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Apenas 20% dos agressores sexuais de crianças são pedófilos

Maioria dos molestadores é de criminosos comuns; doentes precisam de tratamento


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

11/02/2014 | 07:00


Apesar de o senso comum nomear como pedófilo todo agressor sexual de crianças, estudos feitos no País e em todo o mundo mostram que apenas 20% das pessoas sentenciadas por este tipo de crime são diagnosticadas com a doença. A maior parcela dos molestadores de crianças, entretanto, é de criminosos oportunistas, que podem ser dependentes de álcool e outras drogas, sofrer transtornos de humor ou personalidade ou não apresentar nenhum transtorno psiquiátrico.

Em entrevista ao Diário, o professor de Psiquiatria e coordenador do ABSex (Ambulatório de Transtornos da Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC), Danilo Baltieri, explica que é importante diferenciar os dois casos, tendo em vista que o pedófilo precisa de tratamento adequado. “A pena de prisão não é suficiente para aquela pessoa que padece de pedofilia porque, sem tratamento, a taxa de reincidência é alta”, explica. O especialista defende que, em alguns casos, pacientes com pedofilia devem ser tratados em hospitais psiquiátricos forenses.

Pedofilia é um transtorno psiquiátrico que leva o adulto a se sentir sexualmente atraído de modo compulsivo por crianças e adolescentes. “É a doença mais estigmatizada de toda a medicina. São alterações no funcionamento cerebral na região que determina o controle emocional. Não tem cura, mas pode ser tratado”, observa Baltieri. Segundo o médico, da mesma forma que nem todo molestador de crianças é pedófilo, nem todo portador de pedofilia é molestador de crianças.

A pedofilia em si não é um delito. De acordo com o código penal, crime é a relação sexual ou ato libidinoso praticado por adulto com menores de 14 anos. Além disso, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) considera criminoso o ato de adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

O Ambulatório de Transtornos da Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC existe há cerca de dez anos e acompanha, de forma gratuita, cerca de 30 pacientes com diagnóstico de pedofilia atualmente. “A pedofilia pode ser comparada a uma doença crônica, como o alcoolismo”, diz o professor de Psiquiatria. No geral, pacientes têm dificuldade de procurar tratamento. Isso porque não reconhecem que estão doentes ou temem ser denunciados e sofrer preconceito.

O controle da doença une psicoterapia e medicações, além de terapia em grupo. Nos casos extremos, quando o paciente não responde a nenhuma medicação, podem ser utilizados medicamentos antagônicos da ação da testosterona, os chamados antilibido. “Apesar do nome, erroneamente divulgado, o objetivo é controlar o impulso dessas pessoas. O remédio não pode tirar a ereção, tendo em vista a busca pela vida sexual saudável, ou seja, com pessoas de idade apropriada dos pacientes”, destaca. 



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