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Famílias ocupam prédio abandonado na Vila Bocaina

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cerca de 150 pessoas de Mauá passaram a morar no imóvel sábado; data de ‘inauguração’ foi definida para 7 de setembro como protesto


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

07/09/2020 | 23:55


Aproximadamente 150 pessoas, em cerca de 50 famílias de bairros periféricos de Mauá, inauguraram ontem o que batizaram de Ocupação Manoel Aleixo: negro, canavieiro e fundador do Partido Comunista Revolucionário, em prédio público abandonado na Vila Bocaina. Segundo militantes do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) que encabeçaram a tomada do espaço, há dez anos o local, que antes abrigava escola municipal, estava desativado e abandonado. A Prefeitura não confirmou o que funcionava no prédio.

Embora a população tenha dado início à invasão há cerca de dois meses e assumido a área no sábado, a ‘inauguração oficial’ foi definida para o dia 7 de setembro porque a data, que celebra a Independência do Brasil, representa, para o MLB, o contrário do que deveria. “Neste dia é celebrada a independência do País que não é real, sobretudo porque foi um processo que não teve participação popular efetiva e manteve o povo refém dos mais ricos, que vivem às custas do nosso suor”, pontuou o coordenador estadual do MLB, Matheus Troilo, 24 anos. Segundo ele, a oficialização da invasão, ontem, foi também uma forma de protesto pela dependência e falta de oportunidade da população mais carente.

De acordo com ele, a maior parte dos 150 ocupantes – moradores de bairros como Zaíra, Cerqueira Leite e Jardim Mauá – perdeu seus empregos durante a pandemia da Covid-19 e, portanto, passam por mais dificuldades agora. “Essas pessoas, que já vivem em situação insalubre morando, em sua maioria, em áreas de risco, não conseguem mais pagar o aluguel e estão sendo despejadas. São pessoas que estão inseridas no deficit habitacional gigante do nosso País, e parte dos 140 milhões de desempregados do Brasil”, esclareceu.

O espaço, porém, já foi alvo de ocupação anteriormente, tomado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário para construção da Casa de Referência da Mulher Helenira Preta. A entidade auxiliou o MLB a construir moradias no prédio. “O local representa exatamente o que os mais ricos fazem. Abandonam os espaços construídos pela classe trabalhadora”, afirmou Troilo, contando que esperam posicionamento da Prefeitura.

Ontem, o movimento solicitou a religação de água e energia elétrica para o imóvel, cobrando da Prefeitura maior atenção à questão da moradia. “Estamos precisando de doação de tudo que é necessário para manter as famílias em condição de vida”, reforçou o coordenador estadual do MLB.

Desempregado, Fernando Santos, 25 anos, conhecido como Nando, é um dos moradores do local. Saído do Jardim Itaussu, onde morou desde que nasceu, ele afirmou que sempre teve muita dificuldade com a falta de saneamento do bairro, além de problemas para pagar o aluguel. “A moradia não é direito dado a todos. Aqui na ocupação dividimos as tarefas, colaboramos uns com os outros e estamos buscando uma melhora para nossa vida”, disse, cobrando do poder público atenção à população. “O governo deveria proporcionar moradia para todo mundo, mas o que temos na cidade é diferente disso”, reclamou.

Questionada, a Prefeitura informou que está à disposição para reunião com comissão do grupo a fim de ouvir suas reivindicações.



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Famílias ocupam prédio abandonado na Vila Bocaina

Cerca de 150 pessoas de Mauá passaram a morar no imóvel sábado; data de ‘inauguração’ foi definida para 7 de setembro como protesto

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

07/09/2020 | 23:55


Aproximadamente 150 pessoas, em cerca de 50 famílias de bairros periféricos de Mauá, inauguraram ontem o que batizaram de Ocupação Manoel Aleixo: negro, canavieiro e fundador do Partido Comunista Revolucionário, em prédio público abandonado na Vila Bocaina. Segundo militantes do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) que encabeçaram a tomada do espaço, há dez anos o local, que antes abrigava escola municipal, estava desativado e abandonado. A Prefeitura não confirmou o que funcionava no prédio.

Embora a população tenha dado início à invasão há cerca de dois meses e assumido a área no sábado, a ‘inauguração oficial’ foi definida para o dia 7 de setembro porque a data, que celebra a Independência do Brasil, representa, para o MLB, o contrário do que deveria. “Neste dia é celebrada a independência do País que não é real, sobretudo porque foi um processo que não teve participação popular efetiva e manteve o povo refém dos mais ricos, que vivem às custas do nosso suor”, pontuou o coordenador estadual do MLB, Matheus Troilo, 24 anos. Segundo ele, a oficialização da invasão, ontem, foi também uma forma de protesto pela dependência e falta de oportunidade da população mais carente.

De acordo com ele, a maior parte dos 150 ocupantes – moradores de bairros como Zaíra, Cerqueira Leite e Jardim Mauá – perdeu seus empregos durante a pandemia da Covid-19 e, portanto, passam por mais dificuldades agora. “Essas pessoas, que já vivem em situação insalubre morando, em sua maioria, em áreas de risco, não conseguem mais pagar o aluguel e estão sendo despejadas. São pessoas que estão inseridas no deficit habitacional gigante do nosso País, e parte dos 140 milhões de desempregados do Brasil”, esclareceu.

O espaço, porém, já foi alvo de ocupação anteriormente, tomado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário para construção da Casa de Referência da Mulher Helenira Preta. A entidade auxiliou o MLB a construir moradias no prédio. “O local representa exatamente o que os mais ricos fazem. Abandonam os espaços construídos pela classe trabalhadora”, afirmou Troilo, contando que esperam posicionamento da Prefeitura.

Ontem, o movimento solicitou a religação de água e energia elétrica para o imóvel, cobrando da Prefeitura maior atenção à questão da moradia. “Estamos precisando de doação de tudo que é necessário para manter as famílias em condição de vida”, reforçou o coordenador estadual do MLB.

Desempregado, Fernando Santos, 25 anos, conhecido como Nando, é um dos moradores do local. Saído do Jardim Itaussu, onde morou desde que nasceu, ele afirmou que sempre teve muita dificuldade com a falta de saneamento do bairro, além de problemas para pagar o aluguel. “A moradia não é direito dado a todos. Aqui na ocupação dividimos as tarefas, colaboramos uns com os outros e estamos buscando uma melhora para nossa vida”, disse, cobrando do poder público atenção à população. “O governo deveria proporcionar moradia para todo mundo, mas o que temos na cidade é diferente disso”, reclamou.

Questionada, a Prefeitura informou que está à disposição para reunião com comissão do grupo a fim de ouvir suas reivindicações.

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