Levantamento Um estudo do Instituto Fractal traçou perfil do consumidor, que
deve pesquisar antes de escolher banco em que abrirá conta

O técnico de fundição Nelson Viana mora em São Paulo e trabalha em Diadema. Atualmente ele é correntista de apenas um banco. Seu empregador tem vínculo com a mesma instituição, situação que levou o trabalhador a abrir a conta. Segundo ele, não há motivos para reclamar do atendimento nas agências, que estão próximas de onde ele exerce sua função.
Viana se enquadra no resultado de Estudo do Instituto Fractal. A pesquisa revelou que a proximidade, solidez do banco e a simpatia dos usuários com as instituições são os fatores determinantes para abrir uma conta. O resultado considera consumidores com renda mensal entre R$ 800 a R$ 4.000.
Quando o rendimento mensal é superior a R$ 4.000, a proximidade e a solidez continuam na lista dos principais motivos para ser correntista. O empresário andreense Anderson Bastos confirma essa atratividade. Ele mantém conta em três instituições como pessoa física. "Como já era cliente deles, abri contas como pessoa jurídica também. Assim, fico mais próximo dos bancos, é mais fácil e tenho a opção de ir para outra agência e não enfrentar fila e até negociar melhores taxas nos empréstimos."
O diretor-presidente do Fractal e economista da FIA (Fundação Instituto de Administração), Celso Grisi, explicou que, além desses resultados, os consumidores buscam maior atenção das instituições. "As pessoas estão ficando mais educadas financeiramente e querem que o banco ajude elas a entender, oriente em qual aplicação terão mais rentabilidade, por exemplo, e não só venda empréstimos." Para Grisi, o processo de mudança da consciência financeira dos brasileiros está acelerado. "Porém, os banqueiros estão muito lentos. É uma situação que merece mais atenção dos bancos."
TARIFAS - Outro ponto relevante da pesquisa é o incômodo dos consumidores com a cobrança de várias tarifas. Tanto para os mais abastados quanto para aqueles que têm menor renda, a isenção e a redução de taxas são fatores determinantes na escolha de um banco.
O segurança Jair Andrade Reis, morador de Ribeirão Pires, disse que a cobrança de várias tarifas por um banco público foi o motivo para o encerramento da sua relação com a instituição. "Hoje tenho duas contas. Abri ambas porque as empresas que trabalhei e trabalho pediam para depositar o salário. Mantive uma, pois também é poupança. Mas uma antiga eu fechei porque cobravam muitas tarifas."
Apesar das atratividades das instituições financeiras, muitos trabalhadores escolhem o banco em que terão relacionamento por causa dos empregadores, que já possuem contas neles. A auxiliar de enfermagem Maria Luciana Souza, de Santo André, tem duas contas, uma poupança e outra para receber o salário.
Mas o professor da Fiap Marcos Crivelaro, consultor de finanças e especialista em matemática financeira, alerta que, como para todo tipo de consumo, os interessados devem pesquisar quais produtos e serviços os bancos oferecem. "As pessoas acham que estão amarradas, mas não estão. A maioria dos bancos de varejo tem a opção, sem custo, de conta-salário, em que o dinheiro cai no banco e é enviado imediatamente para a instituição que o trabalhador tiver conta."
Desta maneira, é possível encontrar oportunidades que se encaixam ao perfil, destaca Crivelaro. "A pessoa tem que analisar o momento atual dela, se precisa de crédito, algum tipo de investimento ou até facilidade de pagamento pela internet. Já que o banco é um mal necessário, você tem que tirar proveito disso."
Brasileiro compra muito e ainda poupa pouco
Gastar impulsivamente sem calcular as consequências orçamentárias futuras e não guardar dinheiro é uma característica comum entre os consumidores. Estudo do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) revelou que 42% das pessoas gastam tudo o que ganham e não conseguem criar reservas financeiras.
Segundo o levantamento, 85% dos consumidores compram, depois de ver o salário nas conta, sem realizar algum tipo de planejamento. Dentro desse grupo, 7% afirmam comprar sem pensar nas consequências sempre; 24% garantem que fazem isso frequentemente; e 54%, esporadicamente. Outros 15% afirmaram que nunca consomem sem se planejar.
Apenas 12% garantiram que não compram parcelado. Por outro lado, 37% dizem que o mais importante é analisar se o valor da parcela mensal vai caber no bolso. Outros 20% afirmam considerar o valor total que será gasto no financiamento e 31% observam as taxas de juros.
Na avaliação da economista do SPC Brasil Ana Paula Bastos, apesar de a pesquisa mostrar cenário negativo, de que muitos trabalhadores consomem por impulso e não conseguem guardar dinheiro, ela aponta que há um lado positivo. "As pessoas estão interessadas em aprender a se organizarem financeiramente." Segundo a pesquisa, 89% dos entrevistados observam benefícios em realizar planejamentos financeiros.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.