirmou a ministra em sua carta.



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