Deputada é cotada para tentar o governo paulista pelo PSB e assegurar espaço para candidato à Presidência

Cotada como possível candidata ao governo do Estado pelo PSB, caso a tentativa de aliança com o governador tucano Geraldo Alckmin não se concretize, a deputada federal Luiza Erundina avisou que não vai liderar o processo eleitoral paulista. A postura afasta a socialista da barganha política em que sua sigla tenta armar para garantir palanque ao virtual candidato à Presidência, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Erundina resgatou o episódio em que desistiu da candidatura a vice do prefeito da Capital, Fernando Haddad (PT), quando os petistas selaram aliança com o deputado federal Paulo Maluf (PP), no ano passado. "Não sou eu quem vou liderar esse processo aqui. O partido não ficou satisfeito quando eu desisti da candidatura a vice-prefeita. Evidentemente que não foi uma decisão fácil, criou dificuldades para o partido, eu reconheço. Por tudo isso, pelas minhas posições, eu sou muito exigente em relação a essas questões, dificulta um papel mais protagonista, sobretudo no Estado de São Paulo", avaliou.
O plano do PSB, já exposto pelo mandatário estadual, o deputado federal Márcio França, visa armar palanque duplo para Alckmin, já que os tucanos terão o senador Aécio Neves como candidato ao Palácio do Planalto. A possibilidade dos socialistas ocuparem a vice do governador ou tentarem uma vaga no Senado com aval do PSDB é discutida.
A eventual candidatura do PSB ao governo paulista é vista como um fator que fragilizaria Alckmin e favoreceria o PT, por conta do racha dos socialistas que hoje fazem parte da gestão tucana. "Estamos em uma fase de especulação. O PSB tem um candidato à Presidência, um nome popular reconhecido, mas isso ainda não está definido. Nem a executiva nacional nem a estadual se reuniram para discutir a questão eleitoral", disse Erundina.
Incomodada com a proximidade de seu partido com o PSDB, a deputada pediu força popular no debate da reforma política que acabou enterrada pelo Congresso Nacional, em abril. "Se você olha o quadro político eleitoral do Brasil, tudo pode acontecer. Lamentavelmente você não tem nenhum partido, nem do campo de esquerda nem à direita nem ao centro, que possa tocar um projeto político ideológico e doutrinado. O que sugere que se faça uma reforma política para valer e que o próprio quadro partidário se redefina. O que nos dá expectativa é que a sociedade começa a se organizar para impor a reforma ao Congresso, porque não dá para esperar essa definição só do Congresso", afirmou.
PALESTRA
Erundina esteve ontem na Fapss (Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano) para ministrar palestra com o tema ‘Conjuntura e perspectivas frente aos desafios da contemporaneidade'. A deputada integrou o quadro docente da entidade.
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