Bolsa Com o mercado já considerando um crescimento mais fraco do PIB (Produto Interno Bruto) nacional neste ano, o principal índice de ações da Bolsa brasileira fechou hoje em alta de 0,97%, aos 55.700 pontos.
O índice passou a manhã toda no campo negativo, mas inverteu a tendência no início da tarde com uma retomada das ações da Vale e com o resultado do vencimento de opções sobre ações, que movimentou R$ 3,7 bilhões na Bolsa brasileira hoje.
Divulgado hoje, o relatório Focus do Banco Central mostrou que a taxa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) projetada por economistas das instituições financeiras consultadas ficou em 2,98% ao final de 2013.
"A previsão do Focus sempre é mais otimista, porque sabemos que há uma intenção do governo em chegar ao valor que o Focus está prevendo. Se ela cai, é uma confirmação de que a economia está em um período frágil. Os EUA estão se recuperando, a China segue crescendo forte e, nós, não", disse Elad Revi, analista da Spinelli Corretora.
Segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o corte na projeção para o PIB visto no Focus "é importante porque fica claro que o IBC-BR não empolgou, e acaba ficando mais evidente que a dinâmica da economia brasileira tende a ser mais lenta."
O economista destacou que a projeção para o IPCA se manteve inalterada, mas houve uma redução nas perspectivas para os demais indicadores de preços no país, como o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) e IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna).
"Isso demonstra que a inflação tende a ser menor preocupante. Não é que ela vai deixar de ser um problema para o governo, mas, sim, que ela terá um impacto menos relevante na economia", completou Perfeito.
Vendo a desaceleração do crescimento econômico nacional como principal fator a ser monitorado, o economista da Gradual acredita que o Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) fará apenas mais dois aumentos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros nacional -a Selic-, que deve fechar 2013 em 8% ao ano.
Hoje, os investidores também avaliaram o resultado do IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), que subiu 0,01% na segunda prévia de maio, ante elevação de 0,28% no mesmo período de abril, com destaque para a deflação dos produtos agropecuários no atacado, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas).
As ações ligadas às commodities (matérias-primas) fecharam em alta, com o mercado diminuindo as preocupações em relação ao crescimento da economia da China -maior consumidora desses produtos no mundo.
Os papéis mais negociados da mineradora Vale, por exemplo, fecharam com valorização de 3,81%, para R$ 31,05. Já as ações mais negociadas da Petrobras subiram 1,25%, para R$ 20,20 cada. Esses dois papéis, juntos, representam mais de 17% do Ibovespa.
No sentido oposto, as ações da OGX, empresa de petróleo de Eike Batista, lideraram o ranking das maiores quedas do Ibovespa no dia, com desvalorização de 3,39%, para R$ 1,71. O desempenho também estimulou as perdas de outros papéis do grupo EBX, como MMX Mineração (-1,49%, R$ 1,99) e LLX Logística (-1,09%, R$ 1,82).
O grupo de Eike Batista atravessa um período de crise de confiança por parte dos investidores, gerada pela ausência de resultados positivos.
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