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Desaceleração econômica e desemprego na região

Em março, o desemprego no Grande ABC registrado pelo Seade/Dieese atingiu 19,2% da PEA (População Economicamente Ativa), retomando taxas observadas entre 2003 e 2004, ou seja, há mais de 12 anos. A renda média do trabalhador da região, apurada pela mesma pesquisa, foi de R$ 2.138 em janeiro. Ao ser deflacionada pelo índice de Custo de Vida do Dieese, essa renda revela-se 23% menor que a observada em abril de 1998, quando foi iniciada a pesquisa. Mesmo nos períodos de melhor desempenho da economia e menor taxa de desemprego na região, como em outubro de 2013, quando o desemprego foi de 8,8% da PEA, o poder de compra da renda atingiu cerca de R$ 2.692, menor que o observado em 1998. Para o trabalhador, a sensação é a de que não vingou o fruto do esforço produtivo, mesmo depois de tantos anos. O baixo crescimento econômico e de geração de riqueza é um dos fatores determinantes deste ciclo. A economia do Grande ABC tem apresentado desempenho inferior ao crescimento da economia do Estado de São Paulo e do Brasil. No período recente, entre 2012 e 2014, segundo dados do PIB dos municípios divulgados pelo Seade, a economia da região encolheu cerca de 9%. Isso enquanto a economia brasileira apresentava trajetória de crescimento, ainda que em desaceleração. A projeção realizada pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo para 2015 e 2016 para o PIB da região é de encolhimento ainda mais intenso, de cerca de 5% e 8%, respectivamente. Em 2015 e 2016, a economia brasileira encolheu menos, respectivamente, 3,8% e 3,6%. Considerando as inter-relações entre os agentes econômicos e o encadeamento das etapas e unidades de produção, a melhora sustentável das condições de geração de emprego depende de ciclo sustentável e robusto de crescimento econômico, acompanhado da melhora do nível de formação profissional. Nos últimos 20 anos, o Grande ABC perdeu participação na economia do Estado de São Paulo, bem como na economia brasileira. Como se não bastasse, a região também assistiu à diminuição da participação dos setores industriais de média e alta intensidade tecnológica na geração de VA (Valor Adicionado) da indústria de transformação. Se de um lado fatores macroeconômicos como taxa de câmbio, juros e carga tributária, entre outros, não estão no raio de governabilidade dos agentes locais, pois são associados às políticas federais, à busca de elementos que melhorem as condições de produção e à competitividade local parece alternativa, ainda que com resultado a longo prazo. Nessa busca incluem-se a regulamentação sobre uso do solo, a qual não deve penalizar a atividade produtiva, a disseminação de programas de estímulo à modernização tecnológica e à aproximação dos agentes, a captação de recursos para políticas setoriais e/ou regionais, encorajando a atividade produtiva, a maior agilidade no atendimento das demandas para instalação de empresas, entre outras ações de incentivo ao empreendedor e também à qualificação da mão de obra. Em País em que a adoção de políticas regionais é afetada pela ausência de política federal robusta para o tema, pela baixa capacidade fiscal dos municípios, por vezes do próprio Estado, e pela falta de estratégias de longo prazo, nos parece que a busca de soluções conjuntas e mais bem coordenadas entre cidades do Grande ABC seja mais sólida que a realização de ações individualizadas e com frequência descontínuas.


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