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Ironia para causas vazias


Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

15/09/2011 | 07:00


Longe dos palcos há nove anos, Mariana Ximenes nunca deixou de ser espectadora. "Sempre fui apaixonada pelo teatro, mas oportunidades em outros veículos, como televisão e cinema, acabavam surgindo", explica a atriz, que interpretou a personagem Clara em "Passione" (2010).

Durante o período, inevitável foi sentir necessidade de saltar da plateia para o palco. Mariana agora retorna ao teatro como protagonista do espetáculo "Os Altruístas", que iniciará temporada amanhã, no Teatro Augusta, em São Paulo.

Originalmente escrita pelo norte-americano Nicky Silver, a peça tem direção de Guilherme Weber, íntimo dessa dramaturgia por conta de montagens como o espetáculo "Os Solitários" (2002), encenado pela Sutil Companhia de Teatro a partir de dois textos, "Pterodátilos" e "Homens Gordos de Saia".

"Na época, Nicky Silver teve eco forte no Brasil, tanto com o público quanto com os artistas. Depois tivemos montagens com outras companhias", recorda Weber, que agora assume a primeira encenação no Brasil de "Os Altruístas".

Na trama, Mariana é a bulímica e anoréxica Sydney, estrela de novela que sustenta grupo de jovens engajados em causas sociais, cujo líder é o namorado Tony (Miguel Thiré). "Ela tem uma relação doentia com o namorado. Representa as personagens neuróticas e estéricas de Nicky Silver", diz a atriz, que aparece em cena verborrágica e politicamente incorreta. "Só tem a ver comigo por ser atriz", frisa.

Como referência, Mariana teve as superstars de Andy Warhol, homens travestidos que estrelavam os filmes do artista no fim dos anos 1960. "Eu disse para ela pensar em um homem representando uma atriz", conta Weber.

Em contraponto à carência de Sydney, o mulherengo Tony só enxerga na estrela a chance de conseguir dinheiro para os seus projetos. "Ele tem mais necessidade de pertencer a um grupo do que de lutar pelas causas", diz Thiré.

Já no início o espetáculo mostra o conflito: os jovens (também vividos por Kiko Mascarenhas, Jonathan Haagensen e Stella Rabello) acordam de noitada para organizar passeata, mas não sabem por qual minoria estão lutando.

Eles se envolvem em tudo de maneira superficial. "É uma ironia aos movimentos que se fazem em nome de grandes causas, que se mostram vazias ao longo de anos de revolução", explica o diretor.

Para Weber, a obra tem humor demolidor e até satírico, capaz de despertar o que cada um tem de pior. "Quando comecei a reescrever, guiado pela voz de Nicky Silver, fiquei assustado com quão profundo pântano conseguiu me levar".

Enquanto mostra temática séria, a peça faz uso do humor politicamente incorreto. "O grande embate acontece quando a comédia se faz sem freio e o mundo se defende. Desse embate, cria-se uma sociedade atenta e sadia", afirma Weber.

Além de ser protagonista, Mariana Ximenes estreia como produtora. "Tenho autonomia para buscar projetos. Um desejo meu passa a ser um desejo coletivo. Isso é lindo. Foi um processo mágico. Espero que não pare mais", declara a atriz, que não tem previsão para voltar para a telinha.


Os Altruístas Teatro. Estreia amanhã, às 21h30. No Teatro Augusta - Rua Augusta, 934, São Paulo. Tel.: 3151-4141. Temporada: sextas, às 21h30, sábados, às 21h, e domingos, às 19h. Ingr.: R$ 70 e R$ 80. Até 18/12.



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