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Quanto custa um emprego de 4 anos?


Carlos Boschetti

07/08/2014 | 07:05


O emprego mais caro da América Latina estará vago e será disputado duramente por 11 candidatos, que desembolsarão aproximadamente R$ 1 bilhão, somando todos os gastos de campanha. A luta pela Presidência da República, cuja eleição acontece em outubro, garantirá o desafio de tentar mudar a trajetória da tão sofrida e cara Nação brasileira entre 2015 e 2018.

Como os partidos brasileiros levantarão esse montante de dinheiro em tão pouco tempo? Quantos jantares, festas e doações serão realizados de forma transparente, de acordo com a lei que estabelece a declaração de origem dos fundos de campanha? No Brasil, política é tratada com paixão e não com conhecimento de causa, das regras para serem eleitos, das obrigações, deveres e direitos dos governantes e com garantias para a população de que seus anseios e necessidades urgentes e mandatórias serão asseguradas por meio de um programa de governo que a população entenda, acredite na mudança e que será aplicado pelos eleitos.

Quantos empregos temporários serão criados para executarem as tarefas de marketing, publicidade e confecção dos materiais eleitorais para os candidatos? Qual é o custo que a população vai pagar para todo o processo eleitoral? A previsão de gastos com o processo eleitoral está estimado em R$ 500 milhões e o total de campanha previsto entre todos os candidatos em R$ 916 milhões. Esses valores são no mínimo muito estranhos, pois a eleição movimentará 145 milhões de eleitores em todo o território nacional e os brasileiros residentes no Exterior, além da mobilização de todos os envolvidos na estrutura e máquina eleitoral.

Segundo especialistas em Direito Eleitoral, as volumosas doações de empresas aos partidos estabelecem relação perversa, pois as empresas consideram isso como investimento. Como todo investimento, deve gerar lucro, e não importa se isso vai criar relação de troca de favores e ou caminhos obscuros como o caixa dois.

Em 1994, na campanha que elegeu FHC, a quantia de doações foi de R$ 190,4 milhões distribuídos em R$ 123,4 milhões para o PSDB, R$ 15,1 milhões para o PT e R$ 51,9 milhões para outros. Em 2010, saltamos para R$ 353,6 milhões distribuídos entre R$ 190 milhões para o PT, R$ 132 milhões para o PSDB e R$ 30,6 milhões para outros. Para a eleição de outubro de 2014, o crescimento dos gastos superará a inflação no período. Quem se beneficia por tantas doações? Segundo a legislação eleitoral brasileira, é permitido que empresas privadas façam doações de até 2% do faturamento a partidos políticos que certamente esperam algo em troca após o período eleitoral. Essa lei permite as famosas negociatas entre políticos dos poderes Executivo e Legislativo, escancarando as portas para a corrupção. Das dez maiores doadoras de campanha, sete são suspeitas de corrupção, principalmente por superfaturamento de obras públicas.

Por isso fica a pergunta: quanto custa o emprego de presidente da República Federativa do Brasil? 



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