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Economia

Publicado em domingo, 3 de junho de 2012 às 06:55 Histórico

Carro usado fica até 10% mais barato

Para quem está disposto a comprar carro, seja ele zero-quilômetro ou usado, o momento é favorável. A decisão do governo federal de reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóvel zero-quilômetro e exigir como contrapartida desconto entre 1% e 2,5% nos preços de tabela das montadoras baixou o preço dos veículos novos em até 15% e pressionou para baixo os custos dos usados em cerca de 10%.

Para quem quer vender seu carro, porém, o cenário não anima, já que a margem de lucro tem de ser reduzida para oferecer preços competitivos. Na Líder Global Multimarcas, com lojas no Auto Shopping Global, em Santo André, e na Capital, o gerente de semi-novos Rogério Gonzales conta que mesmo diminuindo os preços em até 12% está mais complicado para fechar uma venda. "O movimento nas lojas cresceu, porém, as pessoas estão mal informadas e vêm procurando desconto do IPI para semi-novo e usado. Mesmo explicando a situação, muitas delas vão embora achando que estamos com má vontade."

A situação se repete na Coqueiro Automóveis, que possui duas lojas no mesmo shopping, em Santo André. "Está terrível para se trabalhar", afirma o sub-gerente Marcel Navarro. "Um Gol Geração 5, ano 2011, que estávamos vendendo por R$ 29,9 mil há dez dias, tivemos de baixar para R$ 27 mil, pois um zero-quilômentro sai por R$ 31 mil."

Navarro cita também o caso de um Celta 2011, cujo valor foi barateado de R$ 27,9 mil para R$ 23 mil. "Foi quase o que pagamos por ele." A revendedora, acostumada a vender 25 carros por mês, há dois meses vem encerrando o orçamento no vermelho - em maio, comercializou oito unidades - e cogita fechar uma das lojas. Segundo o sub-gerente, o maior problema está na aprovação do crédito. "A cada 17 tentativas, conseguimos concretizar apenas duas operações."

Em São Bernardo, o gerente das lojas Edcar e Automaxx, Maurício Costa, sente a mesma dificuldade. "Para financiar um veículo hoje, os bancos pedem pelo menos 20% de entrada, exigem que o comprador esteja há pelo menos um ano no mesmo serviço e que tenha um salário bom", explica. "Sem contar que quem estava endividado e ficou com o nome sujo, só consegue crédito um ano e meio depois de limpar o nome. Antes não era assim."

Essa forte restrição decorre do aumento da inadimplência no financiamento de veículos que, de acordo com o Banco Central, atingiu 5,9% do total de empréstimos em abril, maior percentual desde 2000. "Os bancos e financeiras ainda estão com muito rigor em aprovar crédito para veículos em 60 vezes sem ou com pequena entrada. Essas condições, no entanto, mantiveram o mercado aquecido nos últimos três anos", avalia o economista Ayrton Fontes, autor do blog Economia Brasil! Varejo Automotivo!.

As taxas médias praticadas para a compra de usados e semi-novos estão em torno de 1,4% (quanto mais antigo o veículo, maiores os juros), com entrada, e o prazo máximo aceito é de parcelamento 48 vezes.

 

Na troca, consumidor tem de ter cautela

Embora as concessionárias e montadoras anunciem que os veículos zero-quilômetro estejam até 15% mais baratos, a troca exige cautela, pois a depreciação do usado pode ser ainda maior.

"Muitas vezes os preços praticados no varejo já vinham abaixo do valor de tabela. Portanto, quando se calcula a diferença entre o preço de tabela e o novo valor de mercado, o percentual é mais alto", ressalta Joel Leite, diretor da Agência Autoinforme, especializada no setor automotivo.

Por exemplo, se um carro tinha valor sugerido de tabela de R$ 26 mil mas, por conta de ações promocionais era vendido por R$ 24 mil, e, com a redução, baixou para R$ 21 mil, a diferença contabilizada será de R$ 5.000, em vez de R$ 3.000.

Neste cenário, as avaliações dos veículos usados que são oferecidos na troca de um zero estão bem abaixo do valor de mercado. "Isso dificulta muito a negociação", afirma o economista Ayrton Fontes, autor do blog Economia Brasil! Varejo Automotivo!.

Na avaliação de Leite, no entanto, o impacto para as lojas de semi-novos e usados não será tão forte quanto em 2008 e 2009, quando muitas fecharam as portas porque ninguém acreditava que houvesse recuperação.

A medida do governo em estimular o consumo de veículos novos repete fórmula adotada durante a crise financeira internacional. A estratégia surgiu na tentativa de preservar os empregos nas montadoras e diminuir o estoque de 43 dias (tempo que as unidades levariam para ser desovadas), o maior desde novembro de 2008.

Os efeitos já puderam ser sentidos pela Volkswagen, que suspendeu as paradas na produção para ajustar o estoque. As semanas, que desde meados de abril vinham mais curtas, com quatro dias, voltaram a ficar cheias. Além disso, estava prevista a folga nos dias 4, 5 e 6, visando emendar o feriado, que foi cancelada.

 



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